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Arca: Contos : Almas Torturadas (cap XI) + Wallpaper
Enviado por RedeRPG em 14/11/2004 00:01:00 (2830 leituras) Notícias do mesmo autor
Arca: Contos

Por Newton "Nitro"
(Necropia / Grupo Sefirot )
Equipe REDERPG

No décimo-primeiro episódio de ALMAS TORTURADAS (Crônicas de Necropia) conhecemos Kasparov, o fiel parceiro de Vespa. Porém o famoso trambiqueiro de Yzael está em maus lençóis! Sir Deiphobus se perde em uma das áreas mais perigosas de Yzael apenas contando com Neko, seu fiel Necrophagi como companhia! Confira no mais novo episódio de "Almas Torturadas" escrito por Newton "Nitro". "Almas Torturadas" é uma novela seriada que mostra o cenário Necropia - Terra dos Mortos (http://planeta.terra.com.br/lazer/necropia/) do ponto de vista de seus habitantes. Temos também mais um wallpaper exclusivo, com Verótika, a atacante dos Degoladores Vermelhos.




Crônicas de Necropia:
"ALMAS TORTURADAS"
Cap.11 "Resgaste Terrível"

Escrito por Nitro (Newton Jr.)


Já haviam se muitas horas desde que Deiphobus deixou a Central para procurar Sati. Junto com Neko, o fiel cão Necrophagi, o Cavaleiro Matadeus andava pelas labirínticas ruas do centro de Yzael. Ele abordava pessoas, perguntava em tavernas e pardieiros, mas não recebia nenhuma informação sobre o paradeiro de Sati. A menina não tinha recebido a marca de escrava, era uma mortal sem-dono, perdida na cidade dos mortos. Deiphobus sabia que o primeiro Nor que a visse poderia exigir sua propriedade. E a cada minuto que passava, as chances de Deiphobus iam se reduzindo, o que fazia com que um desânimo misturado com raiva começava a inundar sua mente, como uma enchente nos esgotos de Yzael.

Concentrado em sua busca, Deiphobus não notou que estava entrando cada vez mais na periferia de Yzael, um bairro chamado Tanach, a região das gangues canibais de Yzael.

Na cultura dos mortos, Canibais eram considerados Nors primitivos, que não possuem classe e cedem ao impulso de comer carne humana (seja ela dos mortais Shem ou dos imortais Nor). Considerados renegados, muitos Nors escondem suas práticas canibalísticas dos demais, ocultando suas predileções especiais. Os que se assumem canibais perante a sociedade dos mortos sofrem graves conseqüências sociais, sendo renegados à postos menores dentro da estrutura das necrópoles. Isto faz com que muitos dos canibais acabam adotando um estilo de vida marginal, se concentrando na periferia das Necrópoles, lugares sem lei onde caçam vivos e mortos para saciar seus apetites. Os governos das necrópoles enviam periodicamente destacamentos de guerreiros e paladinos para lidar com as gangues, principalmente depois que as atividades das gangues canibais acabam gerando reclamações e preocupações na elite morto-viva da região. Mas normalmente, enquanto as gangues canibais ficassem em seus territórios, sem perturbar a vida dos cidadãos da metrópole, eles eram deixados em paz, com uma distribuição ocasional de escravos vivos condenados para saciar a sua fome.

Foi o rosnado de Neko que alertou Deiphobus que ele estava cercado. O bairro Tanach era um amontoado de barracos e casas feitas do lixo de Yzael, construídas umas em cima das outras, em montes caóticos e desorganizados. Os caminhos que serpenteavam por toda Tanach eram estreitos, ladeados pelos amontoados de lixo que serviam de moradia para os canibais. Sir Deiphobus olhou em torno e viu várias silhuetas saindo das janelas e portas dos barracos amontoados. Era o início da tarde em Yzael, e a fraca luz emitida por Shemesh, o Sol Agonizante, fazia com que local ficasse imerso em uma penumbra escura. As slhuetas, em sua maioria criaturas completamente sujas e envolta em trapos, olhavam para Deiphobus, com seus olhos vermelhos brilhantes.

Essa era uma característica dos Canibais. Ao longo dos anos, sua prática de se alimentar de vivos e dos mortos faziam com que seus olhos adquirissem uma coloração e um brilho avermelhado, fruto da mistura da energia vital dos vivos e a energia necrópica que anima os mortos de Ereth. Muitos membros respeitáveis das elites das necrópoles usavam amuletos e poções para esconder esses efeitos do canibalismo, para evitar a rejeição de seus pares, porém ali, no meio da parte mais pobre de Yzael, os Canibais não tinham nenhuma preocupação de esconder seu vício.

Sir Deiphobus sabia que não adiantava investigar no bairro Tanach. Se Sati tivesse fugido para esse lugar, ela já estaria morta à muito tempo. Ele olhou para o caminho por onde tinha entrado, que agora estava repleto de um grupo de Canibais esfarrapados. Não pareciam pertencer a nenhuma gangue específica, eram rejeitados, Canibais miseráveis e loucos que viviam e se proliferavam nas montanhas de lixo de Tanach. Eles se aproximavam vagarosamente, interrompendo seu movimento todas as vezes que Neko soltava urros de ódio. Pareciam temer mais o Necrophagi do que Sir Deiphobus. O Cavaleiro Matadeus, vendo que os Canibais estavam decididos a não deixá-lo ir embora, gritou:

__Vamos logo miseráveis! Não tenho o dia inteiro!

Com um grito, os Canibais atacaram Sir Deiphobus vindo de todos os lados.


* * * *

Sati devorava a maçã que Vespa roubara no Mercado das Carnes. Os dois estavam no alto de uma árvore, dentro do Parque Habmorot, que fica no sudoeste de Yzael. Criado por Lorde Thaumiel em 100 D.K. para celebrar o primeiro século do Império dos Mortos, o parque possupía uma floresta de árvores e plantas Nor, versões morto-vivas de suas contrapartes. A vegetação de coloração negra e cinzenta se espalhava pelo parque, entre monumentos aos heróis da Legião Imortal, o grande anfiteatro Eidonlon, e a Coleção Real de Feras, uma série de jaulas onde aberrações primevas capturadas com vida pelas tropas de Cavaleiros Matadeus de Yzael eram expostos ao público .

A Coleção Real era uma forma do Império mostrar seu poder para seus súditos, e fazia com que o Parque Hamorot fosse uma das maiores atrações turísticas de Yzael. O enorme tamanho do parque e o constante fluxo de forasteiros fizeram com que Vespa usasse as copas das árvores como um lugar de descanso de suas freqüentes escapadas. A Guarda Óssea quase nunca patrulhava o Parque ostensivamente, pelo menos não nas partes mais densas da floresta morta. Os Ósseos, os esqueletos guerreiros da milícia, concentravam-se mais nos visitantes da Coleção Real de Feras, observando a atividade de ladinos que se aproveitavam da ingenuidade dos forasteiros para "aliviar" suas bolsas.

__Você estava mesmo com fome, menina.__exclamou Vespa enquanto jogava mais uma mação para a jovem bárbara.

Sati respondeu que sim com um movimento de sua cabeça, enquanto devorava a segunda maçã. Ela estava sentanda em um galho largo e robusto. A casca da árvore era negra como o carvão, e suas folhas tinham cor cinza. A árvore já devia ter sido viva, mas a influência de Ktonor, o buraco negro que devora lentamente o Sol Agonizante, transformara sua essência.

__Acho melhor passarmos a noite aqui mesmo. Amanhã eu te levo até a Mansão dos Codorvero, e pego a minha recompensa.

Sati parou de comer e olhou para Vespa. O Bajim tirou do bolso algo que parecia com um pequeno lagarto defumado e mordeu sua cabeça, mastigando com vontade.
__Eu queria voltar para a minha tribo.__murmurou Sati.

Vespa olhou para ela e depois de engolir o pedaço de lagarto defumado que estava mastigando, comentou:

__Esqueça menina. Mortais só saem de uma necrópole de duas maneiras: se seus mestres os levam para passear ou se esqueceram de dar os seus ossos para os Macrophagis dos esgotos. Não existe outro jeito, Yzael é a necrópole que tem a maior concentração de caçadores de escravos por metro quadrado, se você sair da cidade não vai conseguir andar dez metros sem chamar atenção de um Caçador de Escravos. Você vai ficar aqui por um bom tempo, garota.

A raiva que estava escondida em no meio do medo que Sati sentia da sua situação, explodiu de uma só vez, alimentada pelas palavras sem esperança de Vespa:

__Eu odeio isso tudo! Mas fui muito burra, muito burra de sair do Submundo! Droga! DROOOGA!

___Shhhhhh! Não grite sua doida! Shhhhhhh! Estamos escondidos, não se lembra?

Sai calou-se, mordendo o lábio inferior para tentar controlar a raiva que sentia. Vespa tentou acalmar a jovem bárbara:

__Calma, calma menina. Existem outros meios para você voltar para sua tribo. Mas para isso acontecer, você tem que aprender a jogar a Dança Macabra.

__O que é isso?__ perguntou Sati, a curiosidade acalmando-a.

__A Dança Macabra é o jogo político da Necropia, as leis dos mortos. É o modo como você consegue adquirir poder dentro da sociedade dos mortos. É o desfilar das mentiras, intrigas, chantagens, alianças, que fazem a diferença entre os que fracassam e os que são bem sucedidos nas necrópoles. E no momento, Sati, você deve voltar para o seu mestre. Sozinha, você não conseguirá sobreviver muito tempo em Yzael. Porém se você souber agir direitinho, você poderá usar o seu mestre para seus objetivos. É assim que os Shems mais inteligentes fazem. Foi assim que eu fiz para conquistar minha liberdade. Mas a gente conversa mais sobre isso mais tarde, estou muito cansado.

Com esta palavras, Vespa se recostou em um dos galho e colocou seu capuz sobre seus olhos. Sati tinha muitas perguntas para fazer, mas ao ver Vespa se recostando, ela se deu conta que também estava completamente exaurida. A jovem bárbara do Clâ da Garra Negra se recostou no enorme galho, e fechou os olhos.


* * * *

Kasparov Vodskah corria pelas estreitas ruas do Bairro Ivri, um complexo de várias oficinas de artesãos, ferreiros, costureiros, entre outros ofícios que faziam parte da sociedade de Yzael. Aos gritos de "dá licença!", o guerreiro de aparência suja, rosto coberto por uma barba negra, e uma maneira de andar que indicava sua preferência pela "breja" a famosa bebida de Necropia. Os cabelos negros e desgrenhados combinados com suas espessas sobrancelhas davam um aspecto rude ao malandro, e contrastavam com sua habilidade impressionante de desviar das pessoas e das barracas dos artesãos espalhadas pelas ruas de Ivri.

__Corre seu cão sarnento!__ gritava Kasparov para si mesmo. Os Guardas Ósseos que estavam no seu encalce o tinham surpreendido no quarto de Lailith, uma das garotas da Madame Martie, no Beco do Pecado. Kasparov tinha pulado pela janela teria quebrado seus joelhos se não fosse o telhado de madeira da entrada da taverna Yochai, o estabelecimento de fama duvidosa de Martie. A partir dali foi uma correria só.

Existiam muitos motivos para que os Ósseos estivessem atrás de Kasparov. Jogador experiente de Davka, o viciante jogo de cartas de Necropia, trambiqueiro profissional, mercenário de aluguel e faz-tudo do submundo, Kasparov tinha tantos inimigos que nem mais lembrava de seus nomes. Ele e seu parceiro Vespa construíram uma grande reputação no mundo criminoso de Yzael, e chegaram até a serem convidados para cargos importantes dentro da Guilda de Kaifás, um dos maiores criminosos da necrópole. Porém, a cobiça, a velha companheira de Kasparov, fez com que ele e Vespa roubassem o maior tesouro do obeso Kaifás, o Olho Rubro de Adserak, um rubi do tamanho de um punho humano. E agora ele era um fugitivo, com a cabeça a prêmio entre os criminosos de Yzael.

Mas será que Kaifás havia colocado a Guarda Óssea atrás dele também? Kasparov duvidava que o velho zumbi tinha tanto poder assim, mas como ele e a lei nunca se deram bem, assim que viu os esqueletos guerreiros entrarem no seu quarto não teve dúvida: ele deu no pé.

Kasparov corria como se sua vida dependesse disso. Ele sabia que sua tatuagem falsificada de gentio (os vivos alforriados de Necropia) não iria servir nesse momento. Ele tinha que correr e despistar os esqueletos, pensava, enquanto pulava por cima de um vendedor ambulante de esporões corporais.

Mas Netzach, o Sefira da Sorte, não estava sorrindo para ele naquele momento. Ao virar uma esquina, ele sentiu um forte impacto em seu peito. Kasparov caiu para trás, completamente zonzo. Os Guardas Ósseos chegaram imediatamente, encostado a ponta de suas lanças no pescoço do guerreiro barbudo. Kasparov, ainda com a visão turva pelo impacto, viu um enorme guerreiro nor,surgindo por detrás da esquina onde tinha tentado passar.

Ele era um gigante, com um corpo coberto por uma armadura feita de couro negro e metal entrelaçado, com várias lâminas surgindo por todos os lados, encravadas em seu corpo. Ele tinha um rosto fechado, com um cabelo negro preso em um rabo de cavalo, e olhos finos, como dois pequenos rasgos negros em uma face pálida. Ele ainda estava com a espada em riste, parado no movimento que tinha feito para derrubar Kasparov, e o guerreiro barbudo soltou um suspiro de alívio ao ver que ele não tinha usado o fio da espada. Se bem que se ele tivesse usado, teria sido uma morte indolor; seria muito melhor ser partido ao meio do que ficar nas mãos de algum Torturador Oficial da Guarda Óssea. Olhando para o gigante, Kasparov teve a sensação que já o tinha visto antes.

__Bem, parece que pegamos um rato muito malcheiroso.__ exclamou uma voz feminina e sensual vindo de trás do enorme guerreiro Nor.

Kasparov tentou murmurar, levantando as mãos:

__Ei... manerem aí...Você já me pegaram...

Ele parou ao ver a dona da voz. Ele reconheceu imediatamente os longos cabelos vermelho-escuros, a pele alva, o corpo escultural, e o andar majestoso. Era a estrela dos Degoladores Vermelhos, Verotika! Ele sabia disso muito bem, pois sempre que podia, fazia e coordenava apostas ilegais para as partidas de Necrobol. E se ela era a Verótika, o gigante que o derrubou devia ser Katsuchiyo, a grande revelação dos Degoladores! Mas o que eles estavam fazendo com uma tropa de Ósseos? De qualquer forma, de uma coisa Kasparov tinha certeza: ele iria precisar de toda sua lábia para sair com vida dessa encrenca!

Os Guardas Ósseos colocaram Kasparov de pé, sem nenhuma cerimônia. Verótika se aproximou e, roçando suas afiadas unhas de metal no rosto de Kasparov disse:

__Agora, ladrãozinho. Escute bem. Os Ósseos capturaram dois capangas do Kaifás no Mercado das Carnes que disseram que o seu parceiro, um baijim chamado Vespa da Noite foi visto junto com uma das minhas escravas fugidas.

__Mas eu nem sei quem é esse Vespaaaaaagghhh!!!!__ gritou Kasparov, no momento em que Verótika cortava o lado direito do seu rosto, um pouco acima de sua espessa barba negra.

__Você sabe sim e você vai me levar até ele. Vou perguntar de novo, onde posso encontrar esse tal de Vespa da Noite?

E mais uma vez, Verótika cortava o rosto de Kasparov, que gritava ante o olhar impassível de Katsuchiyo e o sorriso eterno dos Guardas Ósseos.

(continua)



Para ler o Capítulo 1 basta clicar nesse link:
http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=1405

Para ler o Capítulo 2 basta clicar nesse link:
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Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.
Enviado por Tópico
Bilbo
Publicado: 14/11/2004 15:57  Atualizado: 14/11/2004 15:57
Campeão
Usuário desde: 06/9/2003
Localidade: Brasília
Mensagens: 252
 Re: Almas Torturadas (cap XI) + Wallpaper
Olá, Prof. Nitro! Não tenho acompanhado o "Almas Torturadas", embora sempre leia os resuminhos acima dos capítulos da novela (o que até me dá vontade de lê-los!), mas tenho que comentar, aqui, que achei esse papel de parede espetacular!
(Embora eu não vá usá-lo em meu PC. É que eu sou mais chegado a graminhas verdes, céus azuis e cavalos brancos andando por aí - aliás, o motivo por que eu não acompanho "Almas Torturadas". )Maaasss... Quem montou o papel de parede? Isso é uma fotografia trabalhada? Quem seria a modelo de Verótika? (Aliás, bom nome! )
'Bração, professor!
Nitro
Publicado: 14/11/2004 22:32  Atualizado: 14/11/2004 22:32
Mestre do Jogo
Usuário desde: 30/9/2003
Localidade: Belo Horizonte
Mensagens: 159
 Re: Almas Torturadas (cap XI) + Wallpaper
A modelo é uma amiga minha da internet. Ela é inglesa. Eu mesmo fiz o wallpaper, com efeitos no photoshop. E espero que você leia os capítulos!

Um abraço do Nitro
www.nitro.blogger.com.br
kalango
Publicado: 15/11/2004 13:31  Atualizado: 15/11/2004 13:31
Escudeiro
Usuário desde: 17/9/2003
Localidade:
Mensagens: 2
 Re: Almas Torturadas (cap XI) + Wallpaper
PARABÉNS Nitro!!! Mais um belo cap. desta saga que acompanho desde o início, ficou muito bom mesmo, só senti falta de maiores detalhes sobre os primevos do parque, a ultima descrição de um desses ae foi no cap. onde Sir Deiphobus encontra Sati.

Abração e Parabéns novamente
Kalango
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