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Crônicas da Sétima Lua – Cenário de Campanha (Resenha)

Lançado há quase seis meses, Crônicas da Sétima Lua – Cenário de Campanha (C7L) é um dos poucos cenários D20 lançados por editoras nacionais que não só usa o Sistema D20, mas também segue o espírito do D&D.

Criado inicialmente para ser o novo cenário da Dragão Brasil durante a época em que a revista era feita pela Equipe RedeRPG, com o final da parceria entre o portal e a revista, o cenário acabou sendo adotado pela Editora Conclave.

C7L - Cenário de Campanha. Clique na imagem para ampliá-la!

As aventuras em C7L se passam em Isaldar, uma das sete luas de Elária, o Mundo Primordial. Algumas centenas de anos atrás, uma criatura maléfica denominada A Aniquilação surgiu sem razões aparentes. Ela era capaz de consumir tudo e todos, então os Deuses a selaram no mundo de Elária, sacrificando suas vidas para que os povos que ali viviam fossem levados para Isaldar. Desde então, esporadicamente aparecem pessoas dotadas de poderes divinos, porém finitos, chamados Luminares.

O livro começa com uma Introdução de três páginas, explicando com um pouco mais de detalhes a história do mundo escrita no parágrafo acima.

O primeiro capítulo, Personagens, traz adaptações e novas regras para criação de personagens em C7L espalhadas em 32 páginas. Ele começa explicando as regras para Luminares, como os poderes que eles têm acesso e as limitações de uso dos mesmos; e para os personagens ‘normais’, são apresentadas regras de Pontos de Ação. Em seguida o livro mostra as raças de Isaldar:

  • Anões: São mercenários e muito bélicos, com um espírito espartano.
  • Elfos: São muito capazes com a magia, e possuem uma tradição cultural – o Daishin – de sair de suas terras e explorar o mundo.
  • Gnomos: Foram adaptados, tanto na parte descritiva quanto na mecânica, para terem mais sinergias com a sua classe favorecida, o Bardo.
  • Halflings: São divididos em vários clãs, e vivem como nômades após terem perdido suas terras quando foram trazidos de Elária.
  • Meio-elfos: Visões raras em Elária, eles vivem à margem da sociedade, e muitas vezes são tratados como lunáticos. A mecânica da raça foi re-escrita para ter uma sinergia com sua nova classe favorecida, o Feiticeiro.
  • Meio-orcs: Filhos dos habitantes originais de Elária, os meio-orcs caçam as sombras que ameaçam a lua. Também sofreram alterações mecânicas.
  • Yakshas: É a nova raça do cenário, com base na cultura Hindu. Tem aparência humana, embora mais altos, com pele de cor metálica dourada, olhos cor de cobre ou prata, e cabelos vermelhos ou brancos. Os yakshas têm uma forte relação com a religião, e muitos deles são monges ou clérigos.

Depois o capítulo mostra como as classes do Livro do Jogador ficam em Isaldar:

  • Bardos, Barbaros, Guerreiros, Ladinos, Rangers e Wizards não sofreram alterações.
  • Clérigos e Druidas existem, mesmo com a ausência dos Deuses, porém vivem com muitos dilemas: estão cultuando os antigos Deuses ou apenas o que restou deles? Os Luminares devem ser os próximos Deuses, ou são uma ameaça para as antigas divindades?
  • Feiticeiro: Em C7L, além de ignorar componentes materiais, os Feiticeiros podem aumentar o poder das magias que conjuram através da habilidade Sobrecarga, correndo o risco de perder a magia se não passarem em um teste.
  • Monge: De longe a classe mais modificada, com o intuito de torná-la um pouco mais forte. Todo monge deve escolher entre oito Estilos de Combate: Caminho do Vento, Égide da Montanha, Forja dos Ossos, Harmonia das Ondas, Punho de Titã, Técnica do Escorpião, Tempestade dos Ventos Cortantes e Virtude da Lâmina; sendo que cada estilo define os talentos bônus recebidos pelo monge no 1º, 2º, 6º e 9º níveis, definindo também a forma com que o monge luta.
  • Paladino: Devido ao sumiço dos Deuses, personagens Paladinos estão livres para fazer multiclasse.

Para completar a lista, o livro nos apresenta uma nova classe: o Tecnomago. Infelizmente, a versão publicada veio incompleta, porém uma errata foi lançada dias depois, e a Errata Oficial completa do livro pode ser baixada gratuitamente aqui ([download id=”22″ format=”3″]).

A classe é uma espécie de conjurador especializado em criar itens mágicos, no caso, tecnomágicos, mas que é incapaz de conjurar magias por si só.

Como não poderia deixar de ser, o livro traz novas classes de prestígio para personagens, todas bem ligadas ao cenário:

  • Batedor da Ferida: Meio-orcs (ou Orcs) que sabem como burlar os perigos da Ferida, uma enorme fenda em Isaldar que foi criada com a Queda dos Deuses, sendo um dos locais mais inóspitos do cenário.
  • Caçador da Escuridão: São combatentes especializados em caçar criaturas afetadas pela Escuridão, um evento periódico onde os seres malignos, se aproveitando de um período anormal em que a noite perdura, ficam extremamente ativos em todos os cantos de Isaldar.
  • Luminar Elemental: Os Luminares que pegam esta classe de prestígio conseguem conjurar muitas magias úteis referentes a um dos elementos: água, ar, fogo, terra.
  • Xamã dos Ossos: Os membros desta classe de prestígio representam os sacerdotes (clérigos e druidas) de raças menos desenvolvidas, como os orcs. Com o passar dos níveis, ele aprimora o seu cajado dos ossos, uma arma criada quando o personagem entra na classe de prestígio. Além disso, ele tem um conjunto de habilidades a serem escolhidas conforme se evolui na classe que inclui um incremento na dificuldade do teste de resistência contra uma magia ou a capacidade de obrigar o alvo a rolar novamente um teste de resistência bem sucedido contra uma magia.

Para completar o capítulo, temos dez novos talentos: Ataque Adicional, Canção da Conjuração, Criar Tecnomagia Menor, Criar Itens de Metal Divino, Limiar Ampliado, Magia de Ossos Divinos, Punho de Ferro, Recuperar Magia, Sangue Feérico, Veterano da Ferida. Embora o número não seja muito grande, eles conseguem dar opções para a maioria das classes e/ou trazer um pouco do cenário para as regras. Há, então, uma pequena discussão sobre magia arcana e divina; sobre a Tecnomagia, a mistura de magia e tecnologia que permite criações como os navios voadores que chamam tanta atenção na capa do cenário; e sobre o Metal Divino, criado devido a Queda dos Deuses, que permitiu surgir a Tecnomagia. Para finalizar, são apresentadas regras para armas de fogo e criação de itens tecnomágicos, assim como alguns exemplos.

O segundo capítulo, Os Deuses Mortos, traz dez páginas dedicadas aos Deuses de Elária. Os 21 Deuses são detalhados no padrão D&D: nome, símbolo (ilustrado), nível de poder (divindade menor, intermediária ou maior), tendência, aspectos, seguidores comuns, domínios, arma predileta, dogma e uma descrição de alguns parágrafos sobre a divindade e sua história. Em geral os Deuses não fogem ao padrão, embora não existam Deuses puramente raciais. No meio do capítulo há a descrição de um novo domínio, relacionado a Venenos.

Entre os segundo e terceiro capítulos temos um mapa de duas páginas, feito por Leonel Domingos. Como o livro foi impresso em preto-e-branco e ocupa duas páginas, é um pouco difícil definir algumas partes do mapa, mas felizmente temos acesso à imagem original aqui.

Mapa C7L - Clique na imagem para abri-la em versão Alta Definição (3.307×2.190 pixels) para impressão

O terceiro capítulo, O Mundo de Isaldar, apresenta os muitos reinos do cenário, que variam do clássico ao exótico: Onires, a floresta intocada dos elfos; Cimeris, um reino governado por amazonas; Haradath, uma região pantanosa dominada por um Lich; o Império Melkhar, maior ícone do uso da tecnomagia e do Metal Divino; os Principados Brilhantes, um conjunto de cidades-estado benignas; entre muitos outros. Existem até reinos com cultura oriental em Isaldar. Além da descrição de várias localidades, há regras para o deserto sobrenatural da Ferida. Em seguida o livro descreve os mares e reinos insulares de Isaldar; explicações e regras para a Escuridão; o calendário do cenário; e finalizando o capítulo, uma linha do tempo detalhada.

As últimas 11 páginas são dedicadas a um apêndice que contém:

  • A Cidade Livre de Santuário: Uma pequena descrição desta cidade que é um porto seguro para Luminares, localizada nos Principados Brilhantes.
  • Esquecido e Escravo da Tempestade do Lamento: dos novos modelos (templates) para criaturas afetadas pela Queda dos Deuses e pela Ferida. O primeiro é para extra-planares e elementais, enquanto o segundo é para a maioria das outras criaturas .

Também são apresentadas outras três criaturas: bakeru, um goblin alado; besta tharr, uma enorme besta de carga anã; e urorc, uma sub-espécie mais bestial dos orcs.

A arte do livro é bem característica, especialmente devido às ilustrações de Flavio Augusto Ribeiro, ilustrador da capa. Cada capítulo tem uma ilustração de página inteira que – assim como o resto da arte interna do livro – tende a ser muito boa, acima do padrão nacional.

Quando a questão são as regras, não há muito que reclamar excetuando um ou outro erro de revisão, como a já citada do Tecnomago, ou o toque chocante (magia de eletricidade e, portanto, relacionada com o elemento ar) no lugar de mãos flamejantes nas magias que o Luminar Elemental ganha ao escolher acesso ao elemento fogo, todos já corrigidos na Errata Oficial.

O único grande mal que Crônicas da Sétima Lua – Cenário de Campanha sofre, é ser um livro brasileiro: impressão preto-e-branco e, principalmente, tamanho reduzido, acabam sendo um problema.

A falta de cor atrapalha quando o assunto é o mapa, além das ilustrações principais ficarem bem melhor em cores, vide a ilustração da capa.

A falta de tamanho limita o espaço para manter o preço mais acessível, porém acaba limitando o conteúdo: faltam páginas dedicadas à guiar o Mestre pelo cenário, detalhar o clima do mundo e de suas aventuras, e mais ganchos de aventura diretos, além de um ou outro detalhe, como um detalhamento dos idiomas do cenário, mas que são mostrados na coluna mensal do cenário, publicada aqui na REDERPG.

Estes defeitos deixam o cenário atrás dos grandes importados, como Eberron, Forgotten Realms e Iron Kingdoms; porém ele é muito superior a qualquer cenário nacional do ponto de vista do desenvolvimento – e, sem dúvida, uma ótima alternativa para quem não quer ou não pode gastar 90 reais em um cenário importado.

Notas (de 1 a 6)
Layout/Arte:
6
Texto: 5
Conteúdo: 5
Notal Final: 5

Jogo:
Crônicas da Sétima Lua – Cenário de Campanha
Editora: Conclave Editora
Formato: 120 páginas, capa mole colorida, interior P&B
Autores: José Luiz “Tzimice” Cardoso, Rafael Rocha, Richard Garell e Tiago Marinho
Preço Sugerido: R$ 34,00
Idioma: Português

Resenha por Domingos “Onslaught” Santin Neto

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Reia: Civilizações Antigas, Dragões e Artefatos

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