|
|
RPG - Artigos & Dicas : Perguntas para Criação de Mundos e os problemas da Voz Passiva
|
| Enviado por RedeRPG em 28/11/2004 00:02:00 (2829 leituras) Notícias do mesmo autor |
 
Monte Cook trás nesse artigo uma série de perguntas que ajudam na criação de cenários de RPG. Além desse artigo, temos um texto do Monte Cook com dicas para escritores de fantasia tomarem cuidado com as armadilhas da "Voz Passiva". Os artigos foram traduzido por Érika "Tuz" do Grupo Sefirot e fazia parte de um folheto que Monte Cook distribuiu em na sua oficina para escritores de Fantasia, na Gen Con 2001.
Perguntas para Criação de Mundos
O seu mundo é um planeta, um disco, ou alguma outra coisa?
Há outros mundos ou planos que as pessoas conhecem?
Quanto do mundo já foi explorado? Ainda há regiões selvagens não reconhecidas e continentes ainda não descobertos?
O seu mundo tem tempo (chuva, neve, sol) normal ou algum outro tipo?
Há deuses imortais involvidos neste mundo? Eles participam ativamente dos eventos?
Como a mágica funciona?
- Todos podem usá-la? Apenas uma raça? Apenas um sexo?
- É aprendida ou você nasce sabendo?
- Ela requer objetos, frases ou lugares especiais? Por quê?
Que tipo de criaturas ou de raças fantásticas vivem no mundo?
Até quanto tempo atrás a história vai? Se vai até muito tempo atrás, por que as coisas não se desenvolveram neste mundo como no nosso mundo (por que a tecnologia moderna, idéias políticas, problemas de superpopulação, etc., não desenvolveram, assumindo que não tenham se desenvolvido)?
Quem governa o mundo? São as mesmas pessoas que parecem estar controlando as coisas com o mesmo ponto-de-vista dos habitantes do mundo?
Como a mágica e/ ou existência de raças e monstros fantásticos afetam:
- Quem está no comando?
- Comunicação e transporte?
- Religião?
- Guerra?
- Economia?
- Edifícios e cidades (tamanho, forma, defesas)?
- Segurança pessoal (é seguro viajar de uma cidade para a outra ou você será comido?)
- Confortos de criaturas?
Os leitores serão capazes de se identificar com este novo mundo? Ele oferece algo que os leitores nunca tenham visto antes?
Sua Inimiga: A Voz Passiva
Uma das críticas mais comuns sobre o trabalho de um escritor iniciante é “voz passiva em excesso.” O que é a voz passiva? Como se livrar dela? Por que você deveria se importar com isso?
Você pode encontrar uma boa definição de voz passiva em quase todos os livros de gramática. Mas de forma simples, a voz passiva acontece quando o sujeito de uma frase não está realizando a ação, mas ao invés está sendo vítima da ação. Por exemplo:
Passiva: A flecha foi atirada por Regdar. (sujeito, flecha, não atirando) Ativa: Regdar atirou a flecha. (sujeito, Regdar, atirando)
A frase na voz ativa, você perceberá, é mais curta e forte do que a frase na voz passiva. Ambas são coisas boas. Escrever na voz ativa cria imagens mais vívidas através do uso de verbos ativos e diminui o excesso de palavras geradas pelo uso excessivo de frases preposicionais (como “por Regdar”).
A pior coisa da voz passiva é que é insidiosa: ela penetra na escrita sem que você perceba. Mas confie em mim – os editores notarão. Então aqui estão alguns alertas para ajudá-lo a diminuir a voz passiva na sua escrita. (Estas referências vem de Revising Prose, de Latham).
Alerta da Voz Passiva #1: Formas dos verbos “ser.”
Não há sinal mais claro que indique a presença da voz passiva na sua escrita do que as formas deste verbo. Sou. É. São. Foi. Foram. Estes verbos abarrotam seu texto e forçam a voz passiva nas suas frases sem na verdade dizerem algo. Note no exemplo com a voz passiva acima que a flecha “foi” atirada. Quando mudamos a frase para a voz ativa, tiramos o verbo “foi” e colocamos o verbo mais interessante “atirou.” Poderíamos até dar um passo a mais e usar um verbo mais vívido que também consegue comunicar como Regdar atirou a flecha, tal como “lançou.” Qualquer destas escolhas marcam uma melhora significativa sobre o fraco “foi.”
Alerta da Voz Passiva #2: Frases preposicionais.
Você também pode tirar a voz passiva da sua escrita removendo frases preposicionais de que não precisa. Como deve se lembrar das aulas de gramática, as preposições são palavras como essas:
Citando:Sobre, acima, do outro lado de, depois, ao longo de, antes, entre, por, abaixo, durante, pelo, de, em, dentro, perto, através, para, em direção a, debaixo, com, sem
O que os professores nem sempre esclareciam, entretanto, é que você não precisa necessariamente de usar estas palavras para se comunicar. Na verdade, as vezes elas tornam suas frases cheias demais de palavras além de torná-las passivas. Assim, no exemplo acima, você observará que a frase preposicional “por Regdar” revela a voz passiva. Quando tornamos a frase ativa, a frase preposicional some.
Estes são os dois maiores sinais da voz passiva. Agora, uma vez que você as encontre, o que pode fazer a respeito delas? Este exercício pode ajudar a limpar seus textos da passiva em favor de uma linguagem mais sucinta e mais viva.
Dica de Combate:
Selecione uma página de um texto seu recente e circule todas as formas do verbo “ser.” Você descobrirá que há muito mais destes verbos do que você poderia imaginar! Então pegue uma caneta de cor diferente e circule todas as preposições que fazem parte de frases preposicionais.
Primeiro você vai revisar seu texto para eliminar a maioria das formas do verbo “ser.” Você só pode ter uma forma do verbo “ser” por parágrafo. O jeito mais fácil de tirá-los é virando a frase ao contrário de maneira que o objeto vire o sujeito, como fizemos no exemplo acima. Esta manobra força o descarte de “é,” “são,” “foi,’ ou “foram” e a inclusão de um verbo mais ativo e interessante.
Depois que tiver terminado, verá que além da eliminação daqueles infames verbos “ser” você também eliminou várias frases preposicionais. Agora dê uma olhada no que permanece circulado. Você pode livrar seu texto de mais algumas destas palavras? Talvez mude “o manto de Tordek” para “seu manto” ou “correndo em direção ao norte” para “correndo para o norte.” Seja criativo. Sua escrita ficará muito melhor de ler assim.
Publicação original em: Fantasy Writer’s Workshop, Gen Con 2001 Traduzido e publicado com a permissão do autor All content © 2004 Monte Cook.
|
|
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.
| Enviado por
| Tópico
|
| Maran-etama |
Publicado: 01/12/2004 13:42 Atualizado: 01/12/2004 13:42 |
Escudeiro   Usuário desde: 24/6/2004 Localidade: Nord Grippen, Etama Mensagens: 33 |
 Re: Perguntas para Criação de Mundos e os problemas da Voz P Comentando o ilustre Monte Cook na parte sobre escrita: um problema muito comum em português é chamado de "Queísmo", consistindo no uso incessante e enervante do pronome/advérbio/ preposição "que". Por exemplo: ..."e foi então que ele chegou ao altar, que estava coberto com um pano negro e roto, que deveria estar ali por anos e anos a fio..." Notem como a palavra foi utilizada. Pensem em vocês falando. Reproduzam sua fala. Verão que a linguagem falada é cheia de "quês", usados com o intuito de concatenar orações, frases, parágrafos e etc. Percebam como tentamos reproduzir a linguagem falada na escrita e notarão o uso excessivo, igualmente do famoso "aí". "E aí isto, e aí aquilo..." O indicado no uso do "que" é de um a cada cinco linhas no máximo. E verbos de ligação (não somente o verbo ser, mas também o estar, permanecer, ficar, tornar, e etc.) devem aparecer no máximo a cada três linhas. Depurem seus textos com as dicas acima e vocês verão "que" fica muito mais agradável. "Aí", "é" só aproveitar! Baldur Tyrondir, o Velho, filho de Harn, o Bom, neto de Olaf, o Venerável, bisneto de Hjelm II, o Sábio. Terceiro Guerreiro da Casa Real de Nord Grippen. Anão Guerreiro 10/Clérigo de Moradin 1/Futuro Matador-de-Dragões/Redentor dos Anões. Marãn-Etama: Forjando um mundo em guerra. Visitem: http://www.geocities.com/maranetama
|
|
|
|
|
|
|
|