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Arca: Contos : Almas Torturadas (cap VIII) + Mapa
Enviado por RedeRPG em 10/10/2004 00:01:00 (2342 leituras) Notícias do mesmo autor
Arca: Contos

Por Newton "Nitro"
(Necropia / Grupo Sefirot )
Equipe REDERPG

Conheça os Baijim, a pequena raça de ladrões de Necropia, no oitavo episódio de “Almas Torturadas”: “O Fabuloso Vespa da Noite!” . Será que Sati, a jovem bárbara, conseguirá escapar dos horrores que espreitam os Esgotos da Necrópole de Yzael? E quem é esse tal de Vespa da Noite? Saiba mais nesse episódio escrito pelo Senhor dos Mortos, Newton “Nitro”. E para acompanhar o episódio, vai também um brinde: um mapa do esgoto onde Vespa e Sati se encontram, pronto para ser usado e povoado de monstros pelos Mestres de RPGs de Fantasia!




Crônicas de Necropia:
"ALMAS TORTURADAS"
Cap.8 "O Fabuloso Vespa da Noite!"

Escrito por Nitro (Newton Jr.)


Os Baijim são a escória de Necropia. Esses seres pequenos, ágeis e sorrateiros, infestam as Necrópoles de Ereth em busca do bem alheio. Segundo as lendas, os Baijim foram criados pelo rebelde Sefira Yesod, para infernizar as outras raças criadas por seus irmãos divinos. Porém, foi apenas com o início dos centros urbanos que os Baijim finalmente encontraram sua verdadeira vocação: tornaram-se os senhores dos submundos urbanos, infestando como ratos os locais das cidades onde os governantes não conseguiam controlar. Assim, criaram-se as Guildas de Ladrões, máfias milenares que antecedem à chegada de Ktonor, o buraco negro que devora Shemesh, o Sol Agonizante de Ereth, e que trouxe vida aos mortos.

Assim como aconteceu com as demais raças de Ereth, os Baijim se viram divididos entre os que se transformaram em Nors (ou mortos-vivos) e os que eram Shem (os mortais). E naturalmente, os Nor-Baijim tomaram controle das Guildas de Ladrões, deixando vivos apenas os Baijim mortais que serviriam de escravos e servos. Porém, a própria natureza rebelde dos Baijim fazia com que fosse impossível transformá-los em escravos. Depois de centenas de anos de tentativas, os Nor-Baijim chegaram à um acordo com os Shem-Baijim; eles poderiam ser gentios (vivos alforriados das Necrópoles) se concordassem em pagar tributos dos seus roubos às Guildas de Ladrões das Necrópoles. Além dos tributos, os Shem-Baijim jamais poderiam se organizar em Guildas; esse era um direito exclusivo dos Nor-Baijim. O famoso ladrão Vespa-da-Noite sabia disso.

O pequeno Shem-Baijim corria pelos labirínticos corredores dos esgotos de Yzael. Os profusos pêlos faciais que circundavam seus olhos (e que faziam com que a raça Baijim tivesse uma espécie de máscara facial natural) não conseguiam secar todas as gotas de suor que saiam de sua testa. Vespa rangia os afiados dentes metálicos, uma herança de sua iniciação na Guilda de Kaifás, enquanto segurava o enorme rubi que tinha acabado de roubar. Seus cabelos longos, negros e lisos, estavam ensopados de suor e de sujeira, sob o seu pequeno capuz negro. Porém, Vespa não estava muito preocupado com sua aparência, não depois de ter roubado o seu chefe.

O “Olho Rubro de Adserak” era uma espécie de relíquia da organização de Kaifás, um Nor-Baijim que há 300 anos comandava grande parte dos criminosos dos Mercados das Carnes de Yzael. Porque ele se deixou levar na conversa mole do seu parceiro Kasparov Vodska? Kasparov, um dos poucos humanos shems que faziam parte da Guilda de Kaifás, cuja arte da espada rivalizava com sua capacidade de enrolar os outros e de encher a cara, tinha conseguido botar na cabeça de Vespa a idéia idiota de formarem sua própria Guilda de ladrões. E para isso, eles tinham que ter reputação, impor respeito frente às criaturas do submundo da metrópole dos mortos. As palavras roucas de Kasparov Vodska ainda ecoavam na mente de Vespa: “Cara, vai ser moleza!”

“Moleza! Kasparov, seu desgraçado!”, respondeu mentalmente Vespa, correndo sem parar. Ele não sabia se os Guardas Ósseos pagos por Kaifás ainda estavam atrás dele, os esqueletos não costumam se aventurar nos esgotos. Mas Vespa não parava de correr, entrando em túneis aleatoriamente, procurando despistar quem quer que estivesse ao seu encalço. Kasparov tinha ficado para trás, na fortaleza de Kaifás, procurando abrir caminho com seus músculos. Ele já devia estar morto agora, se tivesse tido sorte. Vespa gostava do sujeito e não queria que aquele humano doido fosse torturado pelos Nor-Baijim. Torturado e comido vivo, segundo a maneira tradicional que os Nor-Baijim tratavam os traidores. Vespa engoliu em seco, e virou à esquerda em uma confluência de túneis. Ele deu uma rápida olhada para trás e...esbarrou em algo um pouco maior do que ele!

Vespa se desequilibrou e caiu para trás. Algo caiu em cima dele, levado pela inércia e pelo pequeno peso de Vespa. Era uma garota humana! A jovem tinha caído em cima do Baijim, e seu peito volumoso cobria todo o rosto do pequeno ladrão. Ela estava ofegante e desesperada, e começou a socar Vespa descontroladamente. Vespa girou e retorceu o corpo rapidamente para sair debaixo da jovem. Porém, a garota deu um grito selvagem e agarrou o pescoço de Vespa com uma “gravata”, procurando sufocá-lo. Vespa tentou dizer algo, mas a força da jovem era impressionante, e fazia com que sua voz saísse como a de um pato agonizante. O pequeno Baijim perdeu a paciência e movimentando o corpo, conseguiu escorregar um pouco e morder o braço da jovem guerreira. Com um grito, a jovem soltou Vespa, que caiu no chão, e imediatamente se levantou esfregando o pescoço.

Vespa se virou, e antes que pudesse falar, uma enorme pedra quase atingiu seu rosto. Ele desviou e sacou sua boleadeira de espinhos, que estava enrolada como um cinto. Ele começou a girar a tradicional arma dos Baijim, enquanto levantava sua mão procurando acalmar a garota.

__Hei! Calma, menina! Calma! Parece um cão raivoso, credo!

A jovem, que estava completamente imunda, esfregava o braço onde Vespa tinha mordido. Um pequeno filete de sangue escorria dos furinhos feitos pela mandíbula de aço do baijim. Ela olhava para ele com a cara emburrada e com os olhos inchados de lágrimas. Ela estava em trajes mínimos, com vestimentas de couro costuradas de maneira rude. Vespa já havia visto aquele tipo de roupas em alguns escravos mais selvagens. Essa menina era uma bárbara do Submundo, uma Shem selvagem. Porém, como ainda estava usando roupas de sua tribo e não possuía nenhuma marca de escravo em sua testa, ela devia ter chegado à pouco tempo em Yzael. “Ela deve ter fugido assim que chegou na cidade”, pensou Vespa, imaginando a recompensa que o morto-vivo que fosse o proprietário da escrava iria pagar. Talvez o suficiente para ele poder subornar os Guardas Ósseos e poder fugir de Yzael. Com uma voz mansa e com cuidado, lembrando das lições de seu parceiro Kasparov de como tratar as mulheres, Vespa disse:

__Sshhhhh! Não precisa ter medo...Calma...Meu nome é Vespa, como é o seu?

__Sati...

__Sati, onde está o seu mestre? Você fugiu dele, não?

No momento em que Sati ia responder, um rugido gutural veio do fundo do túnel de onde a jovem tinha chegado correndo. Os dois ficaram alguns segundo paralisados. Vespa murmurou:

__Um Macrophagi? UM MACROPHAGI!!!!!!!!!!! Você atraiu um Macrophagi????

Sati ia responder, mas os urros da criatura estava ficando cada vez maiores. Vespa não teve dúvida, saiu correndo o mais rápido que pode. Porém, depois de correr alguns metros, ele parou. A garota não tinha ido atrás dele. Ela tinha ficado lá atrás, e estava parada, com uma expressão decidida no rosto. A bárbara iria enfrentar o Macrophagi! Bem, ele não ficaria lá para ver o massacre; ela estava armada apenas de uma pequena pedra vermelha.

“Peraí! Uma PEDRA VERMELHA?”, pensou Vespa. Rapidamente, ele mexeu nas dezenas de bolsos que tinha em sua roupas apenas para constatar o óbvio: ele tinha deixado o “Olho de Adserak” cair e agora o enorme rubi estava nas mãos de uma garota louca disposta a se suicidar.

__Droga! Droga! Droga! Droga!

Vespa voltou correndo, no momento em que uma criatura enorme saia das sombras. Era uma massa enorme e disforme, feita de vários corpos unidos com um visco brilhante, e com várias cabeças decapitadas adornando a parte superior, como uma coroa profana. As cabeças, das mais variadas raças e sexos, gritavam como um coral de almas perdidas no Nirodha, o Grande Vazio. Do centro da marca disforme, perdida entre as dezenas de braços e pernas que se retorciam em meio ao visco brilhante, uma enorme boca se abria, repleta de presas ósseas enormes e com vários tentáculos azulados e ásperos se projetando para fora. O Macropagi parecia deslizar nas águas imundas dos esgotos de Yzael. À medida que Vespa se aproximava, o cheiro horrendo liberado das entranhas do Macrophagi quase o fez desmaiar.

A criatura tinha agarrado Sati com seus tentáculos e a levantara pela cintura a alguns metros do chão. A jovem bárbara batia incessantemente no tentáculo com o enorme rubi que estava sem sua mão direita, mas não conseguia nada além do que alguns arranhões no azul doentio do membro do Macrophagi. O monstro puxou a garota para dentro de sua enorme boca, disposto a devorá-la. Vespa sabia que essa era a sua principal função: devorar o que caía nos esgotos das Necrópoles. O Macrophagi era uma das criações dos Modeladores de Corpos para o problema do lixo nas Necrópoles. Essas criaturas horrendas eram colocadas nos esgotos ainda pequenas, e devoravam tudo que encontravam pela frente, assimilando e crescendo com os corpos que eram frequentemente jogados nos subsolos das Necrópoles, vivos ou mortos.

Já arrependido à cada passo que dava em direção à criatura, Vespa tirou do décimo sexto bolso de sua cintura três pequenas bolinhas pretas, cada uma com uma runa inscrita de vermelho. Levantando o seu braço direito, Vespa disparou um dardo com a sua pequena besta-de-punho, que levava escondida sob a manga de sua camisa.

O dardo atingiu a parte inferior do monstro e explodiu ao contato com a pele viscosa e asquerosa. O monstro urrou, mais de alegria por ter outra coisa para comer do que pela dor que jamais sentia. A criatura virou sua bocarra em direção à Vespa, sem largar Sati, que continuava esmurrando o tentáculo azulado com o enorme rubi.

Um segundo tentáculo saiu das entranhas da criatura e envolveu Vespa em um segundo. O Baijim só teve tempo de levantar os braços no momento em que a criatura o agarrou e o puxou para sua enorme boca. Porém, segundo antes de o engolir, Vespa gritou:

__Droga! Isso vai me custar muito caro!

Nesse instante, Vespa jogou as três bolinhas pretas dentro da garganta do Macrophagi. O efeito foi instantâneo, um forte brilho azulado que irrompeu de dentro da criatura e a cobriu com uma aura branco-azulada. A criatura começou a espernear e a se mover rapidamente, ao mesmo tempo em que os cadáveres que faziam parte de seu corpo começavam a se soltar um dos outros. As cabeças, que serviam como uma coroa na parte superior da criatura, começaram a cair uma a uma, ao mesmo tempo em que o Macrophagi soltava Sati e Vespa. Em questão de segundos, a enorme criatura não era nada além do que uma pilha malcheirosa de cadáveres no chão, que ainda emitiam um brilho branco-azulado.

Sati olhava incrédula para a pilha de corpos, enquanto Vespa checava seus bolsos para ver se nada tinha caído no chão. O Baijim se aproximou da jovem.

__Bem, agora você já pode largar isso aqui.__ disse, enquanto tirava o rubi da mão direita de Sati. A jovem olhava para a pilha de corpos com os olhos arregalados. Vespa continuou:

__Por sua causa gastei minhas últimas Sementes de Cura. E eram muita caras, muito caras mesmo! Deu-me um trabalho enorme roubá-las! Droga!

Sati olhava para ele confusa. Mesmo sem saber se ela entenderia, Vespa explicou:

__Macrophagis são muito fracos em relação a energias de cura. Eu sempre ando com algumas Sementes de Cura quando tenho que usar os esgotos. Bem, agora, com licença, que eu tenho que dar no pé. Já vi que você é encrenca demais, garota! Vai por mim, volte para o seu mestre. Escravos fugidos não duram muito em Yzael.

Vespa se levantou, cobriu seu rosto com seu capuz negro, acenou para Sati e se virou. Porém, antes mesmo de dar um passo, Sati exclamou, baixinho:

__Deiphobus...Sir Deiphobus.

Vespa parou imediatamente.

__O que você disse?__ perguntou.

__Sir Deiphobus__ continuou Sati__ esse é o nome do meu “mestre”, como você diz. Ele é que me trouxe para cá.

Vespa engoliu em seco:

__Deiphobus, como em Sir Deiphobus Codorvero? VOCÊ É UMA ESCRAVA DO “SIR DEIPHOBUS”?

Sati fez sim com a cabeça.

Os olhos de Vespa brilharam. Sua mente fervilhava: “Por Yesod, por todos os Sefiras, finalmente os deuses sorriram para mim!”. Os Codorveros eram uma das famílias mais tradicionais de Yzael, e o próprio Rei Thaumiel considerava o velho Barão Ferthus, o pai de Deiphobus, como seu amigo pessoal! Resgatar um escravo fugido dos Codorveros era suficiente para colocar Vespa nas boas graças do Barão. E aí, nem mesmo o porco gordo do Kaifás poderia encostar a mão nele!

__Menina, você acaba de ganhar um guia.__disse Vespa. E pegando na mão de Sati, ele completou__Vamos, vou te levar de volta ao seu mestre.

Sati resistiu por um momento. Porém, ao ver a pilha de corpos atrás dela, ao se lembrar dos Guardas Ósseos, do desespero que passara na cidade dos mortos, ela se resignou. Não havia mais saída, ela era de Sir Deiphobus. E por mais que seu sangue bárbaro clamasse por liberdade, algo dentro dela ansiava pela proteção do enorme guerreiro.

__Tudo bem. Tudo bem..._murmurou Sati.

E os dois entraram nas trevas dos esgotos dos mortos.

(continua)

Para ler o Capítulo 1 basta clicar nesse link:
http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=1405

Para ler o Capítulo 2 basta clicar nesse link:
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Para ler o Capítulo 3 basta clicar nesse link:
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Para ler o Capítulo 7 basta clicar nesse link:
http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=1833




Mapa da Sala de Jantar da Mansão Cordorvero:


Este é o mapa de uma parte dos Esgotos de Yzael. Ele está reduzido. Para ver no tamanho original, clique na figura abaixo e imprima usando o coamndo do seu browser. Mapa feito com o programa Dunjinni (www.dundjinni.com) .
1 quadrado = 1,5 metros




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Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.
Enviado por Tópico
Tuz
Publicado: 10/10/2004 07:04  Atualizado: 10/10/2004 07:04
Aprendiz
Usuário desde: 03/8/2004
Localidade: Belo Horizonte
Mensagens: 73
 Re: Almas Torturadas (cap VIII) + Mapa
Ha! Sou fã do Vespinha
r_brujah
Publicado: 14/10/2004 08:49  Atualizado: 14/10/2004 08:49
Cavaleiro
Usuário desde: 16/7/2004
Localidade: Port- a-Lucine
Mensagens: 168
 Re: Almas Torturadas (cap VIII) + Mapa
Alôooo...eh da casa da pizza?
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