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Arca: Contos : O Nascer de um Urso (parte I)
Enviado por RedeRPG em 21/09/2003 00:05:00 (2524 leituras) Notícias do mesmo autor
Arca: Contos

Este conto faz parte da Ambientação Karanblade.

por Rafael Arrais
Cedido à REDERPG


Ao sul da Terra Próxima, além de cidade murada de Bak e do reino dos anões, próximo as últimas árvores que se erguem e formam a gigantesca Floresta do Sul, e finalmente a oeste da não menos gigantesca cordilheira conhecida por Montanhas Rotun, existe uma terra de planícies ensolaradas, vento fresco, e também de caças e caçadores.

Os bárbaros que sempre viveram próximo às montanhas, por isso também chamados de rotunianos, a muito elegeram tais planícies como terras de caça e conflito. Tribos vindas tanto do sopé das montanhas quanto do interior da floresta procuram pelos bisões e javalis, enquanto tentam se desviar de outras feras as quais não podem caçar, como os leões e gatopardos, as tribos das Ilhas da Chuva, sempre dispostas a invadir o continente e ditar suas leis a ferro e fogo, ou os detestáveis orcs, que nunca deveriam ter saído de sua casa, nos fundos túneis do Grande Subterrâneo, muito ao norte dali.


Foi exatamente ali, no Caminho dos Caçadores, que um jovem rotuniano lutou sua primeira e decisiva batalha. Ali que o inexperiente e destemido Oldar se tornou o grande guerreiro urso, passando a ser conhecido como Oldalin, o Grande Urso...





Tudo aconteceu numa manhã de primavera, quando os bárbaros da tribo de Terralta, chefiados por Gunther, o de Longa Visão, se aproximavam de um pequeno vale onde sabiam haver sempre muitos bisões pastando com o alvorecer. Era a primeira vez que Oldar, o jovial e atlético filho dos bárbaros de Terralta, participava de uma caçada tão longe de sua tribo. Antes se aventurara com coelhos, pequenos javalis e coiotes, mas agora teria de provar ser um bom caçador, no alto de seus quinze anos de vida.



A equipe era formada por dois batedores, que espreitavam sorrateiramente e enviavam peculiares assobios para Gunther e os outros oito caçadores, dentre eles Oldar. Os batedores armavam-se apenas de facas de aço quebradiço, já que a função de abater os animais era dos caçadores, que se muniam de lanças e arcos, além dos famosos machados bárbaros. Apenas Gunther, o líder, portava uma cota de malha, coisa rara entre os bárbaros daquela região.



Aproximavam-se da última colina que escondia o vale, e Gunther ordenou: “Allin, Uldom, vão pela descida a direita. Os batedores vão com os outros pela esquerda e depois à frente em direção a caça. Eu fico aqui com o jovem Oldar, ele verá como se caça como adulto, e nunca irá esquecer!” – De fato, Oldar sentiu um misto de alívio e vergonha por permanecer com Gunther longe da ação, já que tinha a estranha sensação de que realmente nunca iria esquecer aquele dia...



Assim foi feito, e após alguns minutos ouviram-se os assobios dos batedores, os dois que desceram pela direita correram então com as lanças em riste, bradando as canções de caça e afugentando uma parte da extensa manada de bisões para o lado dos cinco guerreiros que se escondiam detrás de rochas. Oldar estava eufórico com a eficiência e coragem de seus irmãos. Puseram-se quase que no meio da passagem dos bisões, matando dois que viam na frente com suas lanças fincadas ao solo, como uma murada de espetos mortais. Os outros três atacaram esses com suas lanças, enquanto tentavam não ser alvo do estouro da manada.



Gunther gesticulava para que os batedores voltassem pelo caminho a direita, longe dos bisões que fugiam a longa marcha. Não era necessária mais nenhuma ordem, haviam abatido dois grandes bisões em poucos minutos, mais do que suficiente para uma história de sucesso para aquele dia de caça. Infelizmente para eles, iriam deixar de ser caçadores e passar a ser a caça em poucos segundos...





O primeiro grito veio da passagem à direita, por onde desceram Allin e Uldom, e voltavam os batedores. Gunther sentia o cheiro do medo, sabia que seus irmãos estavam em grande perigo. Prontamente retirou seu grande machado das costas e gritou para um agora assustado Oldar: “Fique aqui garoto! Se eu não voltar, corra de volta para a aldeia e avise ao curandeiro que Gunther e seus guerreiros tombaram ante a maitranda!” – Maitranda! Oldar sempre detestou essa palavra, que significava muitas coisas em rotuniano... Revolta da natureza, desejo de fazer o mal, magia negra... Oldar sabia que Gunther podia sentir tais forças, mas nunca imaginou que seria alvo delas logo em sua primeira caçada de adulto!



Gritos seguiram a gritos, e eles eram cada vez mais assustadores e desesperados, tirando os estranhos grunhidos que ora surgiam entre eles. Oldar sabia que deveria esperar ou, no mínimo, fugir. Era apenas um jovem bárbaro pego no meio de algo que não estava preparado para lidar... Mas é exatamente nessa hora que surgem os heróis: Aqueles que fazem o impensável em prol de seus irmãos. Que arriscam a vida se preciso, para vencer o inimigo, mesmo que seja um inimigo tão assustador. Oldar provou ser um desses, agarrou o cabo do machado de seu pai com força, fechou os olhos brevemente, e quando abriu, percebeu que não era mais necessário correr...




Seja o que for que estava a sua frente, era algo que para o jovem bárbaro significava apenas a morte. Não seria possível fugir daquela criatura enorme, semelhante a um grande urso negro da Floresta do Sul, mas com um estranho brilho vermelho no olhar, enormes buracos de lança e cortes de machado no corpo, suficientes para o fim de dez ursos daquele porte, e carregando o corpo sem vida de Gunther entre as mandíbulas. No que se seguiu, a criatura apenas cuspiu aquele que fora sempre um modelo de guerreiro para Oldar, e moveu-se com inigualável velocidade ao encontro do jovem. Seus grunhidos eram ensurdecedores.



Oldar nunca iria se lembrar como, mas o fato é que no primeiro avanço da bestial criatura, conseguiu não apenas se manter lúcido, como desviar com maestria de sua bocarra mortal, assim como de suas garras dianteiras, que insistiam em tentar lhe fatiar como um coelho indefeso. Oldar matara coelhos, tantos que aprendeu que um coelho jamais teria chances contra um bárbaro... Ele era esse coelho agora, o que poderia fazer?



Nas cenas que se sucederam, tentou em vão acertar a pata traseira do urso negro, mas ele se movia quase como um felino, tamanha a velocidade. Percebeu que ganhara um extenso corte nas costas, e rolou pelo chão para escapar de um abraço mortal... Estava próximo do fim. A criatura o agarrou com as patas dianteiras, e preparava o bote final. Mas o destino não quis que o demônio triunfasse nesse dia: Num último esforço, Oldar conseguiu desprender seu braço direito da pata colossal e colocou seu machado entre sua face e a enorme bocarra... O urso engoliu aço e sangue, era o derradeiro suspiro da criatura, que tombou em cima de seu algoz...



Para o jovem Oldar, o universo ficara escuro...




Confira todos os capítulos:

Capítulo I = http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=653
Capítulo II = http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=694
Capítulo III = http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=739
Capítulo IV = http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=759
Capítulo V = http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=782
Capítulo VI = http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=825
Capítulo VII = http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=867
Capítulo VIII = http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=910
Capítulo IX = http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=949
Capítulo X = http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=974
Capítulo XI = http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=1017
Capítulo XII = http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=1085
Capítulo XIII = http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=1127
Capítulo XIV = http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=1208
Capítulo XV = http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=1251
Capítulo XVI = http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=1318
Capítulo XVII = http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=1365
Capítulo XVIII = http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=1430
Capítulo XIX = http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=1476
Capítulo XX = http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=1527
Epílogo = http://www.rederpg.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=1581



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Enviado por Tópico
Adriana
Publicado: 22/09/2003 18:43  Atualizado: 22/09/2003 18:43
God (admin.)
Usuário desde: 28/4/2003
Localidade: Cambuquira - MG
Mensagens: 1323
 Re: O Nascer de um Urso (parte I)
Fala Corrimiglia,
o Rafael gostou da sua sugestão de alteração e eu já troquei no texto... :)
raph
Publicado: 22/09/2003 14:10  Atualizado: 22/09/2003 14:10
Campeão
Usuário desde: 08/9/2003
Localidade: Campo Grande, MS
Mensagens: 404
 Sobre este conto...
Resolvi escrever este conto de modo que ele ficasse bem ágil e sem muitas descrições alongadas, porque ele primeiramente seria publicado em uma revista, e agora vai ser publicado semanalmente na web. Como as pessoas não gostam de ler textos muito extensos na tela do computador, tentei deixa-lo o mais interessante e dinâmico possível. E também espero que com o tempo ele não fique tão complexo que vocês tenham de ficar lendo contos anteriores para entender hehe.

Ele vem cheio de nomes de montanhas, florestas, povos, etc... Não se desesperem se acharem que estão por fora, porque tudo vai ser descrito depois. De qualquer forma se quiserem saber mais basta visitar o site do Karanblade (o mundo onde se passa o conto).

Obrigado a Rede RPG pela revisão dos textos, não sei se revisaram muito esse pois ele já havia sido revisado, mas eu conto logo que tenho sérios problemas com vírgulas... Eu sempre esqueço de coloca-las, mas vou tentar melhorar!

Abraço,
raph
Cortimiglia
Publicado: 22/09/2003 14:44  Atualizado: 22/09/2003 14:44
Mestre do Jogo
Usuário desde: 29/4/2003
Localidade: Porto Alegre, RS, Brasil
Mensagens: 582
 Re: O Nascer de um Urso (parte I)
Rafael,

parabéns pelo conto, achei bastante interessante. Conforme tu comentaste, é dinâmico, de leitura agradável e rápida, próprio para uma publicação online.

Eu faria algumas pequenas modificações na redação, mas é que sou muito chato com a escolha de palavras, sabe... por exemplo, no primeiro parágrafo: "...últimas árvores que se erguem pelo norte e formam a gigantesca Floresta do Sul...". No meu ponto de vista, a descrição fica um pouco prejudicada por conforontares árvores que se erguem ao *norte* e formam a Floresta do *Sul*! 8-)

No mais, tirando alguns poucos e pequenos detalhes "estilísticos" (que por vezes são apenas reflexos do meu aborrecido gosto pessoal), o texto está excelente. Aguardo com ansiedade a continuação do conto.

Parabéns, também, pela ambientação de Karanblade!!! Faço votos de muito sucesso para teu projeto.

Abraços,

Marcelo Cortimiglia
Bilbo
Publicado: 22/09/2003 19:43  Atualizado: 22/09/2003 19:43
Campeão
Usuário desde: 06/9/2003
Localidade: Brasília
Mensagens: 251
 Re: O Nascer de um Urso (parte I)
Ola, Rafael! (desculpem a falta de acentos/ o teclado que estou usando agora esta desconfigurado!)

Li o conto e gostei muuuito! Como o Cort falou, tem umas duas passagens que, por questao de frescura :P, eu mudaria. De resto, esta otimo!

As breves descricoes dos locais cairam mt bem, como vc quis. Em conjunto, elas me lembraram paisagens de Nevada, USA, por sinal, paisagens belissimas!

Espero ansioso a continuacao! Alias, eu gostaria mais se cada parte fosse realmente um conto. Do jeito que esta, parece um capitulo - o que nao eh ruim! Soh que causa dependencia das partes anteriores!

Valeu e tchau! :)

raph
Publicado: 22/09/2003 22:52  Atualizado: 22/09/2003 22:52
Campeão
Usuário desde: 08/9/2003
Localidade: Campo Grande, MS
Mensagens: 404
 Re: O Nascer de um Urso (parte I)
Obrigado Bilbo, que bom que deu para imaginar um cenario a partir da descricao... Bem, publicar um conto de uma vez so seria mais legal com pdf, como eu disse, o que procuro aqui e escrever algo que atraia voces toda a semana para ler... Eu vou tentar nao complicar muito para nao fazer voces terem de voltar a capitulos anteriores para entender ;0

Esse comeco e mais uma introducao do personagem Oldalin, a historia ainda vai demorar umas semaninhas para engrenar. Mas eu tenho ela toda na cabeca, assim como o Karanblade, e chega uma hora que tem de publicar mesmo senao a cabeca explode hehe...

Abraco
raph
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