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Arca: Contos : Almas Torturadas (cap VII) + Wallpaper
Enviado por RedeRPG em 19/09/2004 00:01:00 (3346 leituras) Notícias do mesmo autor
Arca: Contos

Por Newton "Nitro"
(Necropia / Grupo Sefirot )
Equipe REDERPG

Fugindo da Mansão dos Codorvero, Sati, a jovem bárbara do Clã da Garra Negra está prestes a descobrir os horrores das noites da necrópole de Yzael. Acompanhe esse emocionante episódio de “Almas Torturadas” que mostra o lado noturno de Necropia, escrito por Newton “Nitro”. Além do episódio, temos mais um wallpaper de Necropia, mostrando um dos Guardas Ósseos, a milícia do Mundo dos Mortos!




Crônicas de Necropia:
"ALMAS TORTURADAS"
Cap.7 "Necropia by Night"

Escrito por Nitro (Newton Jr.)

As ruas do Mercado das Carnes de Yzael estavam lotadas. Milhares de zumbis, mortos-vivos, Nors, e seus escravos shems andavam por entre as centenas de barracas de ansiosos vendedores, que abordavam qualquer um com produtos próprios para uma Necrópole populosa como Yzael. Instrumentos de tortura; placas metálicas para serem cravadas na pele; copos, talheres, facas, e pratos feitos de ossos humanos; armas e armaduras baratas com motivos de morte; roupas feitas de pele de escravos; carne humana para os mortos com tendências canibais; braços, pernas e outros órgãos para reposição dos membros perdidos de servos-carniçais pobres ou nors miseráveis; vinhos sanguíneos de qualidade, etc.

Porém Sati, perambulando em meio à multidão de mortos, não achava nenhuma barraca de comida. Coberta por uma capa de couro negro e manchado, que ela havia tirado de um cadáver encontrado em um enorme monte de lixo, a pequena bárbara estava com muita fome. Havia se passado mais de quatro horas desde que ela fugira da mansão de Sir Deiphobus. Foi apenas a graça de Binah que a fez chegar até o Mercado de Carnes viva. Ela tinha se orientado pelas luzes que vinham do centro de Yzael, correndo pela estrada que ficava próxima à mansão de Sir Deiphobus. Mas o caminho não tinha sido fácil; ela teve que se esconder várias vezes em que carruagens de mortos passavam pelo caminho. Parecia que a mansão de Sir Deiphobus ficava situada em uma área reservada aos cidadãos mais ricos de Yzael, pois os cavaleiros que Sati vira passar pela estrada estavam vestidos de maneira muito diferente do povão miserável que lotava o Mercado das Carnes.

Aos poucos, Sati ia compreendendo como funcionava o mundo dos mortos. Na necrópole onde estava, a grande maioria dos vivos que encontrara era escrava dos mortos. Eles levavam na fronte uma tatuagem que parecia identificá-los, e que era constantemente checada por gigantescos soldados Nors, os membros da Guarda Óssea que eram parte da milícia das Necrópoles. A tatuagem era o nome de seu dono, e impedia que qualquer escravo pudesse andar livre ou fugir.

Sati também observara alguns vivos andando livres, sem nenhuma tatuagem em sua fronte. Porém, eles pareciam ser malvistos pelos mortos, pois quando passavam, Sati escutava comentários maliciosos dos vendedores das barracas. Os mortos os chamavam de gentios, e eram os únicos vivos que tinham permissão de andarem livres pela necrópole. Porém, mesmo estes eram freqüentemente abordados pelos guardas Ósseos. Os soldados, que eram praticamente esqueletos de armaduras, passavam um cristal amrati esverdeado pela fronte de algum gentio suspeito e uma marca surgia em sua fronte, como mágica. Porém, os Ósseos não ligavam para as centenas de mendigos que se arrastavam pelos cantos das estreitas e imundas ruas do Mercado das Carnes, e Sati esperava se passar por um deles.

Depois de muito procurar, Sati finalmente encontrou uma barraca de frutas. Em meio à bacias de vermes khols cinzentos e gordos (uma iguaria para os mortos), ela viu uma pequena bacia de maçãs. A vendedora, uma magra senhora gentia com aparência doentia, tentava vender seus produtos para os pedestres, que a ignoravam. Alguns dos mortos que passavam por sua venda ainda cuspiam em cima de seus produtos, xingando-a pelo simples fato de ser uma shem livre.

Sati se aproximou sorrateira por baixo da mesa de madeira onde estavam os produtos, e rapidamente agarrou uma maçã. Imediatamente, a vendedora agarrou sua mão e gritou:

__Um ladrão! Socorro, me ajudem! Estou sendo roubada!

Sati reagiu instintivamente, chutando a mesa em direção à vendedora. As enormes bacias de vermes khols cairam em cima da velha mulher, se espalhando pelo chão. Os vermes imediatamente começaram a comer o corpo da vendedora, que começou a gritar horrivelmente. Sati, assustada com o efeito de sua fuga, olhou para os lados. Ao seu redor, muitos compradores estavam parados observando a cena, e mais ao longe, três guardas Ósseos empurravam a multidão procurando chegar até onde Sati estava. Sati deu uma última olhada para a senhora. Esta já estava tendo convulsões enquanto os vermes khols devoravam seu rosto, devorando e furando seus olhos e face e saindo pelo seu crânio. Horrorizada, Sati empurrou um zumbi magro e sem pernas que estava ao seu lado e começou a correr para longe do corpo da senhora.

Sati não sabia para onde ia. Ela corria pelo labirinto do Mercado das Carnes, consciente de que os guardas Ósseos estavam cada vez mais perto. Aproveitando-se do seu pequeno tamanho, a jovem bárbara passava por baixo das barracas, na esperança de despistar seus perseguidores. Porém, a cada encontrão que dava em meio à multidão, ela podia ver os Ósseos se aproximando, brandindo suas enormes espadas e gritando para que a multidão desse espaço para eles.

A jovem continuava correndo. Mais à frente, Sati viu uma das saídas do Mercado, que dava para uma pequena e escura rua lateral. Ela entrou correndo na rua escura, quase tropeçando na enorme quantidade de lixo que estava jogada pelo chão. Correu até o final da rua, pulando um mendigo canceroso esticado no chão, quase morto, e chegou a uma pequena alameda, que tinha saídas pela direita e pela esquerda. Ela se virou e viu que os três guardas Ósseos estavam bem perto, por causa do grito dado pelo mendigo no momento em que um dos esqueletos o executou. Era uma tática para deixar Sati desesperada, e pelo nervosismo da jovem bárbara, parece que estava funcionando.

Sati seguiu para o lado esquerdo da alameda, e depois de virar em uma esquina ela se viu em um pequeno beco sem saída. A bárbara do Clâ da Garra Negra podia ouvir o som metálico das botas dos Ósseos. Sati olhava rapidamente para os lados mas não via saída: na sua frente estava um enorme muro de pedras, alto demais para tentar escalar em tão pouco tempo. Instintivamente, como todos os povos que moram no Submundo, o mundo subterrâneo para onde os vivos foram exilados pelos mortos, Sati olhou para o chão. E em meio à uma enorme quantidade de dejetos urbanos, ela viu o que parecia ser um bueiro.

Imediatamente, a jovem agarrou a grade de metal e tentou abrir. A grade estava presa por um enorme cadeado de metal, que apesar de completamente enferrujado, ainda resistia aos esforços de Sati para abrir o bueiro. Desesperada, Sati olhou em torno para os montes de lixo à sua volta. O cheiro era insuportável, e nuvens de moscas levantavam como uma fumaça negra à medida que a bárbara remexia nos pedaços de madeira, caixas, garrafas quebradas e membros humanos que compunham o amontoado de dejetos. Em meio aos restos decompostos de um cadáver inchado e cheio de vermes, Sati encontrou uma lança de metal enferrujada. Ela agarrou a lança, que ainda estava grudenta por causa das entranhas do cadáver, e a colocou em um vão entre a grade e o chão do beco. Sati então começou a forçar a grade, usando a lança como uma alavanca e o seu peso para tentar quebrar o cadeado. Uma risada estridente, porém, quase a fez soltar a lança.

Os três guardas Ósseos haviam chegado ao beco.

Nesse momento, Sati sentiu a Fúria explodir dentro de sua alma. Urrando o grito de guerra do Clã da Garra Negra, a jovem empurrou a lança com toda a sua força, fazendo com que o cadeado explodisse deixando o bueiro completamente aberto. Os guardas Ósseos correram em sua direção, mas a bárbara se jogou para dentro do bueiro, caindo com grande estrondo em um líquido fedorento e viscoso. Com certo esforço ela se levantou, com a espécie de água malcheirosa batendo na sua cintura. Imediatamente ela olhou para cima, para a abertura do bueiro de onde tinha pulado, esperando ver os guardas Ósseos descendo. Mas ela apenas escutou suas gargalhadas, enquanto colocavam novamente a grade na abertura. Enquanto isso, outros sons grotescos começaram a surgir das trevas que estavam ao seu redor, tirando sua atenção dos guardas. Presa nos esgotos de Yzael, Sati não sabia mais o que fazer. Ela estava em uma galeria, que era iluminada apenas por alguns fungos verde-fosforescentes que cresciam nas paredes irregulares. Acostumando-se a escuridão, Sati observou uma pequena passarela nas laterais do córrego malcheiroso onde ela tinha caído. Uma série de sons guturais vindos de um dos lados do túnel a fez correr para a pequena e gasta passarela. Os sons estavam aumentado cada vez mais, como se algo nos subterrâneos de Yzael já soubesse que ela estava ali e estivesse indo em sua direção. A jovem soltou um grito e começou a correr na direção oposta aos sons. Perdida, fraca, e tonta por causa da fome e do cheiro horrendo que vinha do córrego, Sati chorava desconsolada. Sem ao menos pensar, ela murmurou soluçando:

__Sir Deiphobus...me...ajude...


(continua)



Para ler o Capítulo 1 basta clicar nesse link:
http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=1405

Para ler o Capítulo 2 basta clicar nesse link:
http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=1496

Para ler o Capítulo 3 basta clicar nesse link:
http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=1574

Para ler o Capítulo 4 basta clicar nesse link:
http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=1671

Para ler o Capítulo 5 basta clicar nesse link:
http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=1739

Para ler o Capítulo 6 basta clicar nesse link:
http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=1740





Para abrir e usar os wallpapers basta clicar nos links abaixo
e depois clicar no botão direito do mouse
e "Definir como Plano de Fundo".
Wallpaper Necropia
1028 X 768
800X600


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Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.
Enviado por Tópico
epm
Publicado: 19/09/2004 21:41  Atualizado: 19/09/2004 21:41
Escudeiro
Usuário desde: 11/7/2004
Localidade: São Mateus - ES
Mensagens: 28
 Re: Almas Torturadas (cap VII) + Wallpaper
Muito bom!!! É incrivel a capacidade de sobrevivencia desta jovem barbara. E o mundo de necropolis é interessante.
Bem escrito também. Parabens.
Espero, inpaciente, pelo próximo capítulo.

Eduardo Perini Muniz
McRose
Publicado: 19/09/2004 23:16  Atualizado: 19/09/2004 23:16
Escudeiro
Usuário desde: 12/9/2004
Localidade:
Mensagens: 14
 Re: Almas Torturadas (cap VII) + Wallpaper
Cara, c tah mandando muito bem.... o unico problema é q me mata de curiosidade enquanto espero o próximo capitulo...
Nitro
Publicado: 20/09/2004 12:53  Atualizado: 20/09/2004 12:53
Mestre do Jogo
Usuário desde: 30/9/2003
Localidade: Belo Horizonte
Mensagens: 159
 Re: Almas Torturadas (cap VII) + Wallpaper
Obrigado pelos comentários! Aguardem que o próximo capítulo estará cheio de ação e terror!

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