in

Desafio dos Bandeirantes: 20 anos

 

Vinte anos atrás, no dia 13 de dezembro de 1992, Carlos Klimick, Flávio Andrade e eu iniciamos uma grande aventura pela História e o folclore do Brasil, lançando O Desafio dos Bandeirantes, o primeiro RPG com temas 100% nacionais.

 

Não foi nada randômico o fato de ser exatamente no aniversário do querido amigo Ygor Morais, autor dos RPGs Tagmar e Millenia, e outro companheiro inseparável. A ilustração aí ao lado não é a capa original do livro, um belíssimo trabalho em bico de pena do Mario Proença. Mas, além de ser a capa da segunda edição do Desafio, até hoje esta é uma das minhas ilustrações preferidas de todos os tempos, uma obra-prima da talentosíssima Eliane Bettocchi. Juntos, Mário e Eliane conseguiram dar forma e traço a um mundo que começou a nascer nas longas tardes de 1991 e 1992, num longínquo mundo que já não existe mais…

Naquela época, num outro século, ainda não existiam computadores (pelo menos não como os conhecemos hoje) ou internet. Os celulares eram coisa de ficção científica e mesmo os nossos queridos RPGs “de papel” mal existiam no Brasil, a não ser pelos livros-jogos da Marques Saraiva (a série Aventuras Fantásticas), o GURPS (aquele do cabeção!) ou os pioneiros nacionais Tagmar e Demos Corp.

 

O Desafio nasceu mesmo de um desafio, feito por telefone: “Por que não escrevemos nosso próprio jogo, como fez o pessoal do Tagmar?” “Ótimo! Já tenho até uma ideia!” Mais tarde, diante de uma máquina de escrever Olivetti Praxis 20 – Google it, kids ;-) – Klimick e eu começamos a desvendar um continente inexplorado, repleto de feras selvagens, tribos desconhecidas e poderosas criaturas mágicas. Era um lugar meio parecido com o Brasil que a gente conhece nas aulas de História ou nos livros de Monteiro Lobato, Câmara Cascudo e outros. Para evitar que a gente se perdesse naquela floresta de ideias, convidamos (convocamos, na verdade…) o Flávio Andrade para nos ajudar a dar forma e conteúdo ao que viria a ser a Terra de Santa Cruz, ao que viraria O Desafio dos Bandeirantes.

 

Nenhum de nós três poderia sequer imaginar que hoje, exatos 20 anos depois, alguém ainda se lembraria disso, alguém ainda daria valor ao nosso livro, ao nosso jogo, ao nosso cenário, feito do jeito que achávamos que devia ser feito, com as regras que achávamos que ele deveria ter, sem concessões, sem artifícios, sem macetes ou jogadas de marketing.

É… talvez seja aí que resida o grande segredo da longevidade do Desafio dos Bandeirantes, um RPG sincero, criado por três sujeitos apaixonados  por jogos, por histórias e pelo Brasil, e que segue sendo uma referência (cada vez mais esmaecida, é claro!) no cenário do RPG nacional. Afinal, mesmo esgotado desde 1996, o Desafio é sempre lembrado, elogiado e celebrado por jogadores e mestres de jogo das antigas, e por novos bandeirantes, que acabam descobrindo o jogo por acaso.

Em algum lugar, na varanda de um modesto casebre, deitado na rede diante das montanhas e do verde da mata atlântica, este velho bandeirante conta os anos e sorri. Foram 20 anos de muitas histórias: umas alegres, outras tristes. Foram 20 anos de muitas conquistas, de muitas vitórias, de muitos desafios e de muitas, muitas aventuras.

Que venham os próximos 20!

Boas aventuras a todos!

 

Luiz Eduardo Ricon

 

P.S.: Fica aqui a minha homenagem a todos os jogadores e mestres de jogo que se juntaram à nossa bandeira desde 1992 e que ainda hoje guardam o nosso querido “Desafio dos Bandeirantes” na memória, na estante ou no coração. A todos esses bravos aventureiros, desbravadores da imaginação, o meu muito obrigado.

 

4 Comments

Leave a Reply
  1. Na época não tive como ter esse jogo, nem mesmo para olhar, não havia esse “negócio” de venda online…

    Fui conhecê-lo muito tempo depois, mas nunca tive chance de ter o livro em mãos!

    Seria bom se colocassem o jogo novamente para venda, nem que fosse em PDF mesmo, com regras revisadas, ou mesmo em esquema de financiamento coletivo.

    Eu, com certeza compraria!

  2. Jogue Badeirantes na epoca que foi lançado por muito tempo e o ano passado (14 anos depois que parei de mestrar) voltei a mestrar o mesmo para um grupo de novatos que estão amando a ambientação.

    Vivas ao DESAFIO DOS BANDEIRANTS o 1º RPG 100% Brazuca

    OBS: Pq nenhuma editora não se propõe a relança-lo, nem que seja em outro sistema, como o D20 por exemplo!

  3. Em nome de toda família REDERPG, quero dar os parabéns ao Ricon, Carlos Klimick e Flavio Andrade, verdadeiros heróis lendários e desbravadores do RPG brasileiro. Desafio dos Bandeirantes sempre será um dos meus jogos favoritos, assim como a aventura pronta “O Engenho”.

    Boas Festas,

    Marcelo Telles
    Fundador da REDERPG

  4. Tagmar e Desafio dos Bandeirantes foram os jogos que iniciaram a mim e meus amigos no RPG. Encontramos os livros básicos abandonados na pilha de descarte de uma biblioteca, lemos e, sem nem saber nada sobre role-playing game na época, passamos tardes e mais tardes desbravando aqueles dois universos fantásticos.
    Só ano passado, muito tempo depois da nossa primeira partida, consegui comprar eu um sebo os suplementos do jogo. Hoje me orgulho de ter todos na minha estante.

Deixe uma resposta

Pathfinder Online: A Fantasy Sandbox MMO

RPGArautos na Ludus – 16/12/2012