Worlds of Adventures: O melhor suporte que você pode esperar para um RPG

Vamos falar a verdade: em geral você fica muito louco com duas coisas que normalmente acontecem quando falamos de sistemas de RPG:

1. O sistema pode ser maravilhoso, mas normalmente ele não tem suporte com novos cenários e material relevante, contendo coisas que você pode usar em sua mesa;
2. Quando o sistema possui suporte, os materiais são muitas vezes quase tão caros quanto os materiais básicos e/ou dependem de outros livros quase tão caros.

A Evil Hat, responsável do Fate, resolve isso de uma maneira bem elegante internamente, com a série Worlds of Adventures (Mundos de Aventuras).

Os Fate Worlds e os Worlds of Adventures

Antes, vamos fazer uma distinção aqui importante: a Evil Hat possui uma linha de livros físicos e digitais chamada Fate Worlds, que é uma compilação de cenários interessantes para Fate, que incluem coisas como o pós-apocalíptico Burn Shift, o Espacial-Arturiano Camelot Trigger, o cenário sobre heróis da vida real Fight Fire, e o potencial cenário de roubos Tarantinesco Crime World. Em seus dois primeiros livros, Worlds on Fire e Worlds in Shadows, ele traz uma série de cenários novos como os ditos anteriormente.

A confusão começa quando a Evil Hat lançou como parte dessa série duas coletâneas de cenários dos Worlds of Adventures como parte dos Fate Worlds: Worlds Take Flight (com Three Rocketeers, Sails Full of Stars, Gods and Monster e Frontier Spirit) e Worlds Rise Up (com Masters of Umdaar, Psychedemia, Nest e Behind the Walls).

A diferença entre os Fate Worlds e os Worlds of Adventures é basicamente o fato que os primeiros são vendidos em formato físico real, além de POD (Print On Demand) e Digital (ePub, Mobi e PDF), e terem um preço fixo real; enquanto os segundos são basicamente vendidos em PDF no sistema Pay What You Want.

Dito isso, vamos falar dos Worlds of Adventures!

O que são os Worlds of Adventures?

Os Worlds of Adventures são voltados basicamente para oferecer cenários compactos e interessantes, que o narrador não precise de muita preparação para mandar ver. Ao invés do cenário típico, que demanda uma leitura de horas (ou às vezes dias), os Worlds of Adventures são bem sucintos, ainda que possam ter algumas regras um pouco mais complexas. Segundo a própria página da Evil Hat sobre os mesmos, “pegue um deles de tarde e de noite você já estará pronto para narrar”.

Apesar da parte publicitária de certa forma forçar a barra, a realidade é essa: os Worlds of Adventures visam oferecer novos cenários e opções de regras para os narradores aproveitarem. São até o presente momento (Novembro de 2016) 24 cenários divulgados, sendo que apenas um recebeu um upgrade e deixou de ser parte do sistema, que foi Venture City Stories, um cenário de super-heróis com um tom cyberpunk.

Uma grande coisa em comum entre todos os Worlds of Adventures: eles definitivamente são pouco usuais em suas premissas. De gangsteres arturianos (Under the Table) a uma Roma decadente e noir (Eagle Eyes) até mesmo a gatos enfrentando o sobrenatural (The Secrets of Cats) e Mosqueteiros Espaciais com Sabres de Luz (The Three Rocketeers), os Worlds of Adventures tem em comum essa premissa, a tentar puxar o Fate para os mais extremos possíveis.

Por isso é muito interessante que qualquer narrador de Fate dê uma lida nos Worlds of Adventures, para aprender mais e mais sobre o sistema, aumentando sua maestria sobre o mesmo. Pois as mecânicas também são puxadas a níveis extremos, como modificações em bônus conforme as tensões que o personagem sofre na aventura (Loose Threads), à possibilidade de criar-se dois personagens para a mesma campanha em momentos distintos da mesma (Good Neighbors) até mesmo a transformar a PRÓPRIA CAMPANHA em um inimigo como um todo (SLIP), cada Worlds of Adventures vai trazer algo que você nunca pensou ser possível em Fate, mas alguém pensou.

Como o projeto se banca?

Aqui vem um dos segredos do projeto dos Worlds of Adventures. E ele começa com a óbvia questão:

“Se os Worlds of Adventures são Pay What You Want, ou seja, Pague o Quanto Você Quiser, o que me impede de simplesmente baixar sem pagar nada? E como o autor e a editora ganha dinheiro?”

Bom, vamos aos fatos: a Evil Hat é uma empresa, não o Papa Francisco, e portanto quer fazer dinheiro para sustentar seus projetos e suas licenças. Mas ao mesmo tempo, a opção de Pay What You Want ajuda a divulgar o sistema Fate, o que também ajuda a crescer a visibilidade do sistema (os próprios materiais básicos em inglês são Pay What You Want).

Para viabilizar os Worlds of Adventures, a Evil Hat recorreu a um sistema de patronato. Esse patronato possui dois níveis, e portanto vale a pena ver o que você pode ganhar ao entrar no mesmo.

1. Com 4 dólares (aproximadamente 13 reais, incluindo impostos do cartão), você passa a ser um Adventurer, e recebe o anúncio oficial do lançamento dos novos Worlds of Adventures em primeira mão, além de ter acesso a versões completas, mas sem arte gráfica, dos Worlds of Adventures que estão para ser lançados. Quando entrei no patronato, por exemplo, recebi uma prévia de Masters of Umdaar quase quatro meses antes do lançamento do mesmo.

2. Com 12 dólares (aproximadamente 50 reais), você torna-se um Fate Corps Insider, e além dos benefícios anteriormente citados, você passa a poder sugerir temas e opinar nas regras e teores dos Worlds of Adventures por vir: existe uma lista completa dos cenários por vir .

Esse dinheiro ajuda a sustentar o projeto, bancando os direitos autorais dos autores dos cenários, as diagramações e tudo o mais.

E claro, você também pode ajudar ao pagar por downloads dos mesmos na DriveThruRPG.

É praticável jogar os Worlds of Adventures?

Resposta TL;DR (Too Long; Didn’t Read): Sim!

Resposta completa:

Quando você pega um Worlds of Adventures, ele tenta não te sobrecarregar replicando as regras que já se encontram no Fate Básico ou no Fate Acelerado, conforme o cenário. Ele vai direto ao assunto, e normalmente são de 30 a 50 páginas recheadas de conteúdo específico. Em nosso podcast Fate Masters, analisamos Masters of Umdaar e mostramos que em suas 56 páginas, ele traz muito conteúdo para o Narrador criar suas aventuras, ao mesmo tempo que dá espaço para o mesmo agregar ainda mais.

E todos os Worlds of Adventures procuram trazer algum exemplo de aventura ou de como conduzir uma campanha utilizando o cenário em questão, além de referências de estilo, ajustes de regras voltados ao tema, e por aí afora. Em geral, não é preciso muita preparação para pegar um Worlds of Adventures e mandar bala. Alguns podem exigir um pouco mais de estudo, como SLIP, Good Neighbors e Nest, mas em geral não é mais preparação do que seria para narrar um Forgotten Realms ou mesmo para narrar, mantendo-se em Fate, Atomic Robo. Na realidade, sempre costuma ser bem menos.

Por Fábio Costa
Equipe REDE
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