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Underground: Cinema : Eu, Robô – Asimov em Esteróides!
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| Enviado por RedeRPG em 16/09/2004 00:02:00 (4183 leituras) Notícias do mesmo autor |
 Isaac Asimov é um dos maiores nomes da literatura de ficção científica mundial e praticamente reinventou a maneira de se escrever histórias sobre robôs. Dentre as melhores e mais conhecidas obras desse pioneiro da ficção científica está Eu, Robô, uma coleção de contos publicados em revistas durante a década de 40 e editados em um livro em 1950. Infelizmente as semelhanças entre o filme Eu, Robô e a obra homônima de Asimov não vão muito além do próprio título e das três leis da robótica criadas pelo escritor.

Na história o detetive de homicídios Del Spooner (Will Smith) é chamado para investigar o suposto suicídio do pesquisador Dr. Alfred Lanning (James Cromwell). Com a ajuda da Dra. Susan Calvin (Bridget Moynahan) ele se depara com o que, à primeira vista, parece impossível: um robô de última geração, o NS-5, poderia ser o responsável pela morte. Com um ódio por robôs que é taxado no próprio filme como preconceito, o detetive Spooner investiga obsessivamente o caso chegando a resultados nem tão inesperados. O filme é, na verdade, mais um thriller de ação e suspense com robôs fugindo ao controle dos humanos em um futuro não muito distante.
Parece não ter sido mesmo a intenção do diretor Alex Proyas fazer uma adaptação fiel ao livro, mas apenas se basear nele. Isso não teria problema algum, caso o resultado final não se dedicasse tanto aos clichês e ao tema mais que batido. Afinal, quantas vezes os robôs já se rebelaram? Eu, Robô poderia sem problema algum ser um prelúdio para Matrix ou para o Exterminador do Futuro, pois usa a mesma exaurida fórmula que vem sido usada desde que o monstro criado por Victor Frankenstein voltou-se contra ele: a criatura, fisicamente superior ao criador, acaba por se rebelar e tentar se impor.
Ainda fosse esse o único clichê usado insistentemente em Eu, Robô, teríamos chances de que fosse um excelente filme, mas os clichês se estendem até onde a vista alcança. Literalmente. Os recursos estéticos utilizados por Proyas para passar ao público a sensação de opressão e paranóia sentida pelo detetive não vão além das cenas onde milhares de robôs se aglomeram imóveis nas fábricas ou caminhões carregando dezenas de NS-5 de uma só vez. O policial Spooner se veste de maneira claramente diferente dos outros personagens, sempre com roupas pretas pois, em teoria, ele é um amargurado. E para completar as obviedades, todo robô que fica mau, acende uma luz vermelha no peito. Obrigado por me avisarem que ele é mau, eu não havia percebido isso depois que saiu pelas ruas lutando com humanos.
Como se não fosse o bastante, o próprio roteiro feito por Jeff Vintar e Akiva Goldsman recorre a todo tipo de clichê dos filmes de conspiração de uma maneira tão óbvia que não creio que consiga causar suspense em qualquer um que já tenha passado dos 10 anos de idade. Até a boa e velha cena do “Entregue seu distintivo, você está fora” está lá. As reviravoltas não se reviram tanto assim e está muito claro desde o início que não existe a mais remota chance de que o personagem principal esteja errado quanto aos robôs, apesar de todos os personagens dizerem que ele está. Tudo muito claro, tudo muito didático, tudo muito óbvio.
O merchandising do filme é um show de horrores à parte. Os primeiros dois minutos do filme parecem piada, quando o aparelho de som da JVC e o tênis All Star Converse do personagem principal ganham mais closes do que ele mesmo. Diálogos são inseridos ao longo do filme apenas para fazer mais merchandising destes produtos, e até mesmo toda uma sequência com a Dra. Susan Calvin tem como protagonista o som da JVC. Na verdade, essa foi a verdadeira visão do futuro trazida pelo filme: a propaganda se intrometendo sem cerimônia no meio de filmes e os expectadores tendo que pagar para vê-la.
Mas nem só de coisas ruins foi feito Eu, Robô. Alguns aspectos positivos permeiam o filme e talvez justifiquem o seu custo de produção de 120 milhões de dólares e a arrecadação de mais de 52 milhões só no fim de semana de estréia dos Estados Unidos. A ação é muito bem dosada durante o filme e rende boas cenas de luta, perseguição, tiroteio e tudo mais que um filme de ação tem direito. Este é o tipo de filme que Will Smith tem costume de fazer e o papel de Del Spooner parecer ter sido preparado para sua persona cinematográfica. O personagem não tem lá muita profundidade e portanto não há brechas para nenhuma interpretação maestral, mas Smith se sai bem e consegue dar um tom mais amargurado e preconceituoso ao detetive. O policial rebelde, durão e cheio de um sarcasmo não muito engraçado se encaixa perfeitamente em Will Smith, vide seu papel em Os Bad Boys, filme em que ele começou a ganhar maior visibilidade em Hollywood.
Os efeitos especiais são usados sem exageros, contribuindo para a narrativa e não tentando se sustentar sozinho, como tem sido razoavelmente comum na Hollywood de hoje. A ambientação futurística concebida por Alex Proyas nos mostra um futuro plausível e razoavelmente parecido com os dias de hoje, cheio de pormenores como coleta de lixo feita por robôs e estacionamentos que guardam carros na vertical. Os robôs são muito bem feitos e seu design convincente. A animação de Sonny, um dos principais personagens do filme, foi feita com a mesma técnica utilizada para animar Gollum, em O Senhor dos Anéis, obtendo ótimos resultados na movimentação do autômato.
Enfim, Eu, Robô acaba por ser um bom filme de ação, um filme de conspiração mediano e um filme de ficção científica ruim. Valeu minha meia entrada, mas duvido que valesse a inteira.
As Três Leis da Robótica de Asimov:
1 – Um robô não pode causar dano a um ser humano ou, por omissão, permitir que um ser humano sofra algum mal. 2 – Um robô deve obedecer às ordens dadas por seres humanos exceto quando essas ordens contrariem a Primeia Lei. 3 – Um robô deve proteger sua existência, desde que tal proteção não contrarie as Primeira e Segunda Leis.
Leia também a resenha do mesmo filme escrita por Jocimar Oliani em http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=1774
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| tigredeoculos |
Publicado: 16/09/2004 08:25 Atualizado: 16/09/2004 08:25 |
Cavaleiro   Usuário desde: 04/8/2004 Localidade: Mensagens: 118 |
 Re: Eu, Robô – Asimov em Esteróides! Achei que o Sr. Mário César Corrêa foi um pouco moderado demais ao colocar suas idéias, porém acho que foi um erro cometido em nome da imparcialidade.
Fora isso, boa resenha!
Esse filme é a completa subversão do legado de um homem morto.
PS: Agora quando alguém tenta comprar o livro 'Eu, Robô' do Asimov na livraria, só consegue achar com o Will Smith (Will Smith!) na capa. Logo logo o Fundação também só vai ter pra vender com a Paris Hilton ou o George Clooney na capa.
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