| Gênese - Roda da Vida | Assunto: Gênese - Roda da Vida by Rapsodia em 26/01/2009 20:19:27
Existiam três grandes entidades supremas. Sua origem, nomes, desígnios e quaisquer outras coisas eram desconhecidos, até pelos próprios deuses, que ainda não existiam.
Não tinham ambições; não tinham desejos; não tinham perspectivas.
Em algum momento, que não é possível definir visto que o conceito de tempo também não existia, um deles desperta tomado de Consciência.
Imagina possibilidades; projeta planos; faz previsões.
E inicia um diálogo.
Explana sobre tudo o que sonhou, sobre tudo o que viu. Fala dos seus propósitos.
Um segundo desperta tomado pela Paixão.
Imaginando a nova realidade, excita-se com as possibilidades. Com as suas possibilidades.
Concluíram que nada existiria que não por sua vontade.
Descobriram também que eram diferentes. Queriam coisas distintas.
Iniciaram uma discussão.
Do caos liberado, um terceiro desperta. Tomado de Espírito.
Põe um fim a disputa, trazendo equilíbrio de volta.
Os Três retornam aos seus tronos.
Agora dotados de Consciência, Paixão e Espírito.
***
A Consciência da forma a Luche, o Deus da Luz, O Deus;
A Paixão da forma a Sphinx, a Deusa das Sombras, A Deusa;
O Espírito da forma a Akasha, o Deus do Éter, A Balança.
***
A Roda da Vida se inicia.
O Deus é sua fase de Ancião. Pleno. Soberano.
A Deusa é sua fase de Anciã. Ciumenta. Rancorosa.
Tomada por um amor cego e obsessivo, desejando também ser absoluta, envenena o Deus.
A Balança, prevendo a morte do Deus, prepara seu caminho para o mundo dos mortos. A Deusa, arrependida, entristece-se ao ver seu amado definhar.
O Deus, consorte da Deusa, morre. A Deusa chora.
Para restaurar o equilíbrio, A Balança fecunda a Deusa.
O Deus renasce. E agora é alimentado pelo seio sagrado da Deusa.
O Deus cresce. É A Criança. A Deusa fragilizada descansa do parto.
Novamente para restaurar o Equilíbrio, A Balança cuida da Deusa enfraquecida.
O Deus agora é o Jovem Caçador. O Implacável. O Impetuoso. A Deusa, em vingança, é castigada.
O Deus é o Grande Pai.
A Deusa é a Grande Mãe.
E se unem, em perfeito amor e confiança. De sua união, filhos nascem.
O Deus volta a ser o Ancião. A Deusa volta a ser a Anciã.
Os Deuses são representação da vontade dos Três Monarcas.
Nada existe que não pelo desejo dos Três. E assim eles queriam.
A Infinita Espiral da Reencarnação da mais uma volta. E infinita, reinicia seu ciclo de vida e morte. A Roda da Vida.
***
Nota do autor: caso não tenha algum conhecimento sobre as teorias de Freud que eu cito logo mais abaixo, pode saltar o texto em itálico.
Bom toda essa criação surgiu da necessidade de reformular o tema antigo, dando uma maior personalização ao panteão de Rapsódia. Quanto à inspiração, me falaram que era inegável a influência grega de Deuses soberanos bem definidos. Discordo. Toda a influência para a Roda da Vida vem de dois aspectos: a religião Pagã, Wicca, que acabou levando-me às teorias freudianas do Ego, Superego, Id, Eros e Tânatos.
O Superego é inconsciente, é a censura das pulsões que a sociedade e a cultura impõem ao id, impedindo-o de satisfazer plenamente os seus instintos e desejos. É a repressão, particularmente, a repressão sexual. Manifesta-se à consciência indiretamente, sob forma da moral, como um conjunto de interdições e deveres, e por meio da educação, pela produção do “eu ideal”, isto é, da pessoa moral, boa e virtuosa.
O Ego é o centro da consciência, é a soma total dos pensamentos, idéias, sentimentos, lembranças e percepções sensoriais. É a parte mais superficial do indivíduo, a qual, modificada e tornada consciente, tem por funções a comprovação da realidade e a aceitação, mediante seleção e controle, de parte dos desejos e exigências procedentes dos impulsos que emanam do indivíduo. Obedece ao princípio da realidade, ou seja, à necessidade de encontrar objetos que possam satisfazer ao id sem transgredir as exigências do superego. O Ego em sua função básica à natureza humana é a consciência da sobrevivência, é o limite da consciência entre o instinto de doar-se a uma causa ou a uma verdade rígida (Superego) e o da própria sobrevivência humana como indivíduo.
O Id é formado por instintos, impulsos orgânicos e desejos inconscientes e regido pelo princípio do prazer, que exige satisfação imediata. É a energia dos instintos e dos desejos em busca da realização desse princípio do prazer. É a libido.
Portanto, fazendo alusão à Teoria Freudiana, o Ego e Superego são o equivalente à Consciência em Rapsódia, enquanto que o Id é o equivalente a Paixão.
Quando a Consciência se submete à Paixão, torna-se imoral e destrutivo; enlouquece de desespero, pois viverá numa insatisfação insuportável; ainda que precise se submeter, será destruído por ela. Portanto, existe a terceira força que tem sempre o objetivo de equilibrar as forças, pendendo de um lado para outro a fim de que as bandejas da balança permaneçam estáveis.
Chegada a definição dos deuses Luche e Sphinx, precisaríamos chegar à um conceito para o terceiro deus, que, já se sabia, representaria a neutralidade e o equilíbrio. A Balança.
Com a influência da Wicca achamos a referência que precisávamos. Nela, além dos quatro elementos (fogo, água, ar e terra), considera-se um quinto: o espírito ou alma, a quintessência, que também pode ser conhecido, ainda que em poucos casos, de Akasha ou Éter, portanto, convencionou-se dar-lhe o domínio do Éter (ou do espírito) e chamá-lo de Akasha.
Outra teoria de Freud utilizada, ainda que mais timidamente, é a de Eros e Tânatos, representando o ciclo de vida e morte pelo qual os deuses passam, que também existe na Wicca, ainda que este tenha sido bastante alterado.
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