Lamentations of the Flame Princess (resenha)

Lamentations of the Flame Princess (resenha)
REGRAS DO JOGO (Critérios de Avaliação)

O FATO: Qualquer RPG só precisa de regras básicas e antagonistas. Todo suplemento é opcional. Logo, toda avaliação é subjetiva. Todo suplemento se caracteriza pelo seu BÁSICO, é BOM, MAL, FEIO e ESTRANHO em maior ou menor grau.
O BÁSICO: Aqui vão as informações físicas do suplemento.
O BOM: Porque seria legal você ler ou ter este suplemento. Hora de louvá-lo.
O MAL: Porque este suplemento é ruim para você. Hora de criticá-lo.
O FEIO: Porque acho que faltou algo no suplemento. Hora de malhá-lo.
…E O ESTRANHO: Anedotário e esquisitices. Hora de gozá-lo.
E VALE?: Porque eu adquiri o suplemento e se acho que me arrependi.

O BÁSICO

Lamentations of the Flame Princess (LotFP)
PlayerCore Book/ Rules & Magic
Deluxe edition
James Edward Raggi IV

www.lotfp.com
Edição 2013, capa dura, 167 paginas, tamanho octavo (15 x 22 cm), miolo preto e branco com ilustrações internas coloridas e P&B
Disponível gratuitamente sem as ilustrações no drivethrurpg.com
Disponível fisicamente a preços variados

O BOM

Lamentations of the Flame Princess (Lamentações da Princesa de Fogo) ou LotFP é um RPG no estilo D&d clássico primeira edição (chamado “old school RPG”) que se pauta pelo chamado tema “weird” (estranho, esquisito), extra oficialmente ambientado na era pré-moderna (séculos XVI a XVIII), com aspectos de horror e fantasia.

Ele é bem escrito, é divertido, apresenta as regras de forma clara e direta, abordando aspectos que você sempre quis saber no seu jogo (Quanto carrega um cavalo? Quanto custa um escravo? Como navegar? Quanto é meu retorno investindo em um terreno?). As regras de carga (que o livro admite que ninguém usa) são as melhores que já vi. Elegantes, diretas e simples.

Basicamente as regras seguem os modelos do D&D antigo, ainda que simplificadas, exceto alguns testes que usam o molde “a ação tem sucesso em 1 em 6, ou 1 + bônus em 6” e ponto final.

Você tem uma lista de equipamento bem legal, uma lista de empregados, aliados, acompanhantes (com índice de lealdade!), regras para investimento, viagem marítima, combate e… maravilha das maravilhas: pérolas de como lidar com situações comuns durante a sessão (luz, mapeamento, descrição X visão, perseguição, etc.). Nota-se que o autor se preocupa com coisas práticas que podem travar o jogo, e portanto oferece opções para resolvê-las. Ao fim, um apêndice à respeito de armas de fogo antigas, seu uso e regras. Boas descrições e ilustrações.

Não espere textos imersivos, nem exemplos de jogo, nem firulas descritivas introdutórias. O livro começa com regras e termina com regras, tudo claro e preciso, como se o autor ensinasse você a jogar e se divertir.

Aliás, a idéia é esta mesmo. RPG É UM JOGO PARA SE DIVERTIR, e para isso TODOS na mesa devem estar na mesma página, ou seja, uma diversão CONSENSUAL. LotFP dá um pontapé nos genitais da frescurada interpretativa e interpessoal no RPG, ao mesmo tempo sendo maduro suficiente para inculcar bom senso e respeito na mesa de jogo com a sutileza de um espigão martelado no crânio. Isto se reflete nas ilustrações e na linha de aventuras.

Quanto aos feitiços… Seguem a mesma linha do D&D, com listas para mago e clérigo (elfos usam a lista de mago). Menção especial para as conjurações: tabelas que permitem que uma gama enorme de criaturas bizarras sejam chamadas (super lovecraftiano), além de você conseguir “invocar” aspectos emocionais cristalizados em efeitos (algo como memórias da pré-concepção)!

E tudo isso (sem as ilustrações e o livro super chique), além do guia de mestre, pode ser obtido gratuitamente na internet.

Por fim, a arte varia de deslumbrante para simples, porém bem colocada e diagramada (além de sangrenta).

O MAL

LotFP NÃO É para principiante. Aliás ele não se importa em diferenciar isto. Ele pressupõe que você sabe o que está fazendo e o que está adquirindo. Isto pode não ser adequado para todo mundo. Aliás, não espere exemplos de jogo, ou aventuras prontas ou monstros. Não tem nada disso ali. Ele fornece todas as ferramentas para você criar e desenvolver aventuras, mas não vai guiá-lo no processo (em tempo, o guia do GM vale a pena ser baixado. Ele tem uma aventura pronta que ensina GMs principiantes a mestrar como se eles tivessem uma bigorna apoiada sobre os joelhos. Divertidíssimo!).

O estilo sanguinolento das ilustrações também pode incomodar. Não é algo mal em si, afinal, você já suspeitava o que esperar quando escolheu o livro.

O FEIO

Existe na contracapa um repeteco de toda lista de equipamento, só que ela é escrita em branco no fundo vermelho, terrível para ler. Também tem duas ilustrações impressas em vermelho que depreciam a arte e dificultam sua apreciação.

A ausência de uma página de introdução do autor também faz falta. Em uma edição de luxo, bem que podia ter sido acrescentada.

Não tem ficha de personagem! Tive que imprimir pela rede. Lógico que ninguém costuma copiar ficha direto do livro, e existe uma ficha no livro desconstruída para orientação de como se fazer o personagem, mas senti falta de uma ficha simples.

… E O ESTRANHO

Quer animação? Tem uma ilustração seriada de uma cabeça em decomposição no capítulo das magias, basta passar as páginas.

Quer empoderamento? Tem uma personagem feminina (existem três heroínas na séria da LotFP que são recorrentes) em sua condição de aventureira com um colar feito de orelhas de elfos em torno dos corpos derrotados dos machistas opressores.

Quer ação? O capítulo de regras tem um duelo entre espadachins (que termina inusitadamente)

Quer erotismo? Ilustração central de uma medusa (bom uso do poder de petrificação).

Quer morte e destruição? Bem, o livro não tem restrição 18+ à toa

E VALE?

Inicialmente achei que o LotFP seria pedante ou tosco em sua temática “gore” (uma das aventuras se chama “Fuck for Satan”, puxa vida). Meu primeiro contato com este RPG foi com a aventura The god that crawls, e depois baixei gratuitamente o livro de regras e o DMG no Drivethru. E que surpresa! O material é extremamente bem escrito, as aventuras bem estruturadas, a abordagem adulta e madura, no sentido de que o autor não menospreza o jogador e o GM. E tudo pode ser adaptado para seu sistema preferido! Então vale muito à pena, nem que seja para espanar as teias de aranha do seu cérebro rpgístico e sentir o gostinho de tempos mais simples, onde homens eram homens e elfos não, onde um goblin em uma sala 3×3 guardando um baú já era uma aventura!

Por Marco Poli de Araújo

LotFP

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