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RPGs Alternativos : Cold City (resenha)
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| Enviado por Mtelles em 18/07/2009 00:00:00 (727 leituras) Notícias do mesmo autor |
 Por Tzimisce Cold City é um dos vários RPGs independentes (ou indies) que conseguiram destaque nos últimos anos. Lançado pela Contested Ground Studios, ele é definido como “um jogo de agendas ocultas, confiança e caça a monstros”.
A proposta de Cold City é, na verdade, deliciosamente tentadora. Imagine uma Segunda Guerra Mundial onde os nazistas, desesperados ante sua iminente derrota, recorrem às mais sinistras tecnologias e conhecimentos proibidos do Homem – tudo para impedir a queda do Reich. Apesar dessa estratégia insana, os Aliados obtém vitória.
Contudo, um novo problema surge no horizonte: o poderio soviético não para de aumentar e as forças ocidentais olham Stalin com desconfiança; Berlim, por sua vez, se torna o centro de uma guerra oculta e bizarra corrida armamentista. Todos desejam obter o nefasto legado nazista. Com vistas a impedir que a macabra tecnologia caia no mercado negro, os poderes vitoriosos criam a Reserve Policy Agency (ou RPA) – uma espécie de força policial de elite, formada por agentes americanos, franceses, britânicos e soviéticos. Quando a polícia de Berlim descobre algum acontecimento estranho (ou quando alguma ruína ou bunker abandonado da cidade revela não estar tão vazio assim), a RPA é acionada. Máquinas capazes de reviver os mortos, vítimas sobreviventes de experimentos nazistas, estranhos rituais baseados em matemática hiperdimensional... há vários horrores enterrados abaixo do Portão de Brandenburg.
Cold City é uma mistura inteligente da conspiração e espionagem da Guerra Fria, misturados com os pesadelos tecnológicos e sobrenaturais no melhor estilo de Lovecraft ou Mike Mignola. Como demais RPGs indies, o jogo tem um propósito bem específico: o grupo ideal é de que 4 personagens, todos agentes membros de um dos times da RPA. Cada jogador é membro de um das quatro nações que dividem a Berlim pós-guerra. A intriga que corre entre as próprias personagens dos jogadores é parte do combustível do jogo.
Em termos de regras, Cold City segue a tendência indie: uma mecânica unificada para todo tipo de conflito, seja combate físico a perícias sociais. São apenas 3 atributos (Ação, Influência e Razão), acompanhados de Traits, que podem ser positivas, negativas ou ambas. Um exemplo de Trait seria “Dedos Leves”, “Louco numa luta” e coisas do gênero. Cold City é um RPG narrativo, mais preocupado com a condução da história do que com um equilíbrio mecânico-tático.
As personagens possuem ainda objetivos próprios, definidos como National Agendas (ordens recebidas de seus governos) e Personal Agendas (objetivos secretos da própria personagem). Levando em conta que os agentes da RPA costumam ser veteranos de guerra, há chão de sobra para histórias.
Finalmente, cada personagem estabalece também seus níveis de Trust (Confiança) nos demais agentes do grupo.
Testes são feitos com pilhas de d10s. Primeiro se pega o atributo. Caso a ação desejada envolva alguma das Agendas do personagem, dobra-se essa pilha. Após isso se somam Traits positivas, subtrai-se Traits negativas. Por fim, adiciona-se (se for o caso), Trust. Estabelecida a pilha de dados, cada participante define seus objetivos no conflito. Acertado isso, rolam-se os dados. Ganha quem tiver o maior conjunto de números altos ganhas.
A diferença entre os resultados define as conseqüências. Cold City é, como dito, bem narrativo e o mestre tem uma incrível liberdade na interpretação dos resultados (o livro, no entanto, fornece exemplos para os vários graus de sucesso).
A grande diversão do jogo é a mecânica de Trust, onde o jogador indica (numa escala de 0-5) o quanto sua personagem confia em cada um dos outros três agentes de seu time (ou seja, as personagens dos demais jogadores). Há regras específicas para determinar como distribuir seus pontos de Trust inicias, que flutuam ao longo do jogo.
Como funciona Trust? De duas formas básicas. Qualquer teste onde sua personagem conta com o suporte ou a confiança de outro agente para vencer (por exemplo: ele lhe dá cobertura num tiroteio, ou fica ao seu lado ao enfrentar o terror gerado por uma aberração) lhe garante dados adicionais iguais ao nível de Trust. Por outro lado, caso outro agente queira te trair (para favorecer alguma Agenda), o traidor ganha um número de dados no teste igual à sua confiança nele. Por isso, apesar de confiar nos demais agentes ser por vezes vital, é também uma empreitada arriscada. O clima de paranóia que Cold City gera com essa simples mecânica é sensacional.
Após o sistema, Cold City trás uma rápida história e descrição de Berlim, com as devidas mudanças do cenário (por exemplo: a RPA têm acesso a discos voadores feitos com tecnologia nazistas). Temos um mapa da capital alemão, descrição do seu submundo e outros ganchos. A própria RPA e seus quatro dirigentes são detalhados. Finalmente, há exemplos de antagonistas, desde o clássico zumbi a entidades extradimensionais.
O livro trás dicas para se construir cenários, além de algumas aventuras e sugestões de histórias. Dentre essas, a excelente Prisioneiro #8, envolvendo a bizarra fuga de uma ser extradimensioal que possui o corpo de um misterioso prisioneiro alemão.
Cold City já gerou um suplemento e mesmo um jogo-sequência, chamado Hot War, que se passa em uma Inglaterra pós-apocalíptica, onde EUA e União Soviética entraram em guerra e liberaram sobre o mundo os horrores da tecnologia negra obtida dos nazistas.

Layout/Arte: 3 – Arte P&B razoável, mas bem no clima. Texto: 5 – Simples e direto. Conteúdo: 5 – Uma premissa sensacional, mas cuja exploração é deixada nas mãos do mestre. Notal Final: 5 (dou nota “5” ao invés de “4”, pois trata-se de um RPG indie, onde raríssimas vezes o autor tem acesso a bons artistas e editores
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Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.
| Enviado por
| Tópico
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| mikewerton |
Publicado: 20/07/2009 08:47 Atualizado: 20/07/2009 08:47 |
Cavaleiro   Usuário desde: 24/4/2006 Localidade: Varginha Mensagens: 172 |
 Re: Cold City (resenha) Gostei do atributo medidor de confiança, isso me da idéias malefica. huahahuhahauahuahuha 
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| arturwagnerjr |
Publicado: 20/07/2009 14:02 Atualizado: 20/07/2009 14:02 |
Escudeiro   Usuário desde: 31/3/2009 Localidade: Mensagens: 3 |
 Re: Cold City (resenha) Cenário bastante interessante...
Facilmente adaptável pra WOD, NWOD, Gurps ou Trevas pra quem não tem acesso a material em inglês...
bacana mesmo.
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| Baldwin_Ironheart |
Publicado: 22/07/2009 11:14 Atualizado: 22/07/2009 11:14 |
Legendário   Usuário desde: 20/5/2005 Localidade: Rio de Janeiro Mensagens: 1631 |
 Re: Cold City (resenha) Muito interessante, apesar de clichê o tema do cenário, o meio que ele se valeu para explorá-lo é realmente sensacional.
Só a resenha já dá grande inspiração para mestres constuirem suas aventuras em outros cenários.
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| DarkSlayer |
Publicado: 25/07/2009 12:12 Atualizado: 25/07/2009 12:12 |
Campeão   Usuário desde: 30/1/2005 Localidade: _dust2 Mensagens: 352 |
 Re: Cold City (resenha) Poxa gostei muito. Acho que seria excelente para o meu grupo. Nós mudamos muito de sistema e de jogos, então já exploramos quase tudo que era possível. Chegar com uma novidade como o Cold City [ao qual eu estava lendo "Gold City" até agora] seria perfeito.
Só acho que faltou na resenha onde podemos encontrar o livro pra comprar, e se ele foi traduzido para o português [se bem que eu acho que não, já que se trata de um RPG independente].
Abraços!
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