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Arca: Contos : Almas Torturadas (cap IV) + Ficha de Monstro
Enviado por RedeRPG em 08/08/2004 00:02:00 (2828 leituras) Notícias do mesmo autor
Arca: Contos

Por Newton "Nitro"
(Necropia / Avatar! RPG)
Equipe REDERPG

A jovem Sati continua sua jornada por Necropia, o mundo dos Mortos! No quarto episódio de “Almas Torturadas”, Sir Deiphobus e Sati se juntam à uma caravana de mercadores que segue em direção à Yzael, a capital de Zohar. Porém, no mundo violento de Necropia, uma simples viagem pode se transformar em uma carnificina! Confira nesse episódio escrito por Newton “Nitro”! Para manter a tradição, nesse episódio temos um brinde, a ficha e a ilustração de Fezistus, um Verminal ( um dos zumbis (ou Servos-Carniçais) usados pela elite morto-viva de Necropia como empregados). Fezistus é um dos personagens desse episódio!




Crônicas de Necropia:
"ALMAS TORTURADAS"
Cap.4 "A Caravana"

Escrito por Nitro (Newton Jr.)


A cavalgada pelos Campos de Caça de Yzael foi rápida, sem maiores incidentes. Sir Deiphobus explicava para Sati, que ia agarrada na garupa de seu cavalo, que ele conhecia muito bem as trilhas seguras dos Campos de Caça, longe de plantas assassinas, predadores monstruosos e elementais assassinos. O Cavaleiro Matadeus explicava a Sati que as florestas de Ereth eram parte do plano de vingança dos Sefiras com todas as criaturas vivas, e seus habitantes não toleram nenhum intruso, mesmo se forem não-vivos. Sati apenas escutava calada, procurando aprender tudo que ouvia. Ela tinha passado toda a sua vida no Submundo, o mundo subterrâneo de Ereth, e não sabia praticamente nada sobre a Superfície. O Necrophagi os seguia de perto, hora passando na frente do cavalo-carniçal Espinhal, hora passando para trás. A criatura já tinha parado de rosnar com ciúmes para Sati e parecia estar se afeiçoando dela. Ou imaginando como seria o sabor da carne da pequena Shem.

Depois de três horas de cavalgada, os três chegaram a uma enorme estrada de pedra.

__Olhe, pequena Shem. Esta é a Estrada Shaid-kalom ou em linguagem comum, a Estrada Gloriosa. É uma das grandes maravilhas que os mortos deram para esse mundo. Essa estrada foi feita por cima das pegadas deixadas pela Legião Imortal de Lorde Thaumiel durante a Marcha da Libertação...Ela circunda todas as dez regiões em torno do Cinturão das Montanhas Orgs e...Ei, eu estou te chateando com essa história, não?

Sati, que estava na garupa de Espinhal, se esforçando para não cair do cavalo morto-vivo, tentou responder educadamente:

__N-não senhor...E-eu estava olhando as pedras da estrada. Elas são negras e tão polidas e parecem ser muito pesadas...Foi feita com o trabalho de escravos vivos, senhor?

Sir Deiphobus sorriu, enquanto saia floresta para entrar na Estrada da Vitória. A estrada estava cheia, como sempre estava principalmente à esta distância de Yzael. O guerreiro nor procurou achar um lugar atrás de uma enorme carroça de escravos Shem humanos e ravidianos, que se acotovelavam na jaula puxada por um gigantesco Besouro Nithiano, conduzido por um mercador Nor Altkuthiano, que pela vestimenta, parecia vir de Tanir, da montanhosa nação de Yavehir. Ao seu lado, caravanas de mercadores de Yzael passavam com seus carregamentos de partes corporais, deliciosos vermes khols e aves natimortas nirodhinas para os Nors, comida e mantimentos para os Shem, tecidos e tapetes yzaelianos para serem vendidos nas cidades litorâneas do sul de Zohar, prostitutas nithianas para os bordéis de Messalina, entre outras. Virando-se para Sati, Sir Deiphobus respondeu:

__A Estrada Gloriosa foi feita em homenagem à vitória de Lorde Thaumiel sobre os Primevos, e foi um presente dos Alkuthianos e dos Nithianos ao nosso imperador. Ela é mágica, as obsidianas que a compõe foram tratadas alquimicamente para serem indestrutíveis. Há um velho ditado que diz assim: “Mesmo que o Tempo termine, a Estrada Gloriosa vai permanecer e ser usada pelos senhores da realidade”.

Sati olhou para os carregamentos que via. À cerca de duas carroças à frente, ela podia ver uma enorme jaula com cerca de dez indivíduos amontoados. Eram todos Shem, cobertos de sujeira e sangue, e vestindo trapos imundos. A jaula estava sobre uma enorme carroça e o seu peso fazia com que as enormes rodas de metal rugissem um lamento altíssimo, que se somava aos sons vindos das outras carroças que enchiam a Estrada Gloriosa. Ela estava sendo puxada pelo maior besouro negro gigante que ela já vira. O mercador, um Nor obeso sentado ao lado do condutor do besouro, olhava para trás de tempos em tempos, como se quisesse conferir a carga que estava levando. Apesar de estar de costas, Sati podia perceber que o condutor parecia ter antenas! Sua atenção voltou para a jaula de escravos, que era protegida por dois enormes guerreiros a cavalo.

Não eram apenas humanos que estavam dentro da imunda jaula. Para seu assombro, Sati podia ver que entre os humanos, estavam uma criatura de pequena estatura, com ossos saindo de uma pele escamosa como a de um crocodilo do Submundo. A criatura, apesar de atarracada, parecia muito forte, mas estava completamente acorrentada ao chão da jaula. Ao seu lado, cheio de enormes feridas abertas, estava outra criatura estranha; era enorme, com cerca de dois metros e meio de altura e ao invés de um rosto, ele tinha uma espécie de máscara, onde não se podia ver o seu nariz. Mas o que realmente assombrou Sati foi o fato de que a enorme e musculosa criatura possuía lâminas saindo da cabeça e dos cotovelos. Inclusive, com o sacolejar da jaula, os demais escravos faziam de tudo para não serem jogados contra as enormes lâminas que saiam dos cotovelos da criatura. Esta estava presa com correntes ainda maiores do que as da pequena criatura com ossos e pele pedregosa. Sati continuava olhando quando percebeu que a enorme criatura a olhava de volta.

__Ele é um Mordenkai, Sati, a raça principal da nação de Ghimel. Mordenkais selvagens são difíceis de capturar pois a maioria são considerados Gentios pelo Rei Magnakai e não existem muitos Mordenkais selvagens em Zohar.

__Gentios?__ indagou Sati.

__Shems que são livres, que não possuem nenhum dono Nor. São considerados cidadãos de segunda classe nas Necrópoles, mas ultimamente muitos gentios tem alcançado altas posições dentro da sociedade. Mas não se preocupe Sati, ser uma Devarim é muito melhor. A vida dos vivos é muito dura em uma cidade dos mortos.

Um dos cavaleiros que escoltava a jaula olhou para o Mordenkai, deu-lhe um safanão com o chicote de metal que carregava, que fez com que a enorme criatura urrasse. O Mordenkai se afastou das grades com ódio, esmagando um dos humanos miseráveis nas grades da jaula. O guarda-costas que o tinha castigado, olhou para trás, procurando ver o que tinha atraído a atenção do Mordenkai e seus olhos pousaram em Sati. A garota olhou para o guarda-costas, um enorme guerreiro Nor, vestindo uma armadura de couro negra cheia de placas de metal, com dois crânios cravados de espetos de aço servindo de ombreiras. O guerreiro estava usando uma máscara prateada que cobria os olhos e o seu nariz, deixando uma boca descarnada e pálida descoberta. Os dentes negros como a obsidiana do Submundo apareceram reluzentes, quando o guarda-costas sorriu. Ele gritou algo para o seu parceiro e se aproximou à cavalo de onde estavam Sati e Sir Deiphobus.

__Que bela carne-viva!__ disse para Sir Deiphobus se referindo a Sati__ Ela é de sua propriedade ou você achou no meio do caminho?

Sir Deiphobus, mantendo Espinhal dentro do ritmo da caravana, respondeu laconicamente:

__Sim, ela é minha. Agora vá embora.

O guerreiro puxou o seu cavalo com força, fazendo-o relinchar. Era um cavalo-carniçal como Espinhal, mas parecia mais novo, mais vivo. O guarda-costas continuou:

__Calma aí, cara. Eu não vou roubar essa carne-viva de você...Não se ela for sua, camarada...Ela já tem marca de escrava, não?

Sati,sentada na garupa de Espinhal, sentiu todos os músculos de Sir Deiphobus se retesarem, pouco antes dele responder:

__Ainda não, e ela não é a minha escrava, é minha Devarim.

O guarda-costas olhou para Sir Deiphobus surpreso. Ele era um Nor enorme, quase do tamanho de Sir Deiphobus, e tinha uma grande espada nas costas, com duas lâminas paralelas que se entrecruzavam como serpentes de metal. Sati podia ver as várias placas de metal cravadas no corpo do Nor e pequenas lâminas saindo dos nós de seus dedos. As palavras do ancião sobre os costumes dos Nors vieram a sua mente nesse momento. Ela recordava vagamente informações sobre os rituais de Modificação Corporal dos Nors. Como os não-vivos eram incapazes de sentir dor (sofrendo apenas com fogo e com as garras e o sangue dos Primevos) eles criaram toda uma cultura de colocar metais por todo o corpo. Isso aumentava a letalidade do guerreiro e a sua superioridade perante aos Shems. Os mortos eram apaixonados com os metais.

Repentinamente, o guarda-costas estendeu a sua mão e agarrou o queixo de Sati. Ela sentiu o toque áspero e frio do Nor e suprimiu um grito. O guerreiro riu e disse:

__Há! Eu não vou deixar passar uma carne-viva dessa qualidade! Sem marca, purinha, novinha...

Sir Deiphobus girou o braço e bateu com violência na mão do guarda-costas, fazendo-o soltar o queixo de Sati.

__Não toque nela, seu verme desprezível! Caçadores de Escravos são a ralé da Necrópole! Idiota, você não sabe com quem está se metendo? Sou Sir Deiphobus, Capitão da Sexta Patrulha de Cavaleiros Matadeus de Yzael!

O guarda costas sorriu e Sati podia sentir os olhos negros do guerreiro brilhando por trás da máscara. Virando-se para Sir Deiphobus, ele retrucou:

__ Se é assim, eu te desafio para um Shem-Athor! Um cavaleiro tão honrado não pode negar um desafio para decidir a posse de um Shem sem dono e...

SLASHHHHHH! Uma chuva de sangue negro borrifou o rosto de Sati no momento em que a cabeça do guarda costas caía para trás. Sir Deiphobus estava com a Mutiladora desembainhada, e o seu braço estava parado no final do movimento de decapitação que fizera. Girando rapidamente a enorme espada para tirar o sangue negro que a sujava, Sir Deiphobus guardou a Mutiladora no suporte de ferro preso às suas costas.

O corpo do Guarda Costas ainda agarrava com força as rédeas do seu cavalo, tremendo à medida que ia perdendo sangue. Alguns segundos depois, o corpo escorregou para o chão, e o cavalo-carniçal, vendo o seu dono completamente mutilado correu rapidamente de volta à carroça de escravos, levando o corpo e deixando a cabeça de seu dono para trás.

O outro guarda costas olhou para Sir Deiphobus e tirou um enorme machado de suas costas. Sir Deiphobus gritou:

__Você tem duas escolhas, verme! Ou você me ataca ou recupera a cabeça do seu amigo enquanto ele ainda tem chance de ser restaurado! Vamos, o que vai ser, cão mercador?

O guerreiro com o enorme machado olhou para Sir Deiphobus e para a cabeça de seu companheiro. Era um Ravidiano Nor, cujas feições bestiais, como a de uma fera das florestas contrastavam com o olhar morto e o tom cadavérico do grosso pêlo que cobria a sua face. Um pêlo cinzento e negro que também aparecia nas aberturas da sua armadura corporal, com certeza feita de escamas de Férrios, os enormes lagartos metálicos das montanhas do norte de Zohar.

O Ravidiano grunhiu, deixando mostrar suas enormes presas. Chicoteando o seu cavalo-carniçal com violência e partiu em direção ao Sir Deiphobus que pensou, enquanto destravava novamente a Mutiladora de suas costas:
"É inútil apelar para a razão de um Ravidiano".

__Segure bem forte na minha cintura, Sati! Vai ser um tranco daqueles!__gritou Sir Deiphobus, enquanto posicionava a Mutiladora para receber o ataque do homem-fera não-vivo. O Ravidiano vinha em carga total, controlando seu cavalo-carniçal com suas pernas e liberando os dois braços para dar o golpe com seu enorme machado de ferro. Era uma das técnicas mais conhecidas e temidas dos Ravidianos, e fazia com que os homens-fera fossem temidos pelos soldados comuns. Porém Sir Deiphobus não era um soldado comum de Zohar. O Cavaleiro Matadeus conhecia o ponto fraco dessa técnica.

O trunfo dos Ravidianos no combate à cavalo com duas mãos, era acertar o inimigo com velocidade e força, além de dar a possibilidade do atacante se esquivar ou se defender de um ataque. Como os Ravidianos são excelentes cavaleiros, a velocidade com que eles chegam no inimigo faz a diferença. Porém, à cerca de seis anos atrás, Sir Deiphobus tinha conhecido um velho mercenário Ravidiano Shem, que, em retribuição à ter tido a sua vida salva de um ataque de Devoradores de Ossos, contou para o Cavaleiro o principal problema dessa técnica: o atacante dependia muito do cavalo.

__Necrophagi! Pega!__ ordenou Sir Deiphobus para o seu companheiro de caça. A criatura soltou um uivo por entre as suas enormes presas e partiu como um raio em direção ao Ravidiano Nor. O homem-fera, pego de surpresa, ainda tentou desviar o seu cavalo-carniçal do ataque da criatura, mas o Necrophagi foi mais rápido, arrancando com suas presas a pernas esquerda posterior da montaria do Ravidiano. Com a velocidade em que estava, o cavalo-carniçal caiu para frente, lançando o Ravidiano ao ar em direção à Sir Deiphobus.

Sorrindo, Sir Deiphobus segurou a Mutiladora com suas duas mãos, acionou as lâminas deslizantes, e como se estivesse jogando uma partida de Necrobol, acertou o abdômen do Ravidiano no momento em que este passava voando ao seu lado. A parte superior do Ravidiano caiu no chão verticalmente, dando uma cambalhota para trás. A parte inferior, cortada na altura da cintura, foi parar bem atrás de onde estavam Sir Deiphobus, Sati e Espinhal, sendo amassada pelos pés de um enorme Necrofante com um carregamento de tapetes Nithianos, que nem percebeu o estilhaçar de ossos sob os seus pés.

Sati olhava assombrada. Sir Deiphobus tinha derrotado dois guerreiros Nors sem um mínimo de esforço. Ela já tinha presenciado o massacre feito por um desses Nors em todo um grupo de caçadores do Clã da Garra Negra. O único sobrevivente, encontrado sem braços em meio à pilha de corpos de guerreiros da vila, narrou horrorizado, como um único Não-Vivo executou todo um grupo de dez guerreiros, que tinham se arriscado a subir na superfície. Ela se lembrava do modo como o sobrevivente descrevera a insensibilidade do Nor para com os ataques dos guerreiros, de como mesmo com várias espadas cravadas em seu tronco, o não-vivo foi matando seus companheiros. E agora ela acabou de presenciar dois Nors sendo executado em segundos! Sati tremeu. Ela jamais conseguiria escapar de Sir Deiphobus.

Dando um pequeno puxão nas rédeas de Espinhal, enquanto observava o seu Necrofagi devorando o corpo do cavalo-carniçal do Ravidiano, Sir Deiphobus cavalgou até a carroça de seus atacantes, onde estava a enorme jaula dos escravos. A carroça estava sendo conduzida por um gordo Servo-carniçal, que parecia ignorar a perda de seus dois acompanhantes Nors. O servo era baixo porém corpulento; usava os trajes característicos dos mercadores, com calças vermelhas largas e presas na altura dos tornozelos, uma grande faixa de couro prendendo a calça na enorme barriga e uma pequena jaqueta sem mangas por cima do pálido e gordo tronco. Servos-carniçais raramente usavam armaduras, principalmente se tivessem poderes especiais, dados pelos Necromantes. Com certa cautela, Sir Deiphobus se dirigiu para o obeso-servo, colocou o fio da Mutiladora embaixo do queixo do carniçal e disse:

__Você também vai me torrar a paciência?

O condutor do carregamento de escravos virou os seus olhos brancos e mortos para Sir Deiphobus. O carniçal estava com metade do seu rosto cadavérico coberto com pústulas negras, de onde vez ou outra, saia um pequeno verme, que ficava passeando por toda a sua face. Era um Verminal, uma das Famílias de Servos-Carniçais mais difíceis de matar. Um Verminal tinha a parte interna de seu corpo repleta de vermes Rolths. Tais servos-carniçais podiam soltar jatos desses vermes devoradores de carne como um meio de auto-defesa, mas Sir Deiphobis sempre suspeitara que podiam fazer mais do que isso. E o Cavaleiro Matadeus sabia uma outra coisa, muito mais importante do que isso: Verminais eram caros, muito caros.

__Senhor__ respondeu o Verminal, enquanto um pequeno Verme Rolth saía de uma pústula de sua bochecha esquerda para entrar na sua narina direita__ este carregamento é propriedade da Guilda de Abraxas, senhor. Lamento pelo inconveniente causado pelos guarda-escravos, garanto que se me acompanhar até Yzael no lugar deles, o Mestre Abraxas irá indenizá-lo pela perturbação.

Sir Deiphobus riu alto, e Sati, na garupa, viu que o gordo Verminal tremeu de medo. Então Sir Deiphobus falou, encostando a lâmina da Mutiladora no queixo do obeso servo-carniçal:

__Escute aqui, o saco de verme! Esses dois imbecis estavam à serviço da miserável guilda de Abraxas quando me atacaram sem nenhuma provocação. E dentro dessa sua cabeça cheia de minhocas, você sabe muito bem que de acordo com as Leis da Necropia, eu ganhei o direito de compra desses escravos. E por acaso, estou eu estou mesmo precisando repor minhas reservas de escravos. Vou ficar com estes mesmo, apesar de estarem em péssimas condições. E assim que você chegar em Yzael, pode falar com o seus mestres para acertarem o preço com o Barão Ferthus, meu pai.

__O s-senhor é fi-filho do Barão Ferthus? Um-m-m dos comandantes originais da-da Legião Imortal?__gaguejou de medo o gordo verminal.

__Isso mesmo. Como você chama, saco-de-verme?

__Meu nome é Fezistus, senhor.

__Um nome feio para uma coisa feia como você.__e virando-se para Sati, Sir Deiphobus disse__ Minha cara Devarim, acho que vai ficar mais confortável para você ir na carroça. Fique desse lado, pois assim você fica contra o vento e não vai ficar sentido o fedor dessa coisa gorda. Eu vou ficar acompanhando vocês de perto. Espinhal fica muito ansioso depois de ficar marchando no ritmo lento dos animais das caravanas de mercadores, assim eu tenho que dar umas corridas com ele, de vez em quando. Se bem que o ataque daqueles idiotas já foi um bom exercício, há!

Sati obedeceu, com um misto de medo com admiração. Lá estava ela, em meio aos mortos, em meio aos seres de quem ouvira muitas histórias horrendas. Quando estava no Submundo, na tribo da Garra Negra, ela sempre imaginara os Nors como monstros sangrentos como os antigos demônios primevos das lendas. Mas Sir Deiphobus era diferente do que ela tinha imaginado. Os Nors eram como os vivos, com os mesmos sentimentos e sonhos. Era verdade que eram cruéis, que desprezavam os vivos, mas estavam muito longe de serem as criaturas irracionais das histórias que ouvira na infância. Porém, Sati não conseguia tirar o medo que sentia de Sir Deiphobus de seu coração. Ele era um Nor, um inimigo da Vida.

Enquanto Sati refletia à medida que a carroça ia seguindo em direção à Yzael em um lento balançar, na jaula de escravos que ia sendo arrastada lentamente, o gigantesco mordenkai observava a jovem bárbara.

(CONTINUA)

Para ler o Capítulo 1 basta clicar nesse link:
http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=1405

Para ler o Capítulo 2 basta clicar nesse link:
http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=1496

Para ler o Capítulo 3 basta clicar nesse link:
http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=1574


VERMINAL
Morto-vivo Médio

Dados de Vida: 6d6 +20 (48 PV)
Iniciativa: +0
Deslocamento: 9 m (6 quadrados; não pode correr)
CA: 16 (+6 natural), toque 10, indefeso 16
Bônus de Ataque/Agarrar: +4/+7
Ataques: Corpo-a-corpo: Maça-estrela +8 (1d8+4), mordida +6 (1d6+4); À distância: ataque de vermes + 6 (9 m)
Ataque Total: Corpo-a-corpo: 2 ataques de maça-estrela +10/+4 (1d8+3) ou duas mordidas +8/+3 (1d6+3);
Face/Alcance: 1,5 m / 1,5 m (1 quadrado)
Ataques Especiais: Ataque de Vermes,
Qualidades Especiais: redução de dano 10/cortante, visão no escuro 18 metros, traços de morto-vivo
Testes de Resistência: For +4, Ref +2, Von +5
Habilidades: FOR 20, DES 10, CON -, INT 16, SAB 10, CAR 1
Perícias: -
Talentos: Negociador, Fortitude Maior
Terreno/Clima: Qualquer
Organização: Qualquer
Nível de Desafio: ND 4
Tesouro: Nenhum
Alinhamento: Sempre Neutro e Mau
Avanço: 8-13 DV (Grande); 13-18 PV (Enorme)
Ajuste de nível: -

O mercador saiu de dentro de sua carroça. Vermes saíam de buracos em sua face, e ele tinha uma aparência obesa. A pele, pálida e manchada como a dos mortos vivos, parecia ter milhares de vermes andando por baixo de sua superfície, o que criava um leve ondular nauseante. Tudo isso indicava a Família daquele Servo-Carniça: era um Verminal, os zumbis mercadores de Necropia.

Os Verminais são zumbis inteligentes (os servos-carniçais de Necropia) especializados em comércio. São muito utilizados pelos Lordes Comerciantes das necrópoles de Necropia, e são especialmente selecionados entre os mortais que tem talento para o comércio. O Ritual de Transformação, realizado pelos Senhores da Morte nas necrópoles envolve a retirada dos órgãos vitais enquanto a vítima ainda está viva, e a colocação de vermes kholts, vermes morto-vivos que devoram o resto da carne e dos músculos da vítima, transformando-a em um Verminal. A alma da vítima é transformada e acaba se mesclando com a consciência dos vermes, criando um novo ser, cheio de ganância e malícia, e ansioso para agradar seus mestres comerciantes.

Os Verminais são usados pelos Lordes Comerciantes nas Caravanas de Comércio, nos Leilões de Mortais, em Lojas de Órgãos, entre outras tarefas do cotidiano de Necropia.

COMBATE
Apesar de raramente entrar em combate devido a sua já legendária covardia, os Verminais sabem se defender muito bem. Quando em combate, eles procuram se aproximar ao máximo de sua vítima e realizar o Ataque de Vermes, procurando vencer o seu inimigo o mais rápido possível.

Ataque de Vermes:
Três vezes por dia o Verminal abre a sua boca , esticando- á em até 1 metro (o que leva uma rodada para fazer) e dispara um jato de vermes cinza-amarelados em direção ao seu alvo. A distância máxima desse atáque é de 9 metros (ou 6 quadrados, ataque de toque à distância) Se o alvo falhar em um teste de fortitude (ND 18) ficará atordoado (larga qualquer coisa que estiver segurando, sofre –2 de penalidade no seu CA e perde o seu bônus de Destreza) com as náuseas provocadas pelo veneno por 1d6 rodadas. Além disso, os vermes khol começam a devorar em todas as partes que não estejam cobertas por metal, causando 1d6 de dano por rodada. Os vermes ficam cerca de 1d4 rodadas em cima do alvo antes de saírem e retornarem para o Verminal. O Verminal tem que aguardar o retorno dos vermes khol para fazer outro Ataque de Vermes.

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Enviado por Tópico
Hecatoncheires
Publicado: 08/08/2004 05:11  Atualizado: 08/08/2004 05:11
Aprendiz
Usuário desde: 15/2/2004
Localidade: Rio de Janeiro
Mensagens: 52
 Re: Almas Torturadas (cap III) + Ficha de Monstro
Parabéns pela história, esse capitulo foi o melhor até agora na minha opinião.Porquê vc não faz um Modelo desses Verminais? Eu acho q todo Morto-Vivo deveria ser um Modelo já q eles eram alguma coisa diferente antes d morer não é?
Nitro
Publicado: 08/08/2004 10:24  Atualizado: 08/08/2004 10:24
Mestre do Jogo
Usuário desde: 30/9/2003
Localidade: Belo Horizonte
Mensagens: 159
 Re: Almas Torturadas (cap III) + Ficha de Monstro
Obrigado pelo comentário. Quanto ao Modelo, gostei da sugestão e vou fazer rapidinho! Valeu!

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