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RPG - Artigos & Dicas : E Eu Quero Ser um Escritor de Livros de Papel Journal… (I)
Enviado por RedeRPG em 16/10/2004 23:02:00 (2099 leituras) Notícias do mesmo autor
RPG - Artigos & Dicas

Monte Cook

Por Monte Cook
Traduzido por Erika “Tuz”
do Grupo Sefirot para a REDERPG
com permissão do autor

Quem, depois de ler um excelente romance de fantasia, como “O Senhor dos Anéis” ou as “Crônicas de Dragonlance” não teve vontade de escrever seus próprios romances? Nesse artigo traduzido por Tuz do Grupo Sefirot, Monte Cook dá várias dicas interessantes para os aspirantes à escritores!

Na Gen Con deste ano, eu dei uma série de oficinas sobre a escrita de ficção – ficção de fantasia, em especial. Teve muito público, e foi muito divertido. Os tópicos eram:

  • Dia Um – Escrita Básica: Forma x Função e Roteiro x Personagem

  • Dia Dois – Criação de Mundo (Incluindo Mágica)

  • Dia Três – Personagens de Fantasia: Um Personagem Pode Ser Heróico Demais?

  • Dia Quatro – Sendo Publicado


Para aqueles de vocês que se interessarem, aqui estão alguns dos pontos altos dos primeiros dois dias. Para aqueles de vocês que estão realmente se interessarem, espero repetir esta série na próxima Gen Con (embora os tópicos possam mudar um pouco, só para variar).


Forma X Função

O Começo:
Trabalhe bastante no começo da sua história. Se a história não ficar boa até a página 3, ninguém jamais chegará até a página 3.

Estilo: Não force linguagem floreada. Deixe que ela aconteça naturalmente. Deixe seus escritores favoritos se tornarem seus guias; a medida que você aprende e pratica o que aprende, seu estilo próprio se desenvolverá.

Descrição: A descrição é sua caixa de ferramentas – sua aliada. Use cor, cheiro, e temperatura para montar sua cena. Mas não descreva o clima do lugar. As outras coisas darão uma impressão do clima por si próprias. Toque, sabor, visão, audição, cheiro – inclua pelo menos três descrições sensoriais por cena para ter certeza de que o leitor realmente ficará imerso na sua história.

Uma vez que você tenha a idéia para a sua história, aqui estão algumas perguntas úteis para você se
Roteiro X Personagem fazer a medida que você constrói a história:

  • Ponto-de-vista (personagem principal) – A idéia da história vai prejudicar quem?

  • Motivação – O que estas pessoas querem?

  • Roteiro – O que pode dar errado?

  • Conclusão da história – Onde isto tudo vai chegar?


Assim, você tem uma idéia: “Um mundo onde teleporte mágico é comum.” Você se pergunta: isto vai prejudicar quem? Sua resposta: os guardas protegendo o castelo do rei. Então você faz com que seu personagem principal seja um guarda. Sua motivação? Proteger o rei. O que pode dar errado? Assassinos se teleportam para dentro do castelo para matar o rei, e os guardas têm que detê-los – este é o roteiro. A conclusão da história? Os guardas são bem-sucedidos ou não.

É um exemplo de uma história simples, mas mostra como você pode construir uma história muito maior da mesma maneira. A primeira pergunta é provavelmente a mais importante. Tenha certeza de escolher sempre o personagem certo cujo ponto-de-vista vai ser o da história. A história de Star Wars não seria contada a partir do ponto-de-vista do Tio Owen ou de um stormtrooper (o que poderia dar boas histórias, mas seriam bem diferentes).

Clichés: Lembre-se de que você está escrevendo para um público tão versado em fantasia quanto você. Se você já ouviu esta antes, eles também.

Antecipação: Dê ao leitor uma pista do que vai acontecer. Se os leitores disserem para si mesmos, “Humm, é mesmo, eu me lembro de uma menção a isto cerca de trinta páginas atrás,” o impacto de o que quer que você esteja apresentando fica mais poderoso. Se o vilão aparece com uma poderosa espada mágica perdida a muito tempo e que o herói reconhece, tenha certeza de que a espada tenha sido mencionada antes, para que o leitor a reconheça também.

Não Crie Uma História Que Divague Muito: Tenha certeza de que tudo o que aconteça seja importante. Seja capaz de contar a sua história em uma única frase. A série inteira do Senhor dos Anéis pode ser resumida em uma sentença: “Pequeno hobbit derrota grande mal ao destruir um anel através de sua coragem e perseverança, e com a ajuda de seus amigos.”


Criação de Mundo

Pesquisa:
Se você apresentar fatos, apresente-os corretamente. Se são fatos inventados, faça-os consistentes. (Mas nunca deixe que a verdade atrapalhe uma boa história).

Exposição: Como você vai apresentar esta informação ao leitor? Evite exposição descarada. Não faça com que seus personagens digam coisas que ambos claramente já sabem uns para os outros. As pessoas não conversam assim: “Como você sabe, Bob, nós dois já pertencemos a guilda de feiticeiros a dez anos, e ajudamos a proteger a cidade contra invasores…”

Esteja pronto para não nos contar tudo. O leitor preencherá os vazios. Mas preste atenção a isso – esteja atento aos vazios. Se os leitores preenchê-los incorretamente, conduza-os na direção certa. Se castelos no seu mundo flutuam no ar, são feitos de metal, ou têm rodas, não diga apenas “castelo,” ou o leitor vai pressupor que seja um castelo do mundo real.

Mágica
A mágica no seu mundo é rara ou comum? Poderosa ou sutil? Boa ou má – ou nenhum dos dois?

Você pode não considerar imediatamente o efeito da mágica nestas áreas do seu mundo, mas a presença de mágica (ou um nível dela) tem um grande impacto nos seguintes aspectos:

  • A sociedade como um todo (Cidades ou rural? Conforto ou desconforto? Onde as pessoas moram? Castelos fazem sentido neste mundo?)

  • Relacionamentos individuais

  • Desenvolvimento das crianças

  • Economia (produção de alimentos, transporte, comunicação)


Repercussão: Há pessoas que odeiam mágica? Que a banem?

Evite Mágica Como Tecnologia: Tapetes mágicos como carros, “telefones” mágicos, etc. Isto já foi feito, e para começar nem é tão interessante (a menos que seja usada em humor, como nos livros de Discworld, do Terry Pratchett).


Na próxima semana, falarei dos outros tópicos. Boa sorte na sua escrita!

Publicação original em: 24 de agosto, 2001
Traduzido e publicado com a permissão do autor
All content © 2004 Monte Cook.
Link Original: http://www.montecook.com/arch_lineos14.html

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Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.
Enviado por Tópico
Denommus
Publicado: 17/10/2004 22:14  Atualizado: 17/10/2004 22:14
Cavaleiro
Usuário desde: 23/1/2004
Localidade: Manaus - AM
Mensagens: 138
 Re: E Eu Quero Ser um Escritor de Livros de Papel Journal… (
Isso vai ser de grande ajuda para meu romance vampírico.

Usar mágica como tecnologia é exatamente um dos vários erros que Tormenta comete!
PabloRaphael
Publicado: 19/10/2004 11:11  Atualizado: 19/10/2004 11:11
Legendário
Usuário desde: 11/9/2003
Localidade: Cuiaba MT
Mensagens: 1274
 Re: E Eu Quero Ser um Escritor de Livros de Papel Journal… (
Adorei o artigo, muito bom mesmo.
Só discordo do comentario anterior, não acho que Tormenta exagere no uso de magia como tecnologia... ate pq só me vem a mente o caso de Vectora, mas aí é uma questão ideologica do mago que fez a cidade.
Acho que a questao do impacto da magia no desenvolvimento de um mundo de fantasia é um assunto muito pertinente e que rende muuuuito pano para manga.
DRIZZ
Publicado: 11/02/2005 15:58  Atualizado: 11/02/2005 15:58
Campeão
Usuário desde: 15/8/2004
Localidade: Shiojiri-Nagano
Mensagens: 306
 Re: E Eu Quero Ser um Escritor de Livros de Papel Journal… (
Muito ótimo esse artigo pois me ajudará a contar meus contos de uma forma interessante de ler. Eu descrevos histórias em forma de campanhas de RPG mas também tenho vontade de escrever contos e este artigo me abriu a cabeça. Ele será de muita utilidade para mim, logo logo estarei mostrando o fruto de tudo isto...
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