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Concurso Raças: Draconato
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Arca: Contos : Almas Torturadas (cap. XV) + Wallpaper D20 Saga 6
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| Enviado por RedeRPG em 27/02/2005 00:01:00 (3927 leituras) Notícias do mesmo autor |
 
Muito suspense nesse episódio de Crônicas de Necropia: “Almas Torturadas”. O que acontecerá com o ladrão Vespa da Noite, seu companheiro Kasparov e o enorme Sardukar, como um dos escravos dos Degoladores de Yzael? E qual é o segredo de Verótika? O que Deiphobus planeja fazer com Sati? Além do episódio temos um wallpaper especial de brinde, pelo lançamento da D20 Saga 6 (http://www.manticora.com.br/d20saga1/index.asp) com a aventura “A Invasão de Necropia”. O wallpaper, feito por Leo Rodrigues do Grupo Sefirot (www.nitro.blogger.com.br) com arte de Nitro e cores de Fábio Akio, é uma ilustração de Sir Deiphobus que ilustra a sessão Miscelânea da D20 Saga 6, junto com a descrição da Classe de Prestígio “Cavaleiro Matadeus”.
Crônicas de Necropia: "ALMAS TORTURADAS" Cap.15 "Treinamento
Escrito por Nitro (Newton Jr.) Um enorme e obeso Carniçal se aproximou da jaula onde estavam Vespa, Kasparov e o Mordenkai Sardukar, junto com outras dezenas de escravos. O local estava imundo, e já haviam alguns cadáveres dos escravos que não conseguiram sobreviver ao encarceramento. Eles não tinham sido alimentados por mais de dois dias. Vespa só tinha conseguido sobreviver por causa da ração que escondera em um bolso secreto no interior de sua roupa. Ele tinha sido revistado, porém, só um Baijim pode perceber o que outro Baijim esconde em seus incontáveis bolsos secretos. Vespa pensou em usar a ração apenas para si, mas resolvera dividir com seu velho companheiro Kasparov e com Sardukar, o enorme Mordenkai. Ele ainda tinha esperança que eles o ajudariam em uma fuga. Entretanto, mesmo depois de estudar a enorme jaula por muitas horas (esforçando-se para se concentrar em meio aos gemidos e ao fedor dos escravos amontoados), não via possibilidade de fugir do lugar. As senzalas dos times de necrobol eram locais completamente fechados. Eles estavam na senzala do mais famoso time de Yzael, onde uma fuga seria impossível.
Na manhã seguinte ao dia em que foram capturados por Verótika, Vespa acordou com um banho gelado de água fedorenta. Os servos-carniçais dos Degoladores de Yzael estavam jogando baldes de água imunda e malcheirosa nos prisioneiros, fazendo-os acordar. Eles estavam acompanhados por três enormes Garfagis, uma espécie de golem morto-vivo criado pelos necroaquimistas para servir de soldados e seguranças para os Nors mais ricos. Essas criaturas sem alma ou inteligência eram enormes e extremamente fortes, tinham enormes garras metálicas presas em suas mãos gigantes. Essas garras eram capazes de cortar um homem em duas partes com um único movimento. Além disso, os Garfagis também possuíam enormes mandíbulas de metal que usavam como arma de combate, rasgando armaduras como se fossem feitas de manteiga. Somente a sua presença intimidava a todos dentro da jaula. Menos ao Mordenkai.
Sardukar olhava fixo para os três Garfagis enquanto os dois servos-carniçais jogavam a água imunda nos escravos. Vespa sentiu seu sangue gelar: será que Sardukar estava pensando em atacar os Garfagis para tentar fugir? Uma ação destas causaria a morte de todos, e Vespa não confiava tanto em sua sorte para conseguir escapar com vida do caos que aconteceria. Os Garfagis tinham a fama de exagerar quando entravam em modo de combate, e os dois idiotas dos servos-carniçais que estavam com eles não iriam conseguir controlá-los. Pelo que Vespa já tinha visto em suas andanças por Yzael, os Garfagis iriam acabar matando até mesmo os dois servos carniçais. Apenas necromantes, necroarcanos ou necroalquimistas eram capazes de controlar totalmente um Garfagi.
Vespa se aproximou silenciosamente de Sardukar e murmurou:
_Não faça nada, cara, ou a gente ta morto.
Sardukar olhou para ele. Seus dois olhos amarelos pareciam brilhar com uma fúria contida. O seu rosto, com a característica máscara óssea dos Mordenkai, se virou para Vespa. O baijim engolindo seco, quase não prestou atenção quando Sardukar respondeu com uma voz gutural:
__Tudo bem pequenino. Mas se lembre que se vocês fugirem, eu vou junto. Senão...
__Eu sei, eu sei...__respondeu Vespa. E colocando um dedo na boca, o pequeno ladrão pediu silêncio para Sardukar, tentando prestar atenção no que os servos-carniçais estavam falando.
__É, parece que temos uns quatro presuntos hoje.__disse o servo-carniçal olhando para os escravos que continuavam deitados no chão, mesmo depois de molhados com a água fétida.__Fazer o que, o jeito é devorar...ou melhor, levar para os Necrofagis da guarda comerem.
O servo carniçal era magro e fino como um bambu. Sua pele era marrom como um couro curtido e seus ossos finos saiam nas extremidades pontudas de seu corpo. Ele possuía uma boca enorme, aberrante, que se abria até o meio de seu peito. Isso distorcia sua voz, que parecia oca e abafada, como a de um gordo comerciante de corpos. Vespa já tinha visto outros carniçais como este no passado. Era um digestori, um carniçal devorador. Esses mortos-vivos tinham um apetite insaciável e eram capazes de aumentar o tamanho de suas bocas para engolir até mesmo um cavalo inteiro. São criaturas trágicas, pois nunca conseguem satisfazer sua fome.
Assim que os Garfagis retiraram os corpos, o digestori continuou: __ Escravos! Sintam-se felizes por estarem aqui! Aqueles que sobreviverem ao treinamento terão a honra de participarem do melhor time de Necrobol de Yzael, os Degoladores. Na última partida perdemos todos dos integrantes da nossa Barreira e precisamos urgentemente de repor as perdas. Para aqueles escravos ignorantes que não sabem, a Barreira é a posição concedida generosamente pelos Senhores dos Mortos os vivos participarem do sagrado esporte do Necrobol. Vocês serão a última linha de defesa frente ao ataque do time inimigo, e a sua função é retardar os atacantes até que os jogadores do nosso time possam retornar para recuperar a Bola de Espinhos. E quem sabe, alguns de vocês podem até mesmo se tornarem estrelas, e passarem para o time principal, o que quase nunca acontece!
Os dois servos-carniçais caíram na gargalhada enquanto se divertiam ao ver os rostos assustados dos escravos. Eles não olharam para Sardukar, é claro.
Os Garfagis começaram a empurrar os prisioneiros para a saída da jaula. Vespa quase caiu no chão gosmento da senzala depois de esbarrar na perna de um dos Garfagis, mas Kasparov e Sardukar se anteciparam e saíram da cela sem serem empurrados. O digestori continuava a falar:
__ A partir de hoje vamos ter uma espécie de treinamento e seleção dos melhores para a Barreira. A final do campeonato é daqui a quatro dias, assim, vocês não tem muito tempo para aprenderem as regras. Se bem, que um jogador da Barreira só precisa saber de uma coisa: não deixem a Bola passar! AHAHAHAHAHA!
Vespa, junto com os demais escravos, foi levado através de vários corredores de pedra até uma enorme arena, no centro de uma construção circular com arquibancadas. O local era todo feito de granito, e o chão tinha centenas de manchas negras. Vespa sabia o que era. Aquilo era sangue, muito sangue que fora derramado no lugar. Sangue vermelho dos vivos e o sangue negro dos mortos. Havia uma grande chance de que ele não iria sobreviver por muito tempo naquele local.
Os escravos se amontoaram no centro da enorme arena, enquanto um pequeno servo-carniçal, quase do mesmo tamanho que Vespa, passava por entre os escravos com um enorme pincel, que molhava alternadamente em dois vasos de cerâmica amarrados em suas costas. Os dois vasos transbordavam um pouco as tintas que continham. Um continha uma tinta azul enquanto outro continha tinta vermelha. Assim que ficava na frente de um dos escravos, ele molhava o pincel em um dos vasos e passava no peito do indivíduo, alternando entre o azul e o vermelho. O pequeno servo-carniçal , um verminal pequeno e careca, só hesitou quando pintou Sardukar de vermelho. O mordenkai segurou o punho do verminal, ao ponto de fazer vários vermes saírem por buracos do braço do morto-vivo, mas em seguida deixou ser pintado com a cor vermelha. Vespa, que tinha notado rapidamente o que estava acontecendo, empurrou Kasparov para que ele também pegasse a cor vermelha. Ele também se posicionou para pegar a cor vermelha, aproveitando a alternância feita pelo pequeno verminal .Porém, quando chegou a sua vez, o digestori, que estava observando tudo da arquibancada da arena, disse:
__Não, Talogh, esse não vai ser vermelho não. Ele se acha muito esperto ao tentar colocar todos os seus companheiros com uma só cor, hehehe. Ele vai ser azul!
Vespa quase gritou de frustração, enquanto o verminal passava a cor azul em seu rosto. Ele era o último dos escravos a ser pintado. Assim que terminou, o pequeno e pálido verminal se retirou da arena e foi em direção à um dos Garfagis. Este Garfagi estava segurando uma enorme caixa de madeira. Os dois retornaram para a arena e deixaram a caixa na frente dos escravos. O Garfagi abriu a caixa e Vespa pode ver que ela estava cheia de armas gastas e velhas. Eram espadas enferrujadas, lanças meio quebradas, tridentes tortos, correntes sujas e gastas, etc. O Garfagi pegou a caixa e a virou, jogando todas as armas no chão da arena, enquanto o pequeno verminal dizia:
__Tem uma arma para cada um aqui. Cada um de vocês deve escolher uma arma para si.
Logo em seguida, os dois saíram da arena, enquanto os escravos lutavam para pegar as melhores armas. Vespa, com a rapidez característica de um baijim, catou uma espada longa para Kasparov e duas adagas para si. Ele sabia o que estava para acontecer e queria se prevenir, mesmo que um dos outros escravos ficasse sem uma arma.
Porém essa preocupação era inútil, pois Sardukar nem olhava para as armas. Com o orgulho característico dos mordenkais selvagens, ele apenas sacou dos seus cotovelos, as duas lâminas que sua raça trazia de nascença. Elas eram enormes, e refletiam a luz fraca de Shemesh, o Sol Agonizante de Necropia.
O digestori depois de ver todos os escravos com as armas disse, ecoando as expectativas de Vespa:
__Agora vocês irão lutar entre si até a morte! Queremos apenas os melhores, porém também queremos ver como vocês trabalham em equipe. Como temos trinta escravos e precisamos de dez, essa arena será a última coisa que vinte de vocês verá. São quinze no time vermelho e quinze no time azul, e o objetivo de cada time é exterminar totalmente o outro time. Assim que eu tiver dez sobreviventes, nós terminamos essa seleção. Um detalhe: se um dos times ficar com quinze sobreviventes, vocês terão que lutar entre si até restar dez. E quem não lutar terá um encontro com um desses Garfagis aqui!
Vespa olhou para Kasparov. Seu velho companheiro estava triste, e desviou o olhar da direção do baijim. Vespa sabia que estava sozinho.
__COMECEM!__ gritou o digestori, enquanto sua enorme boca sorria com o prazer que os mortos sentem aos verem os vivos prestes a se tornarem um deles.
* * *
Sati havia passado o dia todo na mansão dos Codorvero. Ela perambulou pelos enormes quartos da mansão, sob o olhar vigilante de Odda, a velha serva-carniçal da família do Barão Ferthus. A governanta ficava sempre perto de Sati, e a jovem acabou ficando impaciente:
__O que você quer, senhora?
__Devarim Sati, a senhorita não deve sair dos aposentos do mestre Deiphobus. Essas foram as ordens, senhorita.
__Ordens de quem?
__Do mestre Deiphobus.
Sati olhou para a escadaria que levava aos andares superiores da mansão. Ela olhou para Odda. Os olhos embranquecidos da velha a fitavam sem muita emoção. Sua pele era seca e acinzentada, como os cadáveres que ficam a muito tempo dentro de um sarcófago. Ela estava vestida como uma criada, com um avental branco por cima de um vestido de veludo negro. Todos os criados da casa usavam essa espécie de uniforme, e Verótika fazia questão que estivessem sempre impecáveis. Várias vezes, a vaidosa capitã dos Degoladores de Yzael já espancou servos que apareceram com alguma mancha em seus uniformes. Mas Odda era uma velha serviçal dos Codorvero, a mais antiga da casa. Ela sabia como ninguém como agradar seus mestres.
Mas a presença da menina havia alterado a harmonia da mansão dos Codorvero, uma harmonia que Odda tinha levado anos para construir. Mas, apesar das perturbações na ordem normal da mansão, Odda não sentia raiva da pequena Devarim de Sir Deiphobus. Sati parecia estar trazendo um novo astral para o lugar. Para a shem, tudo era novo, tudo parecia assombroso e interessante. E Odda não tinha visto Deiphobus tão animado desde a morte de Esther... Pensando bem, Sati parecia com a pobre abominação que dividiu os Codorveros. Deiphobus havia encontrado novamente a sua filha, em outro corpo.
Mas a Devarim não iria durar muito com essa curiosidade. Assim como Verótika tinha feito de tudo para acabar com Esther, Odda tinha certeza que sua senhora não estava feliz com a presença de Sati na casa. E a menina ainda queria subir até os aposentos dela! Os outros servos da casa haviam falado que viram Verótika levar a menina para a senzala dos subterrâneos da mansão, antes que Deiphobus tivesse chegado. Eles também falaram que escutaram gritos horrendos vindos da senzala, gritos da pequena Devarim. Porém, a menina não parecia estar abalada e agia como se nada tivesse. Isso despertava a curiosidade da governanta, mas Odda sabia que, mesmo servindo os Codorvero por mais de 200 anos, ela não devia interferir no que acontecia na casa. Bem, pelo menos não diretamente.
__Não suba por essa escada, Devarim Sati. Lá em cima estão os aposentos da senhora Verótika e do Barão Ferthus. A senhora Verótika não deixa ninguém subir até lá. Além do mais é muito perigoso. Ela tem armadilhas...bem, não interessa. Além do mais, ela pode chegar a qualquer momento, visto que não dormiu na mansão ontem a noite...
__ Ela não dormiu na mansão, Odda? __ perguntou Sati. A jovem bárbara do Clã da Garra Negra chegou a estranhar o modo como falou tão naturalmente o nome da velha carniçal. Havia algo naquela criatura que a deixava tranqüila, pela primeira vez desde que chegara ao mundo da superfície. Ela lembrava os anciões de sua tribo, com seu jeito lento e calmo de falar. Com a diferença de que estava morta, é claro.
__ Sim, mas acho melhor a senhorita esquecer que eu lhe disse isso. A senhora Verótika tem muitos segredos senhorita. Eu sempre tenho que pedir permissão para ela quando desejo limpar os seus aposentos. E eu estou falando demais. Por favor, senhorita, volte para os aposentos do senhor Deiphobus.
Sati cruzou os braços e apertou os lábios, em uma expressão de cansaço.
__Eu tenho que ir mesmo? Não tem nada para fazer lá, e meu ombro ainda está doendo muito...
Odda teve uma idéia:
__Devarim, estou indo para a cozinha agora. Vou preparar o jantar da casa. Você pode me ajudar, se quiser.
__Err... os mortos comem?__ perguntou Sati, com uma pontada de medo.
__Sim, mas não como vocês vivos. Os Nors se alimentam por prazer, apenas para satisfazer seus desejos. Ktonor, o Sol Negro, os supre com toda a energia que precisam. E a comida tem que ser feita especialmente para eles. Eles adoram sangue de criaturas vivas, sabe? Eles também comem especiarias estranhas, animais bizarros preparados de maneiro como se estivessem sido recentemente abatidos. Não é uma visão bonita para vivos como você. Mas isso são os Nors; nós, os Carniçais, somos diferentes.
Sati engoliu seco. Odda continuou:
__Os hábitos alimentares dos Carniçais variam muito. Eu, por exemplo, sou uma regeniari e não tenho nenhum desejo de me alimentar. Meu corpo se recompõe por si só. Mas existem muitos outros tipos, que até mesmo se alimentam de cérebros de vivos...
Sati contorceu o rosto em uma expressão de nojo. Odda sorriu.
__Não se preocupe que aqui na mansão não tem nenhum destes. Venha comigo para a cozinha e me ajude um pouco. Você vai conhecer as outras servas da mansão. Elas são mortais como você.
Com uma certa hesitação, Sati acompanhou Odda para a cozinha.
* * * Mizza sorriu ao ver seu líder Deiphobus cortando um dos tentáculos do segundo Verme Kumariano que encontraram naquele dia. Esse era muito maior que o primeiro, e estava dando muito trabalho. Se estivessem sem Deiphobus, provavelmente já teriam desistido de matá-lo. Ou já estariam destruídos. Mas com Deiphobus ao lado, eles eram invencíveis. Pelo menos era isso que o Nor acreditava.
Os "Cães Raivosos" se transformavam em uma máquina de caçar Primevos quando estavam com seu líder. Deiphobus os tinha transformado em um dos mais requisitados grupos de Caçadores da Ordem Matadeus de Yzael. Os demais membros do “Cães Raivosos” também pareciam contentes com a volta de seu líder. Até mesmo o soturno lich Aborr parecia sorrir enquanto invocava suas magias necromânticas contra o Verme Kumariano.
Mas mesmo assim precisavam se concentrar na caça. Vermes Kumarianos eram criaturas poderosas, e jamais tinham sido vistos tão próximos da capital. Eram comuns apenas nos Campos da Morte, a extensa fronteira de guerra entre os reinos de Yzael e o reino dos Primevos, Kumar. Lá, os Vermes eram muitas vezes usados pelos guerreiros kumarianos como montarias. Porém, Vermes Kumarianos selvagens jamais adentravam as terras dos mortos. Pelo menos era isso que se imaginava.
A nithiana Tizz’tac atacava pela retaguarda, usando sua grande agilidade de inseto para desviar dos tentáculos e atingir a criatura com sua lança de chifres. A carapaça verde escura que envolvia seu corpo a protegia como uma armadura. Seus olhos multifacetados e suas antenas, lhe conferiam uma habilidade quase sobrenatural para prever os ataques de seus inimigos. Mas o Verme era muito forte para a nithiana.
Depois de alguns golpes ela pulou para trás e invocou uma nuvem de gafanhotos nithianos em torno do Verme Kumariano. O monstro urrou de dor ao mesmo tempo que a nuvem de gafanhotos nithianos devorava sua pele. Porém, os seus tentáculos começaram a brilhar com uma luz azul intensa para logo em seguida liberar uma seqüência de raios que percorriam seu corpo, matando os insetos que o atacavam. Infelizmente o ravidiano Nahat, que estava com sua espada cravada no dorso direito da criatura, recebeu toda a carga do relâmpago, sendo jogado , fumegando, há muito metros de distância do combate. O pelo marrom que cobria todo o seu corpo ficou espetado, arrepiado como o de um gato molhado que acabou de se secar.
__Tizz’tac, corra até Nahat e use uma de suas poções de cura!
__Gentios são muito frágeis!__ comentou o lich Aborr, enquanto via seu amuleto de proteção desviar o ataque de um dos tentáculos da criatura. Aborr tinha sido contra a entrada de Nahat no grupo. Nahat era um gentio, um vivo alforriado. A presença de um gentio em um dos melhores grupos de Caçadores da Ordem Matadeus causava desconforto em muitos Nors e mortos-vivos. Aborr era um deles.
__Cale –se Aborr e faça algo de útil! Aumente a minha força mago, seguindo aquela manobra que treinamos! __gritou Deiphobus, enquanto se posicionava na frente do Verme Kumariano. A criatura já estava muito fraca, depois de todos os ataques que sofrera.
__Vou terminar logo com isso!__ exclamou Deiphobus, ao mesmo tempo em que Aborr exclamava as palavras mágicas da Biomancia, a arte de manipular corpos. Apesar do seu foco na Necromancia, Aborr havia se interessado pela Biomancia a pedido de Deiphobus. O velho lich tinha uma dívida com o Cavaleiro Matadeus por ter sido poupado durante a Rebelião dos Liches, e aquela era a forma de saldar. Afinal, Deiphobus havia salvo a sua não-vida.
Deiphobus sentiu seus músculos se modificando, aumentando de tamanho e de força. Alguns anéis de metal da sua armadura começaram a entortar sob a pressão dos músculos inchados. O cavaleiro fechou os olhos por um instante enquanto invocava a fúria que guardava para os momentos cruciais dos combates. Era uma habilidade que ele tinha recebido depois do terrível treinamento que sofrera para entrar na Ordem. A Fúria Matadeus era uma das mais importantes qualidades dos Cavaleiros Matadeus, além de ser parte do segredo de sua fama como guerreiros mortais. Deiphobus sabia que a Fúria Matadeus junto com sua fiel espada Mutiladora, somada à magia de Aborr seria devastador. O problema era que ele só teria uma única chance, pois após os efeitos da magia e da sua fúria, ele não seria páreo para o Verme Kumariano.
Sir Deiphobus partiu para cima do Verme Kumariano, aproveitando os novos músculos que surgiram em suas pernas para se lançar a mais de vinte metros no ar. Os demais procuravam distrair o monstro, enquanto Deiphobus posicionava a Mutiladora para baixo, em direção ao Verme. A Mutiladora vibrava violentamente, com os dentes metálicos percorrendo toda a extensão da lâmina. Deiphobus sentia seu sangue fervendo com a Fúria Matadeus, e deixou seu peso o levar em direção ao monstro. As suas veias, repleta do sangue negro dos Nors, pareciam querer explodir de tanta energia necrópica que tinham acumulado, tudo para culminar em um único golpe devastador.
Porém no último momento, o gigantesco Verme se virou para cima e abriu sua bocarra, como uma flor carnívora vinda do inferno.
“Maldição!”, pensou Deiphobus, no instante em que caia dentro da boca do Verme. Porém seus instintos de caçador falaram mais alto do que seus pensamentos, e seu corpo levantou violentamente a Mutiladora em um arco ascendente. Ao chegar ao chão, dentro do corpo da criatura, Deiphobus aproveitou a inércia do movimento para fazer um giro circular com a Mutiladora.
O resultado foi espetacular! Com a violência do golpe, o Verme praticamente explodiu, jogando pedaços gordurosos para todos os lados, banhando Deiphobus com um sangue verde fosforescente. O sangue, como de todo primevo, queimou sua pele como um ácido.
Os Primevos, por um capricho dos deuses, eram os únicos capazes de causar dor nos Nors. Seu sangue era venenoso, suas garras cortavam e deixavam cicatrizes que não podiam ser regeneradas, ou seja, eram a antítese dos Senhores dos Mortos.
Assim que o sangue do Verme Kumariano banhou Sir Deiphobus, o cavaleiro foi completamente envolvido pelo vapor de sua própria pele sendo corroída. Mas mesmo em meio à dor, Deiphobus estava contente. Era o segundo Verme Kumariano que tinham caçado naquele dia.
Mizza, que como um Nor sabia o que Deiphobus estava sentindo, correu para perto do seu líder com uma enorme Amirati Negra em suas mãos. Ele era da linhagem dos Sem-Face, e tinha o rosto completamente descarnado, com exceção dos olhos. Muitos Nors tem dificuldade de reconhecer as expressões dos Sem-Face, porém Deiphobus, através dos anos de convivência, entendia perfeitamente o que seu amigo Mizza sentia. E pela expressão de seus olhos, Mizza estava preocupado com ele. Isso confirmava o fato de que estava lhe passando uma enorme Amrati, das mais caras que se pode encontrar no Mercado de Yzael.
__Obrigado Mizza.
Os cristais negros de Necropia eram a fonte de energia e de cura para os Nors, um presente dos Sefiras para seus mais novos e adorados filhos. Sir Deiphobus saiu do meio da carcaça do Verme Kumariano, e após limpar seu corpo com um pequeno pano que carregava no bolso (o que acabou revelando áreas onde o sangue do primevo tinha corroído até os músculos) pegou a Amrati Negra das mãos de Mizza.
Deiphobus segurou a Amrati Negra sobre seu braço que estava praticamente sem pele. Murmurando o mantra sagrado “ktonor”, o cristal negro começou a derreter, e um líquido escuro, de onde se podia ver milhares de vermes pretos, escorreu em cima do seu braço. Os pequenos vermes costuravam e regeneravam os tecidos destruídos, andando pelo corpo de Deiphobus como uma mancha viva de óleo negro.
Enquanto isso se passava, Deiphobus comentou:
__Vamos voltar agora.__e olhando para os destroços do Verme, continuou__ Duas caçadas são mais do que o suficiente por hoje.
* * * Já era noite quando Verótika chegou. Katsuchiyo a acompanhava. Ela foi diretamente para a sala de jantar, onde estavam Deiphobus e Sati. Sem olhar para a jovem mortal, Verótika falou para Deiphobus:
__Você não se esqueceu de sua promessa, não maninho? Você vai jogar com a gente na final. E vai ficar sob o meu comando.
Deiphobus ficou em silêncio. Sati arregalou o olho enquanto tentava engolir o enorme pedaço de batata cozida que Odda tinha feito para ela.
Verótika sorriu e continuou:
__Você vai jogar, se quiser continuar com esse bichinho de estimação que você trouxe para a casa. Odda, me sirva em meu quarto. Eu e Katsuchiyo vamos comer lá. E traga uma garrafa de vinho sanguíneo também. Tive uma excelente noite ontem.
Os dois se retiraram enquanto Deiphobus parava de comer. O cavaleiro matadeus olhou para Sati, que se servia de mais uma batata. Ele não iria perder mais uma filha, novamente. Ele sabia que teria que fazer o que Verótika queria.
(Continua)
Observação: Na Revista D20 Saga Número 6 (http://www.manticora.com.br/d20saga1/index.asp), que já está nas bancas, você pode encontrar o seguinte material:
- A descrição de como criar um personagem da raça dos Mordenkai, a raça de Sardurkar, além da ilustração de um Mordenkai.
- A ficha e a ilustração de um Garfagi
- A descrição da classe de prestígio Cavaleiro Matadeus, e de como criar um personagem dessa classe. Acompanhada de uma ilustração de Sir Deiphobus.
Você pode ver a galeria de arte da D20 Saga com ilustrações de Necropia nesse link abaixo: http://www.manticora.com.br/d20saga1/index.asp
 Para abrir e usar os wallpapers basta clicar nos links abaixo e depois clicar no botão direito do mouse e "Definir como Plano de Fundo". Wallpaper Necropia 1028 X 768 800X600
Para ler o Capítulo 1 basta clicar nesse link: http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=1405
Para ler o Capítulo 2 basta clicar nesse link: http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=1496
Para ler o Capítulo 3 basta clicar nesse link: http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=1574
Para ler o Capítulo 4 basta clicar nesse link: http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=1671
Para ler o Capítulo 5 basta clicar nesse link: http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=1739
Para ler o Capítulo 6 basta clicar nesse link: http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=1740
Para ler o Capítulo 7 basta clicar nesse link: http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=1833
Para ler o Capítulo 8 basta clicar nesse link: http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=1899
Para ler o Capítulo 9, basta clicar nesse link: http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=1921
Para ler o Capítulo 10, basta clicar nesse link: http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=1976
Para ler o Capítulo 11 basta clicar nesse link: http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=2024
Para ler o Capítulo 12 basta clicar nesse link: http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=2024
Para ler o Capítulo 13 basta clicar nesse link: http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=2175
Para ler o Capítulo 14 basta clicar nesse link: http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=2286 |
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| little_toshimo |
Publicado: 27/02/2005 14:43 Atualizado: 27/02/2005 14:43 |
Escudeiro   Usuário desde: 23/7/2004 Localidade: Alcântara - MA Mensagens: 29 |
 Re: Almas Torturadas (cap. XV) + Wallpaper D20 Saga 6 Bom até gostei do conto, mas ele esta CHEIO de erros de concordância, digitação e sem diversos acentos. Acho que um site do porte da REDE RPG deveria ter mais cuidado com os seus textos, pois um corretor ortográfico não machuca ninguém. Eles estava (inicio do segundo parágrafo); a muito metros de distância (quinto parágrafo da terceira parte); dificulade (final da penúltima parte); e equanto (na última parte), são os que peguei só de ler. No Word então... 
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| Medieval |
Publicado: 27/02/2005 22:16 Atualizado: 27/02/2005 22:19 |
God (admin.)   Usuário desde: 16/5/2004 Localidade: Mensagens: 715 |
 Re: Almas Torturadas (cap. XV) + Wallpaper D20 Saga 6 Olá Toshimo. Deixa eu explicar uma coisa para você, mas que serve como um esclarecimento geral. Nós temos pedido ultimamente para redatores e colaboradores que tentem revisar os seus trabalhos devido a errinhos como esses que tem acontecido com mais freqüência ultimamente. Mas não posso pedir mais que isso deles. Apesar de nos considerarmos "profissionais", na verdade não somos. Isso por um motivo muito simples: ninguém aqui vive de RPG. Ninguém aqui ganha nada com esse site. A propagando no site, vai para pagar o provedor. Gostaria de pagar, nem que fosse uma merreca, por cada artigo e ilustração que é feito, mas não temos receita para isso. Todo trabalho feito aqui na REDE é feito sem nenhuma remuneração. Quando sobra alguma coisa do pagamento do provedor, vai para a Dri, porque ela "carrega" o site, trabalha nele diariamente e faz a editoração dos netbooks. Eventualmente ela corrige algum errinho que acha, mas também não posso cobrar dela fazer também isso. Quando algum material passa por mim, para ser aprovado, eu reviso. Mas nosso volume de material é muito grande, muita coisa boa entra direto no site sem passar pelo meu crivo, porque já sabemos que é de boa qualidade, mas eventualmente tem erros de revisão. E não dá para o trabalho ser centralizado em mim, porque a REDE é realmente grande e tempo é algo que eu não possuo... Gostaria realmente que esse site desse dinheiro para pagar toda equipe e um revisor, mas a realidade está longe disso, infelizmente... Mas a coisa melhorou muito, desde que a REDE começou. Antes, um site de RPG se manter era considerado impossível. Mas apesar desse avanço, o nosso mercado é ainda muito medíocre, infelizmente... E veja que, apesar disso, somos o único site que faz resenhas, netbooks para todos os sistemas e traz material traduzido de sites oficiais e de sites conceituados. Além de atualizações diárias e notícias do mercado mundial e brasileiro. Só falta mesmo a gente ganhar dinheiro!  Mas enquanto esse sonho de viver de RPG não acontece, a gente vai seguindo em frente na esperança que nosso usuários um dia parem para pensar em como seria o RPG brasileiro sem esse site, e realmente passem a dar o valor que o nosso trabalho merece. Quem sabe assim, o nosso mercado começe a ficar um pouco menos medíocre. Um grande abraço, Marcelo Telles Coordenador da REDERPG
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| LucasBewolf |
Publicado: 01/03/2005 07:22 Atualizado: 01/03/2005 07:22 |
Aprendiz   Usuário desde: 13/12/2003 Localidade: RJ Mensagens: 88 |
 Re: Almas Torturadas (cap. XV) + Wallpaper D20 Saga 6 Telles,vc realmente disse tudo.
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| Medieval |
Publicado: 01/03/2005 11:35 Atualizado: 01/03/2005 11:36 |
God (admin.)   Usuário desde: 16/5/2004 Localidade: Mensagens: 715 |
 Re: Almas Torturadas (cap. XV) + Wallpaper D20 Saga 6 Obrigado, Lucas. O Toshimo mandou uma MP para mim, se desculpando. Eu entendo o ponto dele, mas a realidade é complicada... Olha só o tipo de mediocridade que a gente tem que aturar... http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=2333Um grande abraço, Marcelo Telles Coordenador da REDERPG
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| LucasBewolf |
Publicado: 01/03/2005 14:11 Atualizado: 01/03/2005 14:11 |
Aprendiz   Usuário desde: 13/12/2003 Localidade: RJ Mensagens: 88 |
 Re: Almas Torturadas (cap. XV) + Wallpaper D20 Saga 6 Vc tá falando isso pq não trocou duas palavrinhas com um amigo meu que trabalha com telemarketing.
Ali sim vc descobre que nem sempre o cliente tem razão.
T+
LB
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