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Arca: Contos : Almas Torturadas (cap. XVIII)
Enviado por RedeRPG em 22/05/2005 00:01:00 (2766 leituras) Notícias do mesmo autor
Arca: Contos

Por Newton "Nitro"
(Necropia / Grupo Sefirot )
Equipe REDERPG

Começa a tão esperada final do Campeonato Nacional de Necrobol do reino de Yzael. Nesse décimo oitavo episódio de Crônicas de Necropia – “Almas Torturadas” temos muita ação, drama e emoções! Quem irá sobreviver à carnificina do esporte favorito dos Mortos de Necropia? E o que aconteceu com Sati? E qual é o plano secreto de Verótika? Tudo isso e muito mais nesse antepenúltimo episódio da saga de Necropia, escrito por Newton “Nitro”do Grupo Sefirot (www.gruposefirot.blogger.com.br) especialmente para a RedeRPG!




Crônicas de Necropia:
"ALMAS TORTURADAS"
Cap.18 "A Grande Final"

Sethnaton olhou em torno. Em seus quatrocentos anos de imortalidade, desde o dia em que fora mumificado no seu querido e desértico reino de Resh, ele jamais vira uma multidão tão eufórica como a que lotava o principal necroseum de Yzael, a Arena Real de Kether. Os Faraós de Resh ficariam com inveja do Imperador Thaumiel, pela demonstração de poder e influência em seu reino. Mesmo em seus Festivais dos Mortos, os Faraós de Resh jamais reuniram uma multidão daquele tamanho. O velho Sethnaton tinha acertado em sua escolha de se mudar para Yzael, há mais de duzentos anos.

Depois de um difícil começo na cidade, Sethnaton conseguira galgar a rígida hierarquia da sociedade yzaeliana. Os Nors sempre deixaram claro que se sentem superiores às Múmias reshianas, repetindo o velho credo de que são os verdadeiros imortais de Necropia. Porém, graças à sua habilidade com as palavras, especialmente ao lidar com multidões, ele conseguiu ascender até o cargo de Mestre de Cerimônias da liga real de Necrobol do reino de Yzael. Essa habilidade, que ele tinha desenvolvido em pouco mais de um século incitando e incentivando os escravos de Resh na construção das enormes pirâmides dos Faraós reshianos, era algo que tinha servido como um passaporte para os níveis sociais mais altos da necrópole. Ele agora era um celebridade, conhecido por todo reino. Até mesmo o embaixador de Resh lhe atribuíra o título nobre de Protetor de Resh. O embaixador de Resh, um reshiano recém mumificado chamado Farduh, garantiu que todas as dívidas que Sethnaton tinha deixado em Rechmah, a capital de Resh, estavam perdoadas. Porém, seus 400 anos de existência lhe davam a certeza que era uma mentira. O seu sucesso em Yzael tinha lhe trazido inimigos e inveja em sua terra natal.

E isso lhe dava mais prazer em anunciar a partida que viria a seguir. Aquele era o auge de sua carreira, seria a primeira vez que apresentaria uma final de Necrobol. E Sethnaton não podia decepcionar aqueles que manipularam a complexa rede política do mundo do Necrobol das necrópoles para que uma múmia reshiana pudesse apresentar o jogo mais importante do esporte favorito dos mortos.

Sethnaton saiu da tribuna especial reservada para os Magistratos e se dirigiu ao centro da arena. Seu pesado manto negro, repleto de pedras preciosas, se arrastava pelo chão sob os gritos das torcidas dos times de Necrobol. Ele estava com a cabeça completamente coberta pelo manto, e marcava seus passos com um cajado que levava em sua mão esquerda. O cajado, que tinha uma cabeça mumificada presa em uma de suas pontas, era o objeto mais importante de um mestre de cerimônias, além de indicar a sua função. Normalmente, a visão do mestre de cerimônias faria as torcidas se calarem. Porém, naquela noite, parecia que nada iria acalmar o delírio da múltidão.

Um quarto do Necroseum estava tomado pelas caravanas que vieram de Messalina. Muitos estavam com os rostos pintados de vermelho sangue, a cor dos Mutiladores, o time que estava desafiando pelo segundo ano consecutivo os atuais campeões. Os naturais de Messalina, mais conhecida como Cidade do Pecado, faziam jus à fama pelo barulho ensurdecedor que criavam com seus tambores e instrumentos feitos de ossos humanos. Eram, em sua maioria, Nors e Carniçais com vários Ósseos entre eles. Havia também uma grande mistura de raças entre os torcedores dos Mutiladores de Messalina, o que refletia o caráter flexível e libertino da sociedade messaliniana. Torcedores mordenkais fanáticos gritavam junto com Ravidianos, os homens-fera, enquanto os insetóides Nithianos provocavam os torcedores adversários com seus cuspes ácidos.



Porém os torcedores do time da casa, os Degoladores de Yzael, não ficavam atrás. Preenchendo os três quartos restantes do necroseum, eles procuravam anular a torcida dos Mutiladores com hinos de guerra, os quais muitas vezes repetiam os nomes das estrelas dos Degoladores, como Katsuchiyo, um ex-membro da Barreira que acabou decapitando o atacante de Messalina na final do ano anterior, ou como Keshet, o atacante com o maior número de mortes em jogo no campeonato. Mas nenhum nome era mais gritado pela multidão do que o de Verótika, a capitã dos Degoladores de Yzael.

A torcida dos Degolares era enorme, composta em sua maioria de Nors, Carniçais e outros tipos de mortos-vivos. Porém, haviam também muitos mortais entre eles, como os gentios e escravos. Era costume permitir a entrada de escravos para assistir a final do campeonato de Necrobol, desde que estivessem com seus mestres. Essa minúscula generosidade por parte dos mortos era compensada pelo fato de que os escravos acabavam sendo vítimas das freqüentes e inevitáveis brigas entre as torcidas.

Sethnaton chegou ao centro da arena, carregando seu cajado mágico. Na ponta do seu cajado havia uma cabeça mumificada, que tinha sido encantada para fazer com que sua voz fosse ouvida por todo o necroseum. Sethnaton descobriu sua cabeça, revelando um rosto cinza e enrugado. Ele mirou com seus olhos feitos da luz púpura-negra que lhe conferia a imortalidade e disse:

__ Sagrado sejam os Sefiras! Sagrado seja o Imperador Thaumiel!

A cabeça mumificada do seu cajado brilhou com energia púrpura, e repetia suas palavras para todo o necroseum. Ao escutar o nome de Thaumiel, as duas torcidas repetiram uníssono seu nome:

__Thaumiel! Thaumiel! Thaumiel!

Sethnaton continuou:

__Sagrada seja a família real! Salve os Magistratos! Salve os Lordes de Yzael! Senhoras e senhores, mortos e vivos! Sejam bem vindos ao Necroseum Real de Kether! Aqueles que irão morrer hoje vos saúdam!



A multidão urrou novamente. As duas torcidas gritavam os nomes dos seus jogadores favoritos, mas o nome que mais se escutava no necroseum continuava sendo o de Verótika. Sethnaton acenou para os Guardiões dos portões que levavam às galerias subterrâneas onde estavam os dois times. Em seguida ele exclamou:

__Hoje temos a final do mais emocionante campeonato de Necrobol que já tivemos! De um lado, tentando uma revanche pela final do ano passado, estão eles; os temíveis cortadores de membros do Sul, os mais traiçoeiros jogadores que já existiram na história do Necrobol, os impressionantes...MUTILADORES DE MESSALINA!!!

A torcida dos Mutiladores explodiu em gritos, enquanto o resto do necroseum vaiava com vigor. Em um dos pontos onde as duas torcidas se encontravam, apesar da linha de segurança feita por vários Garfagis, uma pancadaria enorme começou. Porém isso apenas serviu para insuflar ambos os lados, criando um barulho ensurdecedor.

Do portões subterrâneos esquerdo, na lateral de um dos lados da arena, surgiu o time dos Mutiladores de Messalina. O capitão dos Mutiladores, um vampiro de Daol chamado Vatek, surgiu primeiro. Ele estava vestindo a armadura vermelha dos mutiladores e trazia nas costas duas espadas gigantescas de lâminas negras. Atrás dele vieram os dois gêmeos Yrthov e Darthov, os defensores do carregador da Bola de Espinhos de seu time. Yrthov e Darthov eram nor-nithianos, e seus corpos insetóides tinham as escamas negras características da elite morto-viva dos Senhores dos Insetos. Os dois levavam seus tyrseths, uma arma nithiana que são uma espécie de lança segmentada, com ferrões ao invés de lâminas.

Em seguida entraram na arena Wartus, o carregador do time dos Mutiladores. Os carregadores de Necrobol são alterados pelos Modeladores da Carne de Necropia para terem pernas capazes de carregar a bola de espinhos e correr em grande velocidade. Warthus, um nor nativo de Messalina, possuía enormes pernas que se dobravam na altura de seu peito. Ele já estava com as saydhs calçadas em suas enormes mãos. As saydhs são uma manopla de ferro especial, usada para segurar a bola de espinhos com mais facilidade.

Ao lado de Wartus estavam os dois atacantes, Zared e Turik. Turik era um alkutiano nor, vindo da gelada Yavehir. Como todo alkutiano, Turik era baixo e robusto, com uma pele pedregosa cobrindo todo seu corpo. A sua condição de nor fazia com que sua pele rochosa fosse completamente negra, o que contrastava com seus olhos vermelhos e brilhantes. Turik carregava um enorme machado de guerra flamejante, a arma favorita dos alkutianos.

Mas de todos os jogadores de Messalina, Zared era o que mais queria a revanche. Zared era um gigante. Pertencendo à uma das mais nobres linhagens de Messalina, Zared estava vestindo uma enorme armadura vermelha, com o desenho do seu brasão de família no centro do seu peito. Em suas mãos, Zared trazia uma Kadasha, uma enorme estrela de metal que serve tanto como arma de mão, como arma de arremesso ou como um escudo. Aquela Kadasha tinha sido do seu irmão Caronte, que fora destruído na última final do campeonato de Necrobol.

Tinha sido um maldito Shem que matara seu irmão dentro da partida - um membro da barreira do time dos Degoladores que estava portando uma espada kumariana dentro do jogo. Seu nome era Katsuchiyo.



Naquele dia Zared estava no banco de reservas dos Mutiladores. Ele vira seu irmão Caronte enfrentando o shem. Ele viu como o shem invocara os poderes da espada kumariana para acabar com seu irmão. E ele viu o pior: o corpo de Caronte sendo usado para transformar Katsuchiyo em um nor! O maldito shem teve sua cabeça implantada no corpo do seu irmão sob as bênçãos dos Magistratos e do Imperador de Yzael!

O coração morto de Zared se inflamava com ódio e com a antecipação de sua vingança contra o mortal que humilhara sua família. Ele iria arrancar a cabeça de Katsuchiyo e levar o corpo de Caronte de volta para Messalina. Ele não se importava o quanto custasse, mas iria trazer seu irmão de volta do Abismo, mesmo que ele já tenha sido transformado em demônio. Zared teria sua vingança.

* * *

Dentro dos salões subterrâneos do Necroseum, todo o time dos Degoladores de Yzael aguardava ser chamado para a arena. Keshet, um dos atacantes, olhava nervoso para Sir Deiphobus. Desde que Verotika descobrira a traição de Malachi, seu antigo parceiro, e deixou que Katsuchyio o executasse, ele não sabia se iria mesmo jogar com o lendário Deiphobus. Afinal, a filha bastarda do cara foi decapitada na abertura do último jogo de Necrobol que o Cavaleiro Matadeus tinha participado! Ele ainda era um aspirante na época, recém chegado de Nevron, um simples guerreiro Nor do norte de Zohar.

Naqueles tempos, não havia atacante melhor que Deiphobus, ninguém se igualava à sua fúria e ao seu espírito de luta, desenvolvido em sua carreira como Cavaleiro Matadeus. Mas já fazia mais de cinco anos que Deiphobus tinha largado o Necrobol, e o esporte evoluíra muito nesse tempo. Será que ele conseguiria se adaptar à velocidade do jogo de hoje em dia? Mas esse não era o que mais incomodava Keshet. Ele ainda não conseguia entender como Verótika tinha convencido o irmão.

A Capitã dos Degoladores Vermelhos conversava com Katsuchiyo, enquanto Keshet estava entretido com seus pensamentos. Issum, o carregador, fazia alongamentos com suas pernas enormes e deformadas. Shifrah ainda estava colocando a pesada armadura de goleiro, pondo camadas e mais camadas de placas de aço e redes de ferro em cima do seu enorme corpo. O nor-mordenkai as vezes parava para bater com sua enorme alabarda na jaula onde estava a barreira, provocando os jogadores da barreira.

Dentro da jaula Vespa da Noite, Kasparov e Sardukar aguardavam serem chamados para a Barreira dos Degoladores. Além deles, outros sete mortais tremiam de medo e ansiedade. Todos já estavam vestidos com uma espécie de tanga feita de pano. Cada um carregava uma arma diferente, sorteadas no momento em que foram levados para a jaula. Vespa carregava duas espadas curtas em suas mãos, Kasparov levava uma espada bastarda enquanto Sardukar ficou com um machado e uma maça-estrela como armas. O mordenkai , concentrado, encarava friamente Shifra. O nor-mordenkai continuava atiçando-o, batendo com sua alabarda na porta da jaula dos escravos da Barreira. Diferente de Sardukar, os outros escrvos gemiam de medo a cada golpe da alabarda.

Vespa lutava para não deixar o pânico tomar conta de sua mente. Ele só pensava em uma única coisa: fugir! E era isso que iriam fazer naquela noite.

Deiphobus passava um pouco de talco em suas mãos. Dessa maneira a Mutiladora, sua fiel espada, não iria escapar de suas mãos quando ele estivesse cortando carnes e ossos. Mas não seriam as carnes e ossos que Verótika queria. A sua irmã iria entender o que significa pressionar um Cavaleiro Matadeus. Ele iria entregar o jogo.

Verótika murmurava para Katsuchyio:



__Você irá ficar de olho no meu irmão, querido. Se observar qualquer movimento estranho, qualquer sinal de traição, ataque-o imediatamente. O meu irmão está pensando em me trair, e dentro das regras do Necrobol, se ele trair o seu time dentro de uma partida de Necrobol, ele pode ser punido com a morte por um dos seus companheiros. Mas preste atenção, a traição dele tem que ser bem clara. Tenha certeza que os Magistrados vejam a traição antes de agir.

__E se ele não te trair?__ disse Katsuchiyo com a voz rouca daqueles que não costumam falar muito.

__Não se preocupe, ele irá me trair, pode ter certeza. Eu trouxe um grande incentivo para o meu irmão enlouquecer de ódio. Prepare-se para matá-lo, meu amado. Mas lembre-se, você tem que acabar com ele em poucos golpes, Deiphobus é duro na queda. E depois disso, eu serei a única herdeira dos Codorveros...

Lá da arena do Necroseum, Sethnaton exclamava o nome dos Degoladores Vermelhos. A torcida explodiu em delírio. Esse era o sinal que Verótika estava esperando. As enormes portas de bronze que levavam para a arena se abriram e o som da multidão aumentou. Dois Garfagis abriram as portas da jaula da barreira no mesmo momento em que Verótika gritava para seu time:

__Vamos Degoladores! Essa é uma boa noite para vencer ou morrer! Ou os dois! HAHAHAHAHAHA!

O time dos Degoladores subiu as escadas e foi recebido por uma multidão de mortos e vivos, ansiosos para o desfecho da partida. Vivos e mortos, todos envolvidos pelo destino. Essa é a maneira de ser de Necropia!

(continua)

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Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.
Enviado por Tópico
Salaniam
Publicado: 22/05/2005 22:01  Atualizado: 22/05/2005 22:01
Cavaleiro
Usuário desde: 13/5/2005
Localidade: Porto Alegre, RS
Mensagens: 171
 Re: Almas Torturadas (cap. XVIII)
A maneira na qual este texto foi escrito está um pouco diferente dos outros, porque?
Nitro
Publicado: 24/05/2005 15:24  Atualizado: 24/05/2005 15:24
Mestre do Jogo
Usuário desde: 30/9/2003
Localidade: Belo Horizonte
Mensagens: 159
 Re: Almas Torturadas (cap. XVIII)
Não sei, talvez seja porque procurei descrever como é o Necroseum de Necropia. :) De qualquer forma, obrigado pela atenção:)

Um abraço do Nitro
www.nitro.blogger.com.br
jhony_walker
Publicado: 03/06/2005 00:30  Atualizado: 03/06/2005 00:30
Escudeiro
Usuário desde: 16/5/2005
Localidade:
Mensagens: 2
 show de bola
estou ansioso para ler o final dessa crônica!!!apesar da história possuir alguns erros de digitação, ela vai ficando cada vez mais envolvente e interessante !!! show de bola rederpg
nomead
Publicado: 25/08/2005 18:23  Atualizado: 25/08/2005 18:23
Legendário
Usuário desde: 29/6/2005
Localidade: Belém
Mensagens: 2117
 Re: Almas Torturadas (cap. XVIII)
EU QUERO MAIS!!!EU QUERO MAIS!!!EU QUERO MAIS!!!EU QUERO MAIS!!!EU QUERO MAIS!!!EU QUERO MAIS!!!EU QUERO MAIS!!!EU QUERO MAIS!!!EU QUERO MAIS!!!EU QUERO MAIS!!!EU QUERO MAIS!!!EU QUERO MAIS!!!
PS.: de qualquer jeito, parabéns pela obra.
Xirica
Publicado: 11/10/2005 09:02  Atualizado: 11/10/2005 09:02
Escudeiro
Usuário desde: 11/5/2004
Localidade: São Bernardo do Campo
Mensagens: 6
 Re: Almas Torturadas (cap. XVIII)
Nitro,

Tava muito boa a saga! Porque parou?

Tem previsão para volta?
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