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Arca: Contos : Almas Torturadas (cap V) + Wallpaper
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| Enviado por RedeRPG em 22/08/2004 00:02:00 (3247 leituras) Notícias do mesmo autor |
 
Nesse episódio conhecemos Verótika, a perigosa e sedutora irmã de Sir Deiphobus. Verótika é a capitã do time dos Degoladores de Yzael, o atual campeão nacional do esporte favorito do Mundo dos Mortos, o Necrobol. Estamos à uma semana da grande final entre os Degoladores de Yzael e os Mutiladores de Messalina, uma final que promete ser uma revanche do último jogo do campeonato anterior (que pode ser lido no conto “Um Samurai em Necropia, publicado na D20 Saga Número 4, já nas bancas!). Porém, Verótika se vê com um problema em seu time: existe um traidor entre os jogadores! Saiba mais nesse episódio de “Almas Torturadas”, que conta com a participação especial do principal personagem do conto “Um Samurai em Necropia” (D20 Saga Nº 4), o ex-samurai Katsuchiyo!
Completando o episódio, temos mais um wallpaper de Necropia: dessa vez é Verótika, com sua beleza assassina. E visite o nosso site oficial do cenário, no link: http://planeta.terra.com.br/lazer/necropia
Crônicas de Necropia: "ALMAS TORTURADAS" Cap.5 "Verótika"
Escrito por Nitro (Newton Jr.)
Verótika Codorvero olhava ao redor, segurando o cálice de vinho sanguíneo displicentemente. Os nors não necessitavam do sangue dos vivos para se alimentarem, como a escória vampírica do reino negro de Daol. Porém, o vinho nor feito do sangue dos mortais proporcionava aos não-vivos um prazer peculiar. Era por isso que Verótika tinha convencido seu pai, o temível Barão Ferthus, a comprar uma das mais produtivas necrovinícolas do norte de Zohar, no vale do rio Theras. E aquele era um vinho sanguíneo da melhor qualidade, um Narcose Ivingnon do ano de 932 d.k., feito exclusivamente com crianças mortais de até oito anos de vida, importado das longínquas terras de Kirath, na planície Ivingnon.
“O velho sempre teve bom gosto”, pensou Verótika, referindo-se a seu pai, enquanto observava o reflexo de seus convidados na superfície da taça pontiaguda feita de cristal e ouro.
A enorme mesa de jantar metálica da mansão dos Cordorveros estava repleta de iguarias para os não-vivos. Verótika sabia ser uma boa anfitriã; herdara o talento de sua mãe. Apesar de terem se passado mais de trinta anos desde que sua mãe fora queimada em um ataque terrorista shem, Verótika lembrava muito bem dos conselhos de Lady Ezra: “mantenha sempre os copos cheios e os rostos sorrindo; assim suas reuniões sociais serão um sucesso”. E era isso que ela estava fazendo.
A política determinava a vida ou a morte dentro de uma sociedade violenta como a da necrópole de Yzael. E com a proximidade da final contra os Mutiladores de Messalina, ela tinha que ter certeza que o seu time de Necrobol, os Degoladores de Yzael, estava completamente unido. Era muito comum ocorrerem subornos e traições no período que antecede a final, mas ela tinha certeza que todos os demais jogadores eram fiéis à sua liderança do time. Uma certeza que tinha que ser testada, pois fidelidade é algo que não se deve tomar como garantida, mesmo dentro das leis férreas da Necropia, a Utopia dos Mortos.
Em torno da gigantesca mesa de mármore negro estavam os mais violentos e poderosos jogadores de necrobol de Yzael. Todo o time estava lá, menos a barreira, é claro. Um time de necrobol é formado por seis jogadores nors (quatro atacantes, o Carregador - um nor modificado pelos Modeladores da Carne para terem pernas absurdamente deformadas e fortes, e o Goleiro - um nor monstruoso, que pode ser um gigante Mordenkai ou um Ravidiano com o tamanho aumentado pelos Modeladores de Carne) e mais a Barreira (um grupo de dez escravos shems, que são colocados sem nenhuma armadura e com armas ridículas para atrasar um pouco os temíveis atacantes Nors). O jogo, a diversão mais popular das necrópoles de todo o continente de Yetzirah, é relativamente simples: dois times dentro de uma arena de 100 metros de diâmetro tem que jogar a Bola de Espinhos (uma esfera de metal com um metro e meio de diâmetro e que pesa oitenta quilos) dentro de um dos dois gols situados em dois pontos extremos da arena - um para o time adversário e um para o time da casa. A Bola de Espinhos é colocada no centro do Labirinto da Agonia, uma enorme construção no centro da arena, repleta de armadilhas, monstros e barreiras com o propósito de atrasarem os dois times. Assim que os jogadores tomam a bola, seu time se dirige ao gol adversário protegendo o Carregador, destroçando a Barreira e partindo para cima do gol, tendo apenas o Goleiro para fazer a última defesa. Um único gol termina a partida, que é normalmente sangrenta. Verótika se gabava de não ter perdido nenhum atacante na última temporada. Até mesmo os shems da Barreira dos Degoladores de Yzael estavam intactos; havia três partidas que nenhum time adversário tinha sequer tentado fazer gol. Mas havia um problema, e Verótika iria resolvê-lo esta noite.
Todos os Degoladores estavam presentes (com exceção dos membros da Barreira, que ficavam nas senzalas da sede dos Degoladores de Yzael). Issur, o Carregador, entornava garrafas e mais garrafas do vinho sanguíneo em sua boca gigantesca. Ele não estava sentado: suas pernas muito longas não permitiam isso. Porém Issur se equilibrava nelas de modo a ficar no mesmo nível da mesa que os demais, o que lhe dava o aspecto de um gigantesco grilo, se as pernas de um grilo fossem repletas de feixes de músculos poderosíssimos e cobertas por placas de metal manchadas de sangue.
O banquete, servido por Odda, a velha serva-carniçal da mansão dos Codorveros, estava magnífico. Vários pratos nors, feitos com vermes khols, doces feitos das maçãs negras de Ghimel, e tortas ao estilo de Messalina, entre outras iguarias para os mortos, eram oferecidos aos jogadores. O que mais chamava atenção era o prato principal, um enorme porco tariniano, ainda quente por ter sido recém-abatido antes de ir para a mesa. Os Nors não necessitavam de alimentação (pelo menos os que não eram tomados pela Fome Canibal, uma doença que estava se espalhando nos reinos do sul de Zohar), porém comiam pelo prazer dos sentidos, e gostavam principalmente de animais recém-mortos, para poderem sentir o calor da vida ainda presente nos músculos e nas entranhas de suas presas.
Keshet, um dos atacantes, observava tudo silenciosamente, partindo a carne sangrenta do caro porco-selvagem tariniano que Verótika mandara preparar. Keshet era um nor do norte de Zohar, vindo de Nevron, e usava seu longo cabelo trançado no estilo do norte. Keshet já havia sido amante de Verótika à muitas décadas anteriores quando ainda eram novatos dentro do Degoladores de Yzael. Entretanto, quando Verótika descobriu que ele a traía constantemente com algumas fãs do time, o romance acabou em uma seqüência de eventos violentos que Keshet preferiu esquecer. Os dois eram agora apenas bons amigos, mas o nevroniano sempre mantinha uma distância respeitosa frente à capitã do time.
Verotika pediu que Odda sacrificasse o porco tariniano para essa ocasião: era uma iguaria muito cara e certamente seu pai, o Barão Ferthus, se estivesse presente, não teria aprovado a despesa. E o chato do seu irmão mais novo, Sir Deiphobus, estava fora de casa à cerca de dois dias. Verótika sorriu, ela adorava ter a mansão dos Codorveros só para si. Porém, ao ver Keshet tenso, comendo os pedaços sangrentos do porco tariniano vagarosamente, a capitã dos Degoladores de Yzael se concentrou novamente do que tinha que fazer.
“Keshet desconfia de algo”, pensou Verótika, enquanto passava seus belos lábios negros pela borda do cálice de vinho sanguíneo que estava em sua mão. Ela olhou para Malachi, outro de seus atacantes, que estava todo falante, contando uma piada para Issur, o Carregador, e o gigantesco mordenkai Shifrah, o goleiro dos Degoladores de Yzael. Malachi, que estava com sua costumeira roupa de couro negra, com vários fios de aço entrecruzados em sua pele, e com chifres feitos de aço formando uma crista em sua cabeça deformada, já estava sob os efeitos inebriantes do vinho sanguíneo:
__Qual é a coisa mais nojenta que pode ser encontrada no meio das roupas de um shem? Não? E você, Shifrah, sabe? Não? Pois eu conto - o próprio shem!!! AHAHAHAHAHAHA! Eu odeio os vivos!!! AHAHAHAHAHAHA!
Malachi gritava, enquanto batia no braço de Shifrah, que resmungou ao ver um pouco do vinho sanguíneo de sua enorme caneca de ferro (o único tipo de copo que não se espatifava nas mãos do nor Mordenkai) cair na mesa de mármore negro. Verótika apertou os olhos em reprovação e olhou para a silenciosa figura que estava na frente de Malachi, a revelação dessa temporada de necrobol: Katsuchyo.
Katsuchiyo não tocava na comida. O ex-samurai de Kriptus, convertido em nor no ano anterior (1103 d.k.) após sua lendária perfomance na final contra os Mutiladores de Messalina, quase nunca falava. Na verdade, seus momentos de relaxamento se resumiam àqueles em que lutava nas partidas de Necrobol. Era a estrela atual do time, rivalizando em popularidade com Verótika.
Porém, apenas comparecia nos eventos sociais à pedido de Verótika. Se fosse pela vontade de Katsuchiyo, ele desprezaria as festas oferecidas pelos Mercadores após os jogos, os bailes da Corte Real e dos Duques e as cerimônias religiosas realizadas pelos Sumos Sacerdotes das principais religiões de Zohar. O ex-samurai preferia ficar em seu pequeno quarto monástico dentro da sede dos Degoladores de Yzael, treinando exaustivamente os movimentos mortais que levavam ao delírio as multidões de mortos-vivos das necrópoles. Seu treinamento obsessivo, com o que procura compensar o fato de ter tido sua cabeça implantada no corpo do seu maior inimigo, levou Katsuchiyo a se tornar um dos mais mortíferos jogadores da temporada mundial de necrobol, do ano de 1104 d.k.. Sua velha amiga, a espada Kumarblade dada por Verótika, estava em suas costas; como um tubarão descansando entre uma matança e outra.
Verótika olhou para Katsuchiyo e o ex-samurai respondeu com outro olhar. “Isto já está se prolongando demais”, pensou Verótika. A líder dos Degoladores de Yzael levantou e elevou seu cálice de cristal cheio de vinho sanguíneo, propondo um brinde:
__Agora, meus Degoladores, vamos fazer um brinde ao nosso sucesso na próxima partida!
Todos os demais jogadores tomaram seus cálices e se levantaram, até mesmo Shifrah, que desajeitadamente ergueu sua caneca de ferro.
__”I´chayin!”__ disseram todos, exclamando o tradicional brinde no idioma sagrado dos deuses Sefirot. Em seguida, todos beberam um pouco do vinho sanguíneo e retornaram aos seus lugares. Verótika se manteve em pé. A bela capitã do time prosseguiu:
__Sim, “I´chayin” com certeza! Mas é triste ouvir essa saudação sabendo que um de vocês não deseja o sucesso do nosso time...
Todos imediatamente cessaram suas conversas e olharam para Verótika. A sensual nor estava agora completamente séria, segurando o seu cálice de vinho sanguíneo em sua mão direita. Ela continuou:
__ Sabem, há pelo menos duas coisas sobre as quais eu aprendi bem ao longo dos duzentos anos dessa minha não-vida. Uma, é o reconhecimento de quem tenta me sacanear; e a outra, são as jóias.
Katsuchiyo, o ex-samurai que estava impassível, olhava para o centro da mesa como se não estivesse ali. Keshet olhava fixamente para Verótika e parecia estar engolindo em seco, o que fazia com que seus enormes ganchos que usava como brincos, tremessem levemente. Shifrah olhava para Verótika sem entender o que se passava. O gigantesco mordenkai era completamente apaixonado pela capitã, e, ao vê-la nitidamente chateada, começou a tensionar seus poderosos músculos. Issun, o Carregador, colocou seu copo sobre a mesa e olhava para Verótika, mexendo suas pernas gigantescas como se quisesse achar uma posição melhor para o seu corpo deformado. Malachi riu nervosamente até se calar e tomou um pouco do vinho sanguíneo, ao mesmo tempo que olhava para Verótika nervosamente, que continuava falando:
__Desde pequena eu sempre gostei de jóias. Sei reconhecer um colar de diamantes com o design marítimo da Ilha de Teognosis e os brincos de ganchos e anzóis de Resh, assim como reconheço o estilo neo-grotesco de Daol frente ao refinamento dos desenhos nithianos. E sei muito bem quanto custa uma jóia, seu preço, e o artista que a desenhou, principalmente se for de Zohar, o nosso país.
Verótika deu uma pausa e observou. Todos estavam calados, atentos. Bem, nem todos, Malachi rapidamente largou seu copo na mesa, e começou a se levantar, procurando esconder suas mãos atrás de seu corpo.
__Verótika, eu...__ murmurou o atacante dos Degoladores. Verótika o interrompeu, dizendo friamente:
__E sei muito bem que, um traste como você, Malachi, não teria condições para comprar um anel de Rubi de Sangue da coleção de Zaida, uma das mais famosas designers de jóias de Messalina, a cidade dos nossos adversários, os Mutiladores!
Malachi rapidamente moveu sua mão em direção ao punhal duplo que tinha em sua cintura, no momento em que Verótika exclamou:
__Katsuchiyo!
Malachi sacou o punhal e o lançou em direção à Verótika. Katsuchiyo pulou em cima da mesa de mármore negro, ao mesmo tempo que sacava a Kumarblade, a enorme espada kumariana que carregava em suas costas. Com o seu braço esquerdo, ele pegou o punhal em pleno ar, enquanto seu braço direito, que segurava a Kumarblade, fez um movimento circular decapitando Malachi instantâneamente. O corpo do traidor caiu para trás, enquanto sua cabeça rolou pela mesa, gritando de dor. Um fogo esmeralda começou a queimar na altura do pescoço decapitado, e os gritos do não-vivo cessaram. A Kumarblade havia coletado mais uma não-vida: a energia primeva contida na espada havia destruído a essência de Malachi. Ele jamais retornaria para a não-vida.
Katsuchio desceu da mesa e foi em direção ao corpo. Fazendo um movimento rápido com a Kumarblade, o ex-samurai cortou a mão esquerda do corpo de Malachi, e a jogou para Verótika. A atacante pegou a mão no ar e a mostrou para os demais.
__Vejam! Esse calhorda nos vendeu por causa de uma droga de um anel! Ele iria entregar o jogo na final do campeonato, tudo em troca de grana!
Um anel adornado com um enorme rubi estava na base do dedo indicador da mão decapitada. Ele refletia as centenas de velas dos massivos candelabros da sala de jantar da Mansão dos Codorveros com um brilho hipnótico. Sem nenhuma cerimônia, Verótika tirou o anel, jogando a mão decapitada para trás, como se fosse um lixo imundo. Colocou o anel em sua mão, e se sentou, completando:
__Bem, agora vou poder curtir esse jantar. E vocês, aproveitem. Essa semana vai ser bem difícil, temos que treinar muito.
Keshet, ainda aturdido com os acontecimentos, perguntou:
__Mas Verótika, quem irá jogar no lugar de Malachi? Temos muito pouco tempo para arrumar um atacante para o time, e...
__Não se preocupe, meu belo Keshet. O meu irmãozinho vai jogar com a gente.
__Mas o Deiphobus jurou que jamais entraria em uma arena de necrobol depois daquele caso com a filha bastarda dele! E isso tem o que, uns dez anos, não? __Perguntou Issun, enquanto já arrancava mais um pedaço sangrento do porco tariniano.
__Deixa o Deiphobus comigo, eu sei muito bem a melhor maneira de manipular o meu irmãozinho. Além do mais...
Odda, a serva-carniçal, interrompeu a fala de Verótika entrando afobada na sala de jantar.
__Ama Verótika! Ama Verótika!
__O que foi, Odda?
__É o seu irmão, Ama Verótika. Ele está causando uma enorme confusão no Mercado dos Escravos! Eu havia mandado uma das escravas comprar algumas coisas no mercado, e ela voltou correndo, dizendo que havia visto o Amo Deiphobus discutindo com um Mercador e seus Guarda-Escravos! E parece que o Amo Deiphobus já havia até sacado sua espada! Ama Verótika, a senhora precisa ir lá, isso é um escândalo que seu pai não vai gostar de saber de jeito nenhum!!!
__Droga! Mas que droga!!!__ gritou Verótika. E virando-se para seus jogadores, exclamou:
__A festa acabou pessoal. Venham comigo! Não quero perder o meu futuro atacante, não à uma semana da final de Necrobol!
(CONTINUA)
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Publicado: 25/08/2005 17:31 Atualizado: 25/08/2005 17:31 |
Legendário   Usuário desde: 29/6/2005 Localidade: Belém Mensagens: 2117 |
 Re: Almas Torturadas (cap V) + Wallpaper Verótika daria uma boa personagem de Vampiro.
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