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Underground: Literatura : Capa e Excerto de "A Grande Caçada", vol. 2 de "A Roda do Tempo"
Enviado por Mtelles em 28/12/2010 00:00:00 (1943 leituras) Notícias do mesmo autor
Underground: Literatura


A Caladwin Editora disponibilizou em seu site um excerto de A Grande Caçada, o segundo volume da série de romances de fantasia A Roda do Tempo (The Wheel of Time), de Robert Jordan, que será lançado em breve pela editora gaúcha. Confiram a seguir o excerto e a imagem da capa.

Capítulo 1 - A Flama de Tar Valon


A Roda do Tempo gira, e as Eras vêm e passam, deixando memórias que se tornam lendas. As lendas se desvanecem em mito, e até o mito estará há muito esquecido quando a mesma Era, que lhe deu origem, retornar. Em certa Era, que alguns chamam Terceira Era – uma Era futura, uma Era que há muito passou – um vento se ergueu nas Montanhas da Perdição. O vento não foi o começo. Não há começos nem finais no volver da Roda. Mas foi um começo.

O vento surgiu em meio a penhascos negros, afiados como punhais, onde a morte rondava em meio a gargantas escarpadas, e onde vagavam criaturas ainda mais terríveis que a morte; em seguida, o vento soprou através das emaranhadas selvas do Grande Flagelo, selvas maculadas e deformadas pelo toque do Obscuro. O cheiro adocicado e nauseante da decomposição começou a se desvanecer quando o vento finalmente cruzou aquela linha invisível que, entre os homens, era conhecida como a Fronteira de Shienar. Lá, as flores da primavera aglomeravam-se pesadamente nos galhos das árvores. Naquela época do ano, o verão já deveria ter chegado; mas a primavera começara com atraso e, agora, a terra tentava recuperar o tempo perdido, num ritmo enlouquecido. Rebentos verde-pálidos se eriçavam em cada arbusto, e folhas vermelhas, recém-nascidas, pontuavam cada ramo de árvore. O vento soprou sobre os campos cultivados, e as plantações encresparam-se como grandes lagoas verdejantes. O vigor das novas colheitas era tão grande que os cereais pareciam crescer a olhos vistos, dia após dia.

Quando o cheiro de decomposição já quase havia desaparecido, o vento alcançou a cidade murada de Fal Dara, situada em altas colinas; em seguida, o vento começou a fustigar a torre da fortaleza, bem no centro da cidade – uma torre em cujo terraço dois homens pareciam dançar.

Aquela era a poderosa e alta Fal Dara – nem a cidade nem a fortaleza jamais haviam sido tomadas ou traídas. Agora, o vento gemia sobre os telhados com ripas de madeira, entre as chaminés de pedras e os torreões de guarda; o vento gemia como numa canção fúnebre.

Desnudo da cintura para cima, Rand al’Thor sentiu a pele se arrepiar ao toque do vento. Os dedos do garoto apertaram o longo cabo da espada de treino. Seu peito estava pegajoso de suor, e os cabelos avermelhados se grudavam, emplastados, em sua fronte. O ar se agitou num leve torvelinho, trazendo às narinas do garoto um odor quase imperceptível. Rand não reconheceu o cheiro, mas, naquele mesmo instante, surgiu-lhe na mente a imagem de uma velha tumba recém aberta. Tudo isso – o odor e a imagem – deslizaram somente pela superfície de sua consciência. Rand se esforçava por manter a mente vazia; mas o outro homem, que dividia o terraço com o garoto, insistia em intrometer-se naquele vazio. O topo da torre contava uns dez passos de largura, e era cercado por uma mureta que chegava à altura do peito. O espaço era grande o suficiente para que dois homens o ocupassem sem qualquer incômodo; mas, quando se tratava de um treinamento com um Sentinela, as coisas eram bem diferentes.

Embora muito jovem, Rand era mais alto do que a maioria dos homens maduros. Lan, contudo, tinha a mesma altura do rapaz, além de ter músculos mais avantajados, embora seus ombros não fossem tão largos quanto os de Rand. Uma estreita faixa de couro entrançado prendia os longos cabelos do Sentinela, impedindo que as mechas tombassem sobre o rosto – um rosto que parecia compor-se de ângulos rijos como pedra. Não havia rugas naquela face – detalhe que parecia contradizer a presença de cabelos grisalhos em suas têmporas. Apesar do calor e dos exercícios, havia apenas uma fina camada de suor no peito e nos braços de Lan. Rand estudou os olhos do companheiro – olhos azuis e glaciais –, tentando antecipar a próxima ação do oponente. O Sentinela, contudo, jamais parecia pestanejar; em silêncio, ele passava de uma posição à outra, com movimentos fluidos, segurando a espada firmemente entre as mãos.

No lugar da lâmina, as espadas de treinamento tinham um feixe de aduelas amarradas. Sempre que atingiam o alvo, as ripas de madeira produziam um estalo, deixando profundos vergões na carne. Rand sabia disso muito bem. Três linhas delgadas e vermelhas ardiam em suas costelas, e havia ainda outra marca (dolorosa como uma queimadura) em seu ombro. Fora com grande esforço que Rand havia escapado de receber outros ornamentos semelhantes. Lan, por sua vez, não tinha vergão algum no corpo.

Conforme havia aprendido na infância, Rand imaginou uma grande chama e concentrou-se nessa imagem, tentando alimentá-la com todas as suas paixões e emoções, até que um grande vazio se formasse dentro de sua mente, deixando de fora até os mais efêmeros pensamentos. A vacuidade o preencheu. A chama tremulava: uma vaga forma nebulosa espalhando ondulações na quietude da alma. O vazio era imperfeito (nos últimos tempos, sua concentração havia se tornado mais difícil), mas, apesar disso, ele conseguiu disciplinar as emoções. A gélida serenidade do vazio deslizou para dentro de Rand; o garoto e a espada tornaram-se um único ser. Ele sentiu-se misturar, também, à própria substância das pedras do pavimento e à consciência de Lan. Tudo era um único ser, e ele se movia sem pensamentos, em uma cadência que acompanhava cada passo e cada movimento do Sentinela.

Outra lufada de vento se ergueu, trazendo em seu rastro o repique dos sinos da cidade. Algumas pessoas ainda estão celebrando a chegada da primavera. Aquele pensamento invasor bruxuleou dentro do vazio, em ondas de luz, rompendo a platitude; e, naquele mesmo instante, o Sentinela brandiu a espada, como se pudesse ler a mente de Rand.

Por um longo minuto, o terraço preencheu-se com o som de aduelas se entrechocando. Rand não fez esforço algum para atingir o oponente; o melhor que o garoto podia fazer era evitar que o Sentinela o atingisse. Rand conseguiu se defender da série de golpes – mas os aparava sempre no último instante, quando a espada de Lan estava quase atingindo seu corpo; e, a cada defesa, o garoto era obrigado a recuar vários passos. A expressão de Lan se mantinha imutável; a espada de madeira parecia ter ganhado vida entre suas mãos. Em determinado momento, o Sentinela ergueu o braço, como se fosse desferir uma cutilada cortante; abruptamente, contudo, seu movimento alterou-se, e a espada se projetou à frente, num golpe de ponta. Pego de surpresa, Rand deu um passo para trás e contraiu o corpo, sabendo que, dessa vez, não conseguiria aparar o golpe.

O vento uivou sobre o terraço... e agarrou o rapaz. Foi como se o ar se tornasse subitamente sólido, uma espécie de substância viscosa, prendendo Rand em um casulo invisível e o empurrando para a frente. O tempo desacelerou e, com ele, todos os movimentos; horrorizado, Rand viu que a espada de Lan se dirigia lentamente na direção de seu peito. Mas o impacto não foi nada lento, tampouco suave. As costelas de Rand rangeram, como se um martelo as houvesse atingido. O jovem soltou um grunhido de dor e tentou recuar, mas o vento continuava a empurrá-lo para frente. As aduelas da espada se curvaram – o tempo voltara a se arrastar vagarosamente agora – e então se romperam. As ripas quebradas penetraram na pele do jovem; aguçadas lascas de madeira agora deslizavam rumo ao seu coração. A dor aguilhoou todo o seu corpo. Rand sentiu-se queimar como se o próprio sol o engolisse.


Excerto de A Grande Caçada, de Robert Jordan.



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