Midnight, resenha e prévia em português

Nos dias 28 e 29 de fevereiro de 2004, foram publicadas no antigo portal a resenha (1.868 leituras) e uma prévia traduzida pela Equipe da REDERPG do Midnight, o aclamado cenário OGL da 3a Edição de D&D lançado pela Fantasy Flight Games. A resenha foi escrita pelo grande ilustrador Márcio Fiorito e nela vocês podem conferir esse cenário de fantasia medieval onde o Mal venceu e os heróis são caçados pelos servos da escuridão.


Midnight: tudo que você já viu, de um jeito que você nunca viu.

Um cenário antigo, com pouca magia, deuses distantes, e muito maniqueísta. As forças do bem contra as forças do mal, onde os elfos (os antigos e milenares representantes da luz) e os anões (bravos e resistentes senhores da terra e dos reinos subterrâneos) se juntam aos novos e determinados humanos na luta contra as criaturas da escuridão pela liberdade e pela paz.

Soa familiar?

Não, esta não é uma resenha do RPG do Senhor dos Anéis, tampouco da magnífica trilogia cinematográfica de Peter Jackson! Estamos falando de Midnight, um dos mais novos e interessantes cenários lançados para o sistema d20 pela empresa americana Fantasy Flight Games.

Talvez a melhor maneira de descrever Midnight grosseiramente em poucas linhas é: “O que aconteceria se a Terra-Média fosse finalmente conquistada pelo Sauron? O que aconteceria se os povos livres de Arda tivessem sido derrotados durante a Guerra do Anel?”

Antes que os “Arautos da Originalidade” saltem de suas cadeiras em protesto, derrubando o computador e derramando café na mesa, é bom salientar que a Fantasy Flight Games não faz o MENOR esforço para esconder suas referências e assume com orgulho o que fez (e, diga-se de passagem, fez muitíssimo bem!). Tudo, desde os nomes até as descrições, são propositalmente feitos para parecer com a obra de J.R.R. Tolkien.

Vamos à história, de forma bem resumida: após uma guerra nos céus, Izrador (o deus safado das trevas que todo cenário tem!) foi expulso dos reinos celestiais pelos deuses da luz e atirado ao mundo de Aryth, indo parar mais precisamente no norte do continente de Eridane. Mesmo derrotado, Izrador conseguiu corromper a magia e destruiu as ligações entre os deuses e seus seguidores, tornando-se o único deus do cenário capaz de comungar com seus fiéis.

Enfraquecido e sem corpo físico (lembra alguém?), o deus das trevas reuniu suas forças e se lançou para conquistar as terras ao sul. Da primeira vez, foi derrotado por elfos, anões e humanos. Da segunda, pela união de todas as raças.

Mas na terceira tentativa, ele venceu…

Corrompendo quatro dos maiores heróis de Eredane, transformando-os em seus poderosos servos – os Night Kings (alguém aí gritou “Nazgûl”?), Izrador dominou o continente e consolidou sua campanha caçando e destruindo as raças mais antigas como os anões e os elfos. Todo o continente era controlado pelas trevas. E isso permanece até hoje.

(Pobre Terra-Méd…. Ops! Eredane…)

Mas ainda existem aqueles que se opõem às forças da escuridão. Existem aqueles que não se curvaram às legiões do mal e ainda lutam pela libertação dos povos e pela volta dos tempos de luz. Uma dessas figuras é Aradil, a Rainha-Bruxa, que governa os elfos de sua floresta impenetrável (isso me lembra alguém…), corajosamente resistindo aos constantes ataques de orcs e ogres.

Das raças disponíveis, temos os Anões, que se dividem em clãs e vivem sob a terra (com exceção dos Kurgun, que se adaptaram à superfície); os Elfos (divididos em Snow, Wood, Sea e Jungle), que vivem em comunhão com o pouco de natureza restante; os Gnomos, que habitam os rios e controlam o transporte (e o contrabando!) fluvial; os Haflings, escravizados em sua grande maioria; os Humanos (que se dividem entre os Dorns, os Sarcosans e os Erenladers); e os Orcs (sim! Orcs feios, maus e violentos). Além dessas raças, ainda existem os híbridos: os Dwarrows (uma mistura de gnomos e anões), os Dworgs (uma mistura de anões e orcs) e os Elflings (uma mistura de elfos e halflings).

Midnight muda bastante os conceitos de classe para o sistema d20. Das classes básicas que se conhece, apenas Guerreiros, Bárbaros e Ladinos estão disponíveis de forma intacta. Todas as outras classes não existem no cenário e foram substituídas por versões mais apropriadas. O Channeler é o único capaz de lançar feitiços (todos muito fracos, pois o cenário tem muito pouca magia), funcionando como uma mistura de mago, clérigo e druida. O Defender é uma mistura de Plebeu com Monge, e representa o lutador comum, que luta com o que pode diante das forças das trevas. O Legate é uma classe aliada às trevas, e seus adeptos funcionam como a “polícia” de Izrador, caçando e exterminando magos e outros praticantes de magia. Por fim, o Wildlander é uma espécie de ranger sem feitiços, mais adequado para o cenário sinistro de Midnight.

Como o cenário muda bastante o conceito dos personagens – muito por causa da pouca magia existente em Aryth – várias classes conhecidas desapareceram ou foram transformadas (como é o caso do Druida e do Mago, que se tornaram Classes de Prestígio). Além disso, são apresentados os “Heroic Paths”: um tipo de “lista de vantagens” que todo PJ possui e serve para definir melhor os personagens. Alguns exemplos são o Chanceborn (onde o personagem é dotado de uma sorte quase sobrenatural), o Feyblooded (descendentes das criaturas da natureza e que ainda possuem poderes inatos sobre a magia), o Mentalist (que possui e desenvolve pequenos poderes psíquicos) e o Quickened (personagens dotados de grande agilidade e rapidez). Essas diferenças tornam os personagens de Midnight um pouco mais poderosos, equilibrados entre si, mas conferindo um NEP de +1 quando interagindo com personagens comuns de D&D.

Esta talvez seja uma das minhas poucas críticas ao cenário. Apesar de funcionar muitíssimo bem DENTRO das histórias de Midnight, não é possível “cortar e colar” a maioria das regras para utilizá-las em outros cenários. Um Wildlander completo (com Heroic Path e tudo o mais) em Forgotten Realms, por exemplo, seria extremamente poderoso, enquanto o Channeler teria dificuldades em um cenário tão mágico.

Além disso, outra coisa que me incomoda pessoalmente (e eu disse PESSOALMENTE) é a existência de alguns elementos do D&D que não se encaixam muito bem no clima “Tolkienesco” do cenário. Um bom exemplo é a classe básica dos Defenders, que apesar de disfarçada de “plebeu-pitbull”, não deixa de carregar um desnecessário clima de monge (ao melhor estilo D&D Shaolin) – ou alguém aí consegue imaginar um pacato habitante de vila com uma esquiva sobrenatural e causando 3d6 de dano ADICIONAL com as mãos nuas em níveis mais altos?

Mas fora esses pequenos deslizes, o cenário é perfeito. Na verdade, são comuns os comentários de que a Terra-Média é ótima como livro mas ruim como cenário de campanha (não consigo me decidir quanto a isso, mas…). Pois bem, Midnight é uma “Terra-Média” super-jogável, com muitas histórias e possibilidades de aventura, apesar de todas possuírem o tema comum de “forças da resistência lutando pela liberdade contra a opressão”. É possível encaixar o seu personagem preferido do Senhor dos Anéis (ou um gêmeo esquecido dele) no cenário, enquanto se mantém a atmosfera de D&D.

(Quer saber do Legolas, né? Bem, ele seria provavelmente um Wildlander/Quickened…) :)

A Fantasy Flight Games tem produzido bastante material para o cenário e o sucesso (tanto de público quanto de crítica) é enorme. Até o momento, além do livro básico “Midnight Campaign Setting: Epic Fantasy in na Age of Shadows”, já foram lançados os suplementos “Against the Shadow” (uma espécie de “companion” para Mestres e jogadores com mais informações e regras sobre o cenário), “Crown of Shadows” (uma mega aventura para personagens iniciantes que vai do primeiro ao quinto nível) e “Minions of Shadows” (um esperado e necessário livro de monstros).

Enfim, Midnight é um cenário excelente para quem quer dar um ar novo ao seu jogo de D&D, para quem gosta de cenários sombrios mas não é fã de Ravenloft, ou simplesmente para quem está muito empolgado voltando de uma sessãozinha cinematográfica de O Retorno do Rei (rumo ao Oscar!).

Namastë! :)


Márcio Fiorito
é ilustrador profissional,
co-autor do cenário de Equinox
e possui o “Heroic Path” de “Metido a Engraçado”…

 


Midnight: Preview em português

Você leu a resenha de Midnight por Márcio Fiorito. Agora faça o download do preview traduzido com exclusividade para vocês pela REDERPG, através de sua parceria com a Fantasy Flight Games. Aproveitem!!!

Quando o D20 foi lançado ele mostrou uma nova tendência do mercado, o principal seria o cenário e não o sistema. Muitos cenários já foram lançados, dezenas… Fica difícil escolher entre tantos… Mas dois cenários chamaram a atenção dos críticos e jogadores. Um deles foi Iron Kingdom, da Privater Press. O outro foi Midnight. Midnight foi lançado pela Fantasy Flight Game em 2003, sem grandes pretensões. Era mais um novo cenário no mercado. Mas Midnight não era mais um… Em pouco tempo uma legião de fãs se formou, pedindo mais e mais…

Midnight é um cenário diferente e emocionante. O jogador não é apenas mais um no mundo, é o centro, a esperança de um mundo em ruínas, um mundo em caos gritando por salvação. Por isso é com grande prazer que a REDERPG traz o preview de Midnight em português, em parceria com a Fantasy Flight Games.
Bem Vindo à Escuridão…

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