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Arca: Contos : Almas Torturadas (cap III) + Wallpaper
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| Enviado por RedeRPG em 25/07/2004 00:04:00 (2771 leituras) Notícias do mesmo autor |
 
A saga passada em Necropia, a Terra dos Mortos continua! Na terceira parte de “Almas Torturadas”, Sati e Sir Deiphobus se vêem em um perigo mortal! Será que o horrendo Verme Kumariano irá devorar os nossos heróis? E que mistérios aguardam a bárbara Sati no estranho mundo da superfície dominado pelos Mortos? Saiba disso e muito mais nesse episódio escrito por Nitro! E no final do episódio temos mais um brinde! Mais um wallpaper exclusivo de Necropia, trazendo agora Sir Deiphobus, o Cavaleiro Matadeus!
Crônicas de Necropia: "ALMAS TORTURADAS" Cap.3 "Aliança da Vida com a Morte"
Escrito por Nitro (Newton Jr.)
Sati fechou os olhos, sentindo o corpo todo paralisado. O Verme Primevo escancarava sua enorme boca circular para devorar a jovem. A admirável espada que ela tinha cravado no torso do gigantesco verme escorregou de suas mãos, paralisadas com o veneno que vinha dos tentáculos dentados do monstro. Em questão de segundos Sati seria devorada pela criatura. Os vapores fedorentos que saiam do interior da aberração deixavam-na tonta. Murmurando uma prece para Binah, a Grande Mãe, Sati entregou o seu corpo para o abraço da morte.
Porém, algo fez com que o monstro a soltasse no chão. Ainda tonta e paralisada com o veneno que corria em seu sangue, Sati olhou para cima e viu o seu salvador: a criatura que o Nor chamara de Necrophagi. A criatura, usando seus potentes membros feitos de partes humanas e aparentemente livre da magia de proteção que os Primevos conjuram quando vão devorar um Nor, atacara o Verme. O Necrophagi cravou suas enormes presas de metal no torso do verme, fazendo enormes buracos com suas garras de metal. Dos ferimentos do Primevo saíram jatos de sangue verde que, caindo na pele do Necrophagi, queimavam como ácido. Urrando de maneira sobrenatural, o Necrophagi parecia ignorar a dor e continuava o seu violento ataque ao gigantesco verme.
Sati não sentia mais nada e fazia esforço para manter os olhos abertos. Tudo que ela queria era deitar e dormir...Um grito a fez abrir os olhos. Era o Nor.
__Hei! Menina! MENINA!
Sati abriu os olhos e viu, por trás da briga entre o Verme Kumariano e o Necrophagi, o guerreiro Nor se arrastando em sua direção. Era um homem enorme, usando um elmo de metal negro, com vários círculos abertos por onde se podia vislumbrar os olhos negros de pupilas brancas e a pele pálida e cadavérica características dos não-vivos. Seu corpo estava cheio de cortes profundos, o suficiente para matar qualquer mortal. Suas pernas estavam completamente arrancadas, e o sangue negro dos Nors manchava a carne cinzenta exposta.
Apesar dos movimentos violentos do gigantesco verme, ele parecia incapaz de tirar o Necrophagi de suas costas. A pequena criatura continuava devorando e rasgando o torso do Verme Kumariano, que ainda tinha a enorme espada do guerreiro Nor cravada em seu corpo. Sati apenas gemia, incapaz de mover um músculo. O guerreiro Nor conseguiu chegar perto da jovem guerreira do Clã da Garra Negra e a segurou pelo braço esquerdo. Sati sentiu o toque pegajoso do sangue negro do Nor molhando o seu braço e começou a sentir um formigamento no local. Virando os olhos para o Nor, ela o viu levando a sua outra mão para perto de onde estavam seus lábios sob o elmo. O guerreiro Nor murmurou uma prece, enquanto fazia gestos complicados com a sua mão. A voz rouca e grave do guerreiro chegava aos seus ouvidos como uma canção das trevas, cada palavra acompanhada de um complicado gesto:
__ Haloam Melech Eloheinu Ata Baruch Ner Shem-Binah!
Um brilho negro-púrpura saiu da mão do guerreiro Nor que segurava Sati e começou a se espalhar pelo corpo da jovem. Sentindo o frio e o formigamento envolvendo seu corpo, Sati começou a gritar. A energia negro-púrpura estava tirando as dores e a paralisia do seu corpo, mas a sensação era de que ela estava morrendo, como se o seu corpo estivesse deixando de sentir-se vivo. Tão logo quanto chegou, a sensação desapareceu. Isso deixou seu corpo livre da paralisia, com apenas uma forte dor de cabeça como lembrança do veneno do Verme Kumariano. Instintivamente ela se levantou, olhando para o guerreiro Nor estendido aos seus pés.
Nesse momento, o Verme Kumariano mudou de estratégia, e começou a mover o corpo violentamente, tentando esmagar o Necrophagi contra as enormes e retorcidas árvores da floresta. Depois de dois estrondosos impactos contra as árvores, o Necrophagi não resistiu e acabou se soltando das costas do Verme Kumariano, aterrisando em meio a um grupo de arbustos espinhentos, ao mesmo tempo em que emitia um uivo de frustração. O Verme Kumariano se virou em direção a Sati, e depois de soltar um urro horrendo e altíssimo, atacou com velocidade impressionante a jovem bárbara do Clã da Garra Negra.
Sati se preparou para desviar, porém o grito do guerreiro Nor a desconcentrou:
__Termine o que você começou, garota! Não saia de onde você está!
O Verme Kumariano levantou o seu massivo corpo e fazendo um arco descendente, jogou a sua gigantesca boca em cima da pequena guerreira. Sati, paralisada de medo, reagiu automaticamente ao comando do guerreiro nor:
__AGORA! ROLE EM DIREÇÃO AO VERME E AGARRE A ESPADA, GAROTA!
Sem saber o que estava fazendo, Sati jogou o seu corpo para frente dando uma cambalhota no chão e levantou agarrando a espada que ainda estava cravada no torso do enorme verme, no momento em que este batia com sua boca no chão, atrás da jovem guerreira.
O monstruoso peso do verme fez com que a espada entrasse completamente dentro do corpo da criatura, chegando a atravessar até o outro lado. A inércia jogou Sati no chão, mas ela continuava segurando a espada. Desviando o corpo, Sati apoiou o cabo da espada no chão, enquanto o corpo nojento do verme escorregava pela gigantesca lâmina. Uma montanha de carne fedorenta e de sangue verde e pegajoso cobriu a jovem guerreira, chegando a quase sufocá-la. Curiosamente, o sangue verde do verme não a queimava, como tinha acontecido com o Necrophagi - apenas formigava onde tocava a sua pele. Segurando a espada, Sati tentava usar a lâmina para se libertar daquela prisão de carne, movimentando-a a esmo.
O Verme se retorcia de dor, tentando se libertar da espada que o empalava, mas os seus movimentos estavam ficando cada vez mais lentos. Tomada pelo nojo e pelo desespero por causa do sufocamento, Sati mexia com a lâmina de todas as formas possíveis, até que em um certo momento, algo no cabo da espada girou e ela começou a escutar o som de centenas de lâminas cortando a carne do verme. O monstro deu um grito gutural enquanto um jato de sangue verde saía do lado esquerdo da espada. O som das lâminas continuava forte e fazia a espada vibrar na mão da jovem guerreira.
Em questão de segundos a espada cortou o corpo do verme em duas partes e, livre da carne que a tinha prendido, Sati pode ver a origem do estranho som. Tirando a espada ela viu o que estava acontecendo: os dentes metálicos que estavam ao longo da parte de fora da espada corriam pela lâmina como mágica, desaparecendo em uma pequena abertura na parte superior e aparecendo em outra abertura na parte inferior do fio da lâmina.
Sati olhou para o Verme Kumariano, que depois de alguns espasmos finalmente morrera. Ela vencera a sua primeira batalha na superfície.
__Gostou, hein?__ disse o guerreiro Nor estendido no chão.
Sati virou assustada e deixou a arma cair, o que fez com que os dentes metálicos da espada parassem de correr no momento em que atingiu o chão. Ela tinha feito o impossível, tinha matado o gigantesco Verme Kumariano. Os Sefiras estavam olhando para ela.
O Necrophagi se aproximou, mancando de uma pata horrivelmente quebrada e gemendo baixinho. Quando ele viu que o seu dono estava vivo, se é que se pode falar assim sobre os Nors, a criatura manifestou alegria através de pequenos pulinhos e lambeu o rosto de Sir Deiphobus. Este passou a mão na cabeça da criatura e a afastou, procurando levantar o corpo com os braços. Suas pernas tinham sido arrancadas, e com um certo esforço, Sir Deiphobus conseguiu se sentar. Sati ainda pensava em como fugiria dali, quando o guerreiro exclamou:
__Não tenha medo, criança. O meu Necrophagi não irá fazer nada com você. Pelo seu jeito, você é um Shem Selvagem, provavelmente de algum Clã bárbaro do Submundo de Zohar, estou correto?
Sati apenas olhava para o guerreiro. Ela não podia ver bem o seu rosto, mas a pele branco-acinzentada lhe dava arrepios. E seus olhos negros de pupilas brancas olhavam fixamente para ela. O guerreiro continuou:
__Bem, deixe-me apresentar. Sou Sir Deiphobus Cordovero de Saphed, Capitão da Sexta Patrulha de Cavaleiros Matadeus de Yzael. E você, pequena Shem? Diga-me o seu nome, garota, não é sempre que tenho shems salvando a minha não-vida!
Sati olhou para o guerreiro e para o Necrophagi, que parecia aguardar ansioso a sua resposta. A criatura parecia sorrir por entre os enormes caninos metálicos de onde escorria um fio de baba negra. Ela estava completamente perdida mesmo. O que mais ela tinha a perder? O jeito seria tentar agradar esse Nor e esperar uma hora para fugir.
__Meu nome é Sati, senhor.
Sati poderia jurar que o Nor estava sorrindo sob o elmo negro:
__Sati...um belo nome...Significa “Verdade” não? É incrível como os Sefiras mantêm os idiomas dos bárbaros tão próximos ao nosso. Só deuses mesmo para fazer isso. Até me faz querer virar um carola crente como o meu amigo Sir Thamis. Mas sabe como é, Sati, vida de sacerdote de armadura não é para mim não. Adoro os prazeres da minha não-vida! Bem, sem fugir do assunto, Sati, preste atenção. Eu vou te dar o título de Devarim, é algo muito importante, viu?
Sati apenas olhava sem falar nada.
__Há! Menina, em Yzael, qualquer Shem mataria por um título desse, por uma honra desse tamanho! Mas como você é um bichinho-do-Submundo, eu te explico: você me salvou demonstrando uma grande valentia e ignorando o medo da morte que contamina a sua raça. Como reconhecimento, eu te dou o título de Devarim, ou seja, de minha protegida. Daqui por diante, nenhum outro Nor poderá exigir ter você como propriedade, você é agora de minha responsabilidade. Eu só tenho que... ughnnnn...
Sir Deiphobus se mexeu e segurou com suas duas mãos uma de suas coxas, no ponto onde a suas pernas foram amputadas. O sangue do Verme Kumariano ainda queimava a carne morta do Nor. Sir Deiphobus se virou para Sati e disse:
__Essa droga de sangue de primevo dói para caramba! Garota, pegue a Mutiladora e abra a barriga desse verme desgraçado, por favor...
Olhando para onde Sir Deiphobus estava apontando. A “Mutiladora” era a gigantesca espada de dois metros e meio que ela usara para matar o monstro. Sati, ainda nervosa com os acontecimentos, pegou a espada e a arrastou até o corpo do monstro. A “Mutiladora” parecia muito mais pesada agora, sem a Fúria do Clã da Garra Negra inundando o seu corpo. Assim que chegou perto do pedaço do verme onde ela imaginava ser a barriga, ela olhou interrogativamente para Sir Deiphobus.
Adivinhando o que ela estava pensando, ele disse:
__É aí mesmo, Sati. Encoste a espada, puxe uma pequena trava de segurança que tem no cabo e gire a empunhadura interna da “Mutiladora” três vezes para a direita.
Sati encostou a “Mutiladora” no torso do verme e fez como o Nor tinha mandado. A espada começou a vibrar e ela viu novamente os dentes da parte de fora da lâmina girarem percorrendo todo o fio. A espada rapidamente cortou a carne e uma enorme quantidade de víceras escorregou para fora do corpo do Verme Kumariano. Para o horror de Sati, duas pernas enormes, com enormes botas de metal e couro negros, escorregaram junto com as víceras. A jovem guerreira colocou a mão na boca para não vomitar. As pernas estavam cortadas na altura das coxas.
__Agüente firme, minha Devarim. Essas são as minhas pernas que esse desgraçado engoliu. Pelo visto você o matou antes que ele a digerisse...Tragam-nas para cá.
Sati largou a “Mutiladora” e puxou as duas pernas até onde Sir Deiphobus estava. Ele olhou as pernas com cuidado e disse:
__É, acho que vai dar para usar. Eu não gostaria de ter que esperar os Corporais dos Salões dos Corpos procurarem um Shem com pernas grandes o suficiente para mim. Já basta não ter mais nenhum braço original, e ter trocado minhas mãos por mais de cinco vezes. Tenho que me "restaurar" rapidamente antes que eu tenha que gastar muito para comprar novos membros.
Olhando a expressão de horror de Sati, Sir Deiphobus riu e completou:
__Hei, não se assuste com essas coisas, Devarim Sati. Os Nors usam muitos membros dos Shems como peças sobressalentes, quando o nosso corpo fica danificado ao extremo. Você não sabia disso? Eu nem mesmo conhecia esses Shems que me passaram seus membros, os Corporais são os que cuidam da colheita dos Shems. Nós apenas vamos aos Salões dos Corpos, pagamos uma nota e compramos os membros que precisamos. E pode ter certeza de que não eram boa gente, deviam ter sido ladrões, assassinos ou outra coisa terrível. É parte da Necropia a lei de que um Nor que receba um membro de um Shem jamais saiba a identidade de seu doador. Bem, agora vamos ver se ainda fico com as minhas pernas originais.E aprenda uma coisa, Sati, os Nors não se "curam", nós nos "restauramos...
Sir Deiphobus encaixou as duas pernas arrancadas na parte superior da suas coxas, como se estivesse montando um quebra cabeça com seu próprio corpo. Tirando um cristal negro do tamanho de uma maçã de um dos bolsos de seu cinturão de couro, ele o segurou em seu punho e o manteve em cima do local onde a sua perna arrancada e a sua coxa se encaixavam. Sati não falava nada, apenas observava com uma mistura de medo e curiosidade.
__Sati, é esse o seu nome mesmo? Bem, preste atenção para aprender algo importante sobre o mundo da superfície. Acredito que o seu Clã deve usar as Amratis, os Cristais Mágicos, não? Azuis para conservar a comida com o frio, vermelhos para acenderem fogos, etc.
Sati balançou a cabeça afirmativamente.
__Pois é, essa Amrati aqui é uma Amrati especial para os Nors. Essa é a Amrati Negra, o único Cristal Mágico que pode regenerar uma criatura não-viva. Preste atenção, pois se um dia eu precisar, eu quero que você faça o que estou fazendo agora.
Sir Deiphobus segurou a Amrati Negra e entoou uma espécie de mantra gutural:
__Ktonoooooooooooooooooooooooooooooooorrrrrrrrrrrrrrr...
Á medida que ele ia falando o mantra, a Amrati Negra começou a brilhar com uma luminosidade negro-púrpura e a se liquefazer. Sati podia ver que o líquido negro em que se transformara a Amrati continha milhares de vermes que nadavam um sobre os outros. Aquele líquido negro e pegajoso escorria pelas mãos de Sir Deiphobus e caía no vão entre a perna arrancada e a coxa amputada. No momento em que tocava a carne cinza do Nor, os vermes negros começavam a se entrelaçar e a completar a parte da carne que havia sido arrancada e perdida.
Sir Deiphobus fez o mesmo com a outra perna e com os profundos ferimentos que tinha pelo corpo. Os pequenos vermes negros do líquido se entrelaçavam e regeneravam a pele, deixando-a intacta, com apenas uma cicatriz esbranquiçada como uma recordação do ferimento.
Sati também observava que a aparência da pele do Nor ia melhorando à medida que os vermes do líquido da Amrati Negra iam fazendo os seus trabalhos de cura. Em segundos, não havia mais nenhuma indicação dos graves ferimentos que o Nor sofrera e as suas pernas estavam perfeitamente coladas ao seu corpo. Apenas cicatrizes esbranquiçadas marcavam o local dos ferimentos. Sir Deiphobus se levantou e observou as novas cicatrizes que acabara de ganhar, exclamando:
__Esse lance das cicatrizes é que precisa ser melhorado. Depois de mais de oitenta anos de existência estou virando uma cicatriz ambulante, ahahahaha!
Sati continuava calada. Ela estava impressionada, os Nors eram muito superiores aos vivos. Os Anciões da sua tribo estavam certos, os Sefiras os favorecem, os mortos são os favoritos dos deuses. Não havia nenhuma Amrati que ela conhecia que fazia isso com os vivos. Sir Deiphobus continuava falando:
__A droga é que a minha calça agora está com um corte onde aquele verme desgraçado me amputou. Mas deixa quieto, eu vou comprar uma nova para mim hoje, e para você também, Sati. Uma Devarim da família Cordovero tem que andar muito mais apresentável. Você está parecendo um bicho selvagem! Vamos, venha comigo.
__Mas, senhor, eu tenho que voltar para minha tribo...__murmurou Sati.
__Deixe de besteira, menina! Você não sabe onde você está? Esta floresta faz parte dos Campos de Caça de Yzael. Essa área está cheia de Caçadores de Shem, e acredite, você não vai querer cair nas mãos de um daqueles porcos mercenários. E mais, como minha Devarim, eu sou obrigado a cuidar da sua segurança. Deixe de besteiras e vamos para Yzael! Eu saí para tentar repor os escravos que a maldita da minha irmã matou, mas não esperava encontrar um Verme Kumariano tão próximo à capital do Reino. Tenho que reportar isso aos meus superiores e organizar uma expedição, pois esses monstros sempre andam em pares. Mas primeiro eu vou arrumar o nosso transporte.
Segurando Sati pelo braço, Sir Deiphobus andou até uma área perto de onde estava o cadáver do verme. No chão, ela viu o cadáver de um cavalo que parecia estar morto há muito tempo. O cavalo de pelos negros estava selado e pronto para ser cavalgado, porém em várias partes de seu corpo a carne estava aberta, expondo ossos e entranhas. O cavalo parecia morto. Parecia, porque no momento em que Sati se aproximou, a criatura abriu os olhos e emitiu um arremedo cadavérico de um relincho. Assustada, ela viu o cavalo morto mover a mandíbula semi-descarnada no reconhecimento de seu mestre, Sir Deiphobus.
__Espinhal, meu velho amigo, aquele monstro te pegou de jeito, hein?__ disse Sir Deiphobus, abaixando para acariciar o cavalo Nor. Rapidamente Sir Deiphobus tirou uma Amrati Negra do bolso e repetiu o procedimento que tinha feito para colar a suas pernas ao seu corpo. O líquido negro cheio de vermes escorreu das suas mãos depois que a Amrati se liquefez, correndo pelo corpo de Espinhal e regenerando os cortes feitos pelo Verme Kumariano. Em segundos, o cavalo se levantou e relinchou de gratidão, enquanto Sir Deiphobus acariciava a sua crina branca.
Subindo em Espinhal, Sir Deiphobus tomou as rédeas e estendeu a mão a Sati, dizendo:
__Olhe, não vou forçá-la, apesar de ter todo direito de fazer. Se você quiser ficar sozinha eu te deixo aí. Acho uma pena, desperdiçar uma Deravim para virar comida de Primevo ou presa dos Caçadores de Shem. Agora, se você decidir vir comigo, eu vou te mostrar um mundo que você nunca imaginou conhecer! Você vai ver que há muitas coisas interessantes além do seu mundinho escuro do Submundo! E o mais importante, você tem que vir comigo para fazer inveja a minha irmã. Ela nunca teve um Devarim na vida, e vai ficar possessa quando souber que eu arrumei um!
Sati olhou para Sir Deiphobus, que gargalhava para si mesmo, e depois olhou para a floresta. Ela jamais encontraria a entrada para o Submundo, ela nunca mais voltaria para sua tribo. E se voltasse, ela não saberia se seria aceita. Realmente não havia escolha. A garota agarrou a mão de Sir Deiphobus e este, em um movimento rápido, a colocou atrás de si. Sati agarrou o corpo enorme e forte de Sir Deiphobus enquanto ele puxava as rédeas de Espinhal.
__Para casa, Espinhal, e rápido! Já tivemos diversão o suficiente para hoje.
E assim foi Sati para uma nova vida, cavalgando sobre a morte.
Para ler o Capítulo 1 basta clicar nesse link: http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=1405
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Escrito por Newton “Nitro”
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Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.
| Enviado por
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| Hecatoncheires |
Publicado: 25/07/2004 03:31 Atualizado: 25/07/2004 03:31 |
Aprendiz   Usuário desde: 15/2/2004 Localidade: Rio de Janeiro Mensagens: 52 |
 Re: Almas Torturadas (cap III) interessante sua historia só acho que o vocabulario dessecavaleiro poderia ser melhorado..."esse lance das cicatrizes", "deixa quieto"... mesmo que voce queira fazer uma historia mais moderna cho q essas girias n ficariam bem para um nobre.. ainda mais um militar...
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| Nitro |
Publicado: 25/07/2004 15:15 Atualizado: 25/07/2004 15:15 |
Mestre do Jogo   Usuário desde: 30/9/2003 Localidade: Belo Horizonte Mensagens: 159 |
 Re: Almas Torturadas (cap III) Obrigado pelo comentário. Bem, Necropia é muito diferente dos outros mundos de fantasia. Um Cavaleiro Matadeus tem esse linguajar mais comum mesmo, eles são pouco mais que mercenários. Apenas a Nobreza Nor e os membros mais cultos da Corte de Yzael possuem um linguajar mais trabalhado. Os Cavaleiros Matadeus são os caçadores de Primevos, os montros ancestrais do passado de Necropia, e a vida em campanhas e na linha de frente da sociedade Necropiana acabou fazendo com que eles perdessem as "frescuras" da corte. Existe até em Necropia uma certa rivalidade entre os Cavaleiros Matadeus e os Paladinos Sefiróticos, os Paladinos Negros dos Sefiras. Estes sim, possuem um linguajar trabalhado e elegante, mas são considerados esnobes pelos Cavaleiros Matadeus. Isso ficará mais claro nos próximos episódios, quando Sir Deiphobus se encontrará com um velho amigo/rival Sir Thamis de Kether (um Paladino Sefirótico de Kether). Um abraço do Nitro www.nitro.blogger.com.br 
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| Maeglin |
Publicado: 26/07/2004 11:40 Atualizado: 26/07/2004 11:40 |
Escudeiro   Usuário desde: 26/6/2004 Localidade: Mensagens: 15 |
 Re: Almas Torturadas (cap III) Achei essa sua história deveras interessante, embora pareça meio improvável a aliança entre a shem e o nor, pois ela sabe que se ir com ele só poderá ser uma escrava. E ainda acabou de matar um verme kumariano, o que com certeza seria lhe daria grande prestígio frente sua tribo, ainda que tenha poucas esperanças de encontrá-la. Achei os desenhos dos papéis de parede muito bons, os outros parece que os links estão estragados, não está dando para entrar. Por acaso há previsão de algum cenário de campanh de Necropia?
Sem querer ser muito intrometido e sendo
Mateus
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| Nitro |
Publicado: 30/07/2004 07:22 Atualizado: 30/07/2004 07:22 |
Mestre do Jogo   Usuário desde: 30/9/2003 Localidade: Belo Horizonte Mensagens: 159 |
 Re: Almas Torturadas (cap III) + Wallpaper Obrigado pelo comentário. Bem, a Sati não sabe como voltar para casa e se ela fugir, o Necrophagi pega ela rapidinho. Assim ela não tem escolha, tem que ficar com o Sir Deiphobus. O Necropia D20 deverá sair em livro no ano que vem, aguarde! :) Nitro www.nitro.blogger.com.br
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