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Vampiro: A Máscara 5ª Edição: The Camarilla, o livro que derrubou a White Wolf (resenha)

Eu comecei a jogar RPG pelo Vampiro: A Máscara (V:aM), por muitos anos foi minha única referência de RPG. Ele era pra mim a melhor coisa que já tinha visto na vida, em todas as mídias que havia consumido. Afinal, com 14 anos, não tinha consumido lá muitas coisas. De qualquer modo, minha mente explodiu e adorei esse jogo por vários anos.

Minha paixão foi sumindo conforme ia conhecendo mais do jogo. Quanto mais me aprofundava na história e, principalmente, nos fóruns, mais minha vontade ia embora. Assim como em muitas coisas da cultura moderna, o produto é foda, o que mata são os fãs.

Anos depois, conheci o Vampiro: O Réquiem e ele supriu a lacuna deixada. Adorava em todos os quesitos o sucessor da Máscara e ainda amo. Gosto demais dele e me sinto muito mais à vontade jogando-o. Mas, então, foi anunciado o Vampiro: A Máscara 5ª Edição. Não dei a mínima importância ou alimentei expectativas, mesmo que tenha lido os betas, não esperava muita coisa. Mas, enfim, o livro foi lançado e me surpreendeu, e MUITO.

Curti quase tudo que li, de verdade. Pra mim, casou o que tinha de melhor com os quase 15 anos do Novo Mundo das Trevas (hoje renomeado como Chronicles of Darkness, Crônicas das Trevas) com os quase 25 anos do antigo Mundo das Trevas. Um livro excelente.

Não é novidade que seriam lançados dois suplementos logo de cara: Anarchs e Camarilla. Informações sobre Sabá apenas em 2019. Então, com ambos suplementos em mãos, decidi começar a leitura e, logo de cara, o Camarilla ganhou minha atenção. E detalharei o porquê abaixo.

O BÁSICO
São 200 páginas de pura informação de jogo, quase nada de regras. Quase nada mesmo, se juntar tudo, não dá cinco páginas. Assim como os livros de clã do Vampiro: O Réquiem, o livro é quase todo escrito pela perspectiva de diferentes interlocutores. Logo, há muitos pontos de vista diferentes, interpretações diferentes, o que já deixa claro de como a coisa é mutável ao redor do mundo.

O livro é quase todo apresentado principalmente por – ninguém mais, ninguém menos – que Victoria Ash! Sim, aquela bonitona da capa do Livro do Clã Toreador. Quem conhece um pouco da sua história, sabe o quanto ela é importante para a Camarilla moderna.

A leitura e fluída, letras finas, fundo branco, design clean, assim como o livro básico do V5.

A VISÃO DE CIMA
O primeiro capítulo explica logo de cara como é a Camarilla, agora apelidada de Torre de Marfim, ou apenas, A Torre. A estrutura ainda segue algo parecido: no topo temos o Círculo Interno, com os vampiros velhos pra cacete, que dão as direções da porra toda. Depois vêm os Justicares, agora com apenas cinco. Afinal, Brujah e Gangrel não fazem mais parte da Camarilla. Os Justicares tem o papel de fortalecer as tradições que fazem a ordem funcionar. Abaixo deles vem os Arcontes, o executivo, e Príncipes, o administrativo.

De forma simples e direta, cada função e papel é explicada. Há o nome e papéis dos Justicares atuais, além de muitos recortes, relatos de príncipes, arcontes e de outros que estão pelo mundo. Assim você consegue ter uma noção clara de como a coisa funciona. De uma vez por todas, fica claro que a Camarilla em muito se assemelha com ordens secretas, com seus degraus, manutenção de poder e privilégios.

NOSSA FÉ
Aqui vem a grande surpresa: A Camarilla agora é Nodista. Exatamente, uma vez negou os Antediluvianos e negava devoção à Caim, um papel que o Sabá abraçou com prazer. Resumindo, a Camarilla entende que sua seita é intrinsecamente conectada aos mitos judaico-cristãos. Logo, há uma necessidade de entender e aceitar ao fatos do cristianismo como verdades, pois, sem eles, não há Caim. Mas o livro vai além, mostrando que sempre houve conexão entre o vampirismo e a crença católica: o fascínio pela vida após a morte, sangue, ressurreição, dentre outras coisas. Tudo isso compõem a Heresia Cainita (sim, com letras maiúsculas).

Ao melhor estilo estudos de Analote e Beckett, ou mesmo ao livro Mythologies do Vampiro: O Réquiem, encontramos no livro a descrição de cultos, heresias e ordens que existem entre os vampiros. Essa é uma das partes mais incríveis do livro, pois mostra como a Camarilla conduz o culto ao ancestral máximo, Caim, aos antediluvianos e como tudo isso se conecta à religião mortal ao longo do mundo.

Para concluir esse capítulo tesudo, temos um guia de cerimônia, acho que é esse o nome. Onde um padre conduzirá uma missa de Veneração ao Matusalém. É simplesmente incrível e assustador. Bem ao estilo das Missas do Sabá.

NOSSA MISSÃO, FIRMAMENTO
“Cain nos garante imortalidade
O Sangue nos garante poder
Os clãs nos garantem um papel
A Camarilla nos garante uma ordem
E a humanidade nos garante um propósito”
.

Aqui entramos no modo como a Camarilla age, seu papel em liderar a humanidade. Para a Camarilla, é seu papel tentar exercer controle sobre os humanos de forma a favorecer a existência da raça cainita. Como o livro diz, A Máscara não é sobre se esconder, mas sim sobre dançar. Principalmente sobre a parte de conduzir o parceiro. Isso é controle. Isso é influência. Isso é conduzir.

Neste momento é explicado porque as tradições, todas elas, sem exceção precisam ser respeitadas e como os antigos tentam passar ela à cada nova geração.

Há uma atenção especial sobre a importância de se manter a humanidade, o controle da besta, manter a palavra, as dívidas. Afinal, toda a Camarilla existe como uma grande sociedade de favorecimento mútuo. Se não houver confiança, tudo cairá.

Seguimos detalhando a importância de ter a polícia e mídia sobre o controle da Torre. E além disso, de se manter conectado à cultura do mundo, à vida noturna. Mostrando que a Máscara é mais que uma ferramenta de subterfúgio, uma arma quando devidamente utilizada.

A GUERRA DA GEHENNA
Possivelmente o capítulo mais importante do livro, pois mostra como ficou o mundo dos Cainitas após os eventos da Gehenna. Não entrarei em detalhes, mas, em suma, a treta foi quase toda no Oriente Médio. Há sinais dos eventos que envolveram os Assamitas e seus Matusaléns, assim como o que rolou com os Ravnos e seu Antediluviano. Mas, por fim, a Guerra do Oriente Médio ofusca/encobre os grandes eventos, e o que fica é a tensão, mistério no ar. Ninguém nunca saberá o que ocorreu em detalhes. Mas, em resumo, os vampiros se fuderam bonitinho e o Oriente Médio ganha uma nova perspectiva. Tanto que ele não está sob influência da Camarilla, o que é ótimo em termos de jogo, pois a Camarilla se baseia muito no modelo eurocêntrico, não só no quesito religioso, mas também de estrutura. Logo, deixar o Oriente Médio de fora ajuda muito a fortalecer a ideia de limite de poder e mistério. Uma nota importante: a Gehenna foi alterada de 2004-2006 para dias mais atuais, de 2012 para cá.

Em resumo, a maioria dos vampiros velhos se fuderam e o tabuleiro ainda está revirado, há uma briga por domínio onde Camarilla e Anarquistas lutam ferozmente. O Sabá é meio que deixado de lado.

A parte final desse capítulo é um show à parte. A descrição de Abrek, o reino absoluto dos vampiros na Chechênia. Aqui eles comandam de forma incontestável, como o próprio livro diz: um lugar detestável para aqueles que ainda respiram. Pelo que tudo indica, Abrek é o modelo que a Camarilla adoraria adotar no mundo inteiro. A frase que define o lugar é incrível:

“ABREK É TUDO AQUILO QUE NÃO EXISTE FORA DE ABREK”.

O poder aqui é tão forte que há destacamentos militares reforçados por dezenas de vampiros. É sensacional.

MAS, COMO NEM TUDO SÃO FLORES, esse capítulo possui um trecho que ficou horrível, mal escrito, ofensivo, desnecessário. Aqui vai uma longa discussão sobre o assunto, onde até o próprio Mark Rein-Hagen deu suas considerações. A própria White Wolf (*N.E.) fez um pedidos de desculpa e disse que verá como será feito para reparar essa ação, que segundo ela, passou despercebida.

(*N.E.: Enquanto estávamos revisando esta resenha para publicá-la, a Paradox Interactive, dona do White Wolf, soltou uma nota oficial sobre a questão, onde anunciou a remoção do trecho do livro e mudanças profundas na White Wolf. Vocês podem conferir uma tradução da nota feita pela Alessa Malkavian, na postagem dela no grupo V5 do Facebook.)

A SEGUNDA INQUISIÇÃO
A Gehenna ocorreu em 2012-2016 e junto com esse evento místico, ocorreu a Segunda Inquisição. O livro básico do V5 explica rapidamente como tudo ocorreu para queda da Camarilla e o golpe da Segunda Inquisição (SI), mas aqui entramos tudo bem detalhado.

De forma bem resumida, a Camarilla tem ciência que sem a Máscara, sem usar o que sabem fazer de melhor, eles teriam sido exterminados. A Segunda Inquisição é uma força especial do Vaticano, mas não é apenas isso. Pois seria muito bobo, esse é só o núcleo da parada.

A SI responde pela sigla intergovernamental (quando há a união de dois ou mais governos) de Intergovernmental Task Force on Extraordinary Counter-Terrorist Response (ITFECTR), porém o nome pode mudar. Mas, em suma, o SI é resultado do trabalho anti-terrorista dos EUA contra a AL Qaeda em 2007, durante o processo esbarraram em coisas que não deviam. Por fim, nasce um grupo conjunto, um conglomerado de forças e agentes da NSA, CIA e FBI. Com o tempo ganham força da MI6 e KGB. Assim a SI se torna global. Depois desses locais, ganha força também no Brasil e se junta ao Batalhão de Operações Especiais Secretas (BOES), além de contar com apoio da ROTA, BOPE e BME. Do Brasil sai a influência da SI na América Latina. No miolo do miolo está a Sociedade Leopoldo, os fanáticos religiosos que travam uma guerra contra os cainitas há séculos.

Ou seja, a SI tem seus braços principais nos Estados Unidos, Brasil, Inglaterra e Rússia. Cuidando também dos países vizinhos. A França, Israel e Japão estão adentrando agora. Alemanha, Coreia do Sul e República Tcheca estão sendo flertados. Países sem força nacional receberam atenção e muitos dos seus policiais especiais e agentes são contatos da SI, como por exemplo Turquia, Tailândia, Índia, Nigéria e México. Mas é legal como o livro faz essa união soar verossímil, com cada grupo se unindo aos poucos, formando uma força tarefa que atua na zona cinza da legalidade.

Mas é importante lembrar: não há anúncio de uma GUERRA CONTRA VAMPIROS. Tudo ocorre meio que por baixo dos panos, por vários motivos: medo, poder da Camarilla, mas algo que TRUE BLOOD (seriado) alertou – medo de ter problemas com direitos humanos, regras de nações e tudo mais. Um vacilo e pode ocorrer acidentes diplomáticos, com vampiros sendo tratados como cidadãos e aí tudo será mais difícil.

Outra nota importante: o grande trunfo da SI é seu completo e total controle da rede de computadores mundial. Quando a SchreckNet caiu, a NSA resgatou parte dos dados e o livro deixa claro que qualquer atividade da Camarilla entre 1990 e 2000 pode estar nas mãos da SI. Por fim, a SI criou o Xscope e o colocou nos aeroportos principais. Uma espécie de scanner corporal que identificava vampiros desavisados.

Então, a Camarilla fez o que sabe fazer de melhor: se esconder e voltar aos antigos métodos de caça, sem deixar rastros ou sinais de sua existência. Houve uma verdadeira queima de arquivo. Sai a internet e mundo virtual, voltam-se os mensageiros e modelos arcaicos de comunicação. Com isso, a Camarilla conseguiu jogar a SI contra Anarquistas e Sabá. Com isso a SI deu uma trégua e talvez até acredite que o inimigo foi extinto. Mas não se engane: membros da SI foram pegos em esquemas de lavagem de dinheiro e apropriação de bens indevidos.

LEALDADE E ORDEM
Do modelo feudal, ao cartéis de crime, a Camarilla domina todos esses modos de manipulação e controle. Após existir por meio milênio, a Torre de Marfim permanece em pé, mesmo com danos em sua fundação, ela segue em pé. Acredita-se que sua existência deve-se a duas fundações antiguíssimas: Ordem et Fides, Lealdade e Ordem.

O genitor cuida do seu infante, por sua vez o infante tem bajulação e proteção pelo seu genitor. A Síndrome de Estocolmo é a melhor explicação para essa relação. Nesta parte vemos como a Camarilla exerce o seu poder: há trechos e recortes importante mostrando os pontos de vistas, históricos e modernos, sobre a manutenção da ordem.

Logo em seguida, temos uma parte incrível, onde ele fala sobre as Coteries… “Se você vive como um lobo solitário, será abatido como um lobo solitário”. Algo que sempre foi deixado de lado nos jogos de V:aM eram as coteries, mas elas vêm com tudo no V5, com uma justificativa plausível: com a perda de poder, a Camarilla passou a incentivar a união nos novos para que eles sejam mais fortes, e haja maior controle dos mais velhos. Algo aprendido com os Anarquistas, apenas apurado para melhorar a manipulação.

Os anciões tentam reunir coteries aos seus desejos, evitando hegemonia de um único clã ou outros fatores necessários. Alguns Príncipes tratam coteries como gangues, outros como executores, dependendo da sua forma de domínio.

“O Sangue te faz um clã. A Lealdade te faz uma coterie”.

Algumas coteries são bem antigas, agindo como uma fraternidade acadêmica, por exemplo. Algo importado diretamente dos Invictus foram os Juramentos. Algo muito comum entre Príncipe e Coteries. O livro apresenta os cinco mais famosos.

Vamos falar um pouco sobre Geração? É legal que Camarilla sempre negou os antediluvianos, diziam que era histórias, mitos, e agora usam as mesmas histórias para fortalecer as tradições. Mas o que ficou mais legal é a quebra de paradigma onde geração mais baixa = mais poder.

Há benefícios em estar mais perto de Caim na árvore genealógica, mas nada supera experiência, capacidade ou influência. Tradição sem experiência faz um sétima geração ser facilmente derrotado quanto um décima segunda geração com séculos de treinamento. Enfim, é preciso saber suas vantagens, idade ou potencial, e usar a seu favor. Como o livro diz, “dê tempo ao sangue”.

Aos novos é aconselhado que saibam o que virá. Com o tempo, o poder aumenta e junto com eles as provações. Al Capone deixa uma frase ao melhor estilo Musashi: “Idade vence geração. Sagacidade vence idade. Respeito vence os dois”.

Neste trecho tem uma carta de um vampiro fodão de Tóquio, ele é um 12º Geração, mas diz que não se enganem por isso, sua linhagem é tradicional. Mas isso pouco importa, a não ser que esteja falando com um Nodista. Fora isso, mostre respeito e postura.

Aqui seguimos falando sobre os Conclaves, as grandes reuniões de vampiros. Sobre suas dificuldades e como isso quase nunca ocorre.

Em seguida, temos o retorno de uma antiga tradição: os Casamentos de Sangue. Vampiros que se casam trocam sangue na presença do Príncipe. Mas a maioria não é por amor, são como casamentos medievais. Selando pactos e trocando poder. O mais famoso é o Casamento Vermelho, onde Victoria Ash se casa com Tegyrius. Assim firmaram aliança entre Camarilla e Ashirra (a grande seita de vampiros do Oriente Médio).

“A sagrada união abençoada por Haqim e Arikel, Irad, Enoch, Zillah e o Primeiro”.

Mas isso vai além: assamitas também se casam para fortalecer aliança militar. Ao melhor estilo espartano.

A CORTE
Por fim, chegamos à parte de como a Camarilla se organiza. Fica claro que, para a Torre, o poder vem de ostentar poder. A Camarilla existe graças à séculos e séculos de manutenção de poder, acordos e juramentos. Então o livro apresenta os principais cargos, seus deveres e exemplos de vampiros daquele cargo ao redor do mundo. Isso serve para termos uma perspectiva totalmente diferente ao mudar de domínio. Os cargos são:

• Príncipe: Deve fortalecer as tradições, julgar, dividir domínios e manter a corte unida.
• Senescal: É um braço direito do Príncipe
• Primogenitura: Pode ser um tribunal, um círculo, diretoria, patrícios, União ou Comitê, modelos diferentes de administração.
• Chicote do Clã: Serve como um segundo em comando para o Primogênito. Seu papel é confuso, mas serve para aumentar o poder do Primogênito.
• Xerife: Em uma cidade grande, junto com o Senescal, pode precisar de um Chefe de Inteligência, para manter tudo sob controle.
• Arauto: A pessoas responsável por levar a palavra do Príncipe. Esses são os mais tradicionais, mas há outros.
• Principal da Fé: É uma espécie de guia de fé em momentos conflituosos.
• Sombra: É como um educador e observador de Coteries.
• Zelador do Elísio: É responsável de manter todos em segurança e providenciar os encontros

Para fechar o capítulo, há uma bela descrição do papel e função do Elísio (local) e Elísia (reunião). Ainda apresenta alguns Elísios diferentes pelo mundo. Nota especial que Anarquistas não são bem-vindos, Zeladores serão sempre bem aceitos em qualquer Elísio da Camarilla e Sangue Fraco serão sempre tratados como gado, logo, por sua conta e risco. E que o Congresso Nacional Brasileiro é um Elísio.

Encerrando o capítulo, temos sobre como são as cidades da Camarilla. Fica claro que a Torre tem uma fachada de tolerância zero aos Anarquistas, mas não é verdade. Nos arrabaldes sempre há zonas sem controle da Camarilla. Um costume antigo e mantido é que a Camarilla tenha uma sede central na cidade de seu domínio, o lugar mais ostensivo e pomposo possível. Ainda temos um pouquinho sobre as zonas selvagens, terra de ninguém onde você pode se fuder de graça. O ainda capitulo vem com uma série de domínios ao redor do mundo:

Aleppo, Berlim, Bruxelas, Chicago, Constantinopla, Dubai, Londres, Paris, Praga, Rio de Janeiro, Stockholm, Tóquio, Veneza e Viena.

“Se você quer se divertir, venha para o Rio. Se você quer uma refeição fácil, venha para o Rio. Se você quer viver a vida como se fosse a última noite, venha para a porra do Rio! Venha ao Rio para uma experiência completamente nova, meu amigo. Você não acredita em mim? Apenas observe como a cidade funciona. Os Lasombra controlam os clubes, a vida da elite, as áreas turísticas, as praias. Os Toreador estão nas favelas, nos barracos, rondando em torno dos marginalizados nas ruas. Isso parece loucura pra você? Bem, você não viu nada. A cidade é livre, mas acredite, nós temos regras. Só não são as regras da Camarilla de sua Paris ou Chicago. Imagine que a Camarilla fodeu o Sabá, ou melhor, que o Sabá fodeu a Camarilla. Bem, o Rio é o bebê das duas seitas. Compartilhamos o sangue, nos divertimos, não damos a mínima para o que acontece fora da cidade. A festa nunca acaba!
E outra coisa. Não ultrapasse os limites da cidade. Eu sei o que digo. Se esbalde na Praia de Copacabana, abra a garganta de um turista, dance em sangue – o que for. Mas não perca de vista as luzes da cidade. Há algo fodido lá fora. Não é o Sabá ou a Inquisição. Eles podem ser Membros, mas não tenho certeza. Eles pegam qualquer um que saia da linha, meu amigo. Eles se escondem nas árvores e permanecem como cadáveres, esperando por alguém como você passar. Então se divirta no Rio, é o que lhe digo!”

– “Dizzy” Barretti, um Malkaviano qualquer. (V5: The Camarilla, pág. 120). Traduzido pela galera do Brasil in Darkness.

OS CLÃS
Apenas cinco clãs originais compõem a Camarilla: Ventrue, Toreador, Tremere, Nosferatu e Malkav. A Camarilla abraçou os Assamitas e agora eles fazem parte da seita.

“Orgulhe-se do seu sangue. Respeite seus anciões. Abrace o ideal do seu clã e saiba seu lugar na hierarquia da noite. Pela Torre e pela união dos clãs”.

Cada um desses seis clãs são bem explicados, seu papel na sociedade dos cainitas, na sociedade mortal, sobre suas fraquezas e peculiaridades. É realmente muito bom. Nota especial para os Assamitas que agora usam o nome arcaico, Bahu Haquin. Afinal não são mais algo de perjúrio e suspeita.

Sai o defeito do sangue ácido entra a fraqueza pelo Julgamento. Bahu Haquin são fascinados por levar justiça e julgamentos àqueles precisam ser vingados. Não há mais Quietus, agora tudo ficou a cargo de Rapidez, Ofuscação e Feitiçaria do Sangue. O livro traz dois rituais, um para entorpecer alvos e outro que cria uma comunhão do vampiro com uma arma branca.

Após apresentar os cinco clãs, eles apresentam os clãs anarquistas e explicam pouco sobre a primeira rebelião anarquista e a moderna. Aqui é levemente detalhado porque os Gangrel (a treta dos romances envolvendo Xaviar) e os Brujah (treta do Theo Bell e Hardestadt no Conclave de Praga) saíram da Camarilla. Depois vem um pouco sobre Caitiff e Sangue Fracos, uma vergonha para a Camarilla. Por fim, temos um pouco sobre o Sabá e a rivalidade e motivos que se perderam na história, mas deixa claro que o Sabá abandonou suas atividades e seguiu para onde o conflito e sangue é farto: Oriente Médio. Para a Camarilla o Sabá falhou, ou mudou seus alvos e objetivos.

“Deixem o Sabá se consumir numa orgia de sangue. Nós pagamos por bons lugares (para assistir isso)”.

O capítulo “Guia sobre anarquistas segundo a Camarilla” é incrível. Eles pintam um espantalho caricato do Anarquismo, dizem que são burros, desmerecem, falam que não sabem.

Por fim, o livro termina com vários LORE SHEETS maravilhosos. Vários dos nomes citados no livro estão presentes aqui. Junto com as Loresheets do livro básico, você tem muito das histórias antigas de volta. Nelas temos o retorno de Fatima Al-Faqadi e Victoria Ash, além da possibilidade de ser um Ventrue conectado à mais elitista parte da linhagem ou mesmo ser um Tremere super importante na reconstrução do clã.

CONFLITO INSTITUCIONAL
Para terminar com chave de ouro, o livro apresenta regras para combate entre instituições. É algo bem simples onde o Narrador deve usar as regras de rolagem simples ou melhor de três, tudo para agilizar. Os conflitos averíguam a escala da instituição: local, nacional e global. Cada instituição têm três atributos: Força, o simples poder da instituição. Prestígio, é seu nível de influência, representa a destreza. Estrutura, suas bases, representa o Vigor.

Em resumo, o vampiro que está usando o poder da Instituição usará o atributo dela somado à sua Habilidade. Por exemplo, Prestígio + Política. Cada instituição tem níveis de vitalidade igual a Estrutura +3. A ideia é ser simples e narrativo e não uma sequência chata e sem emoção.

Por fim, um bilhete de despedida da Victoria Ash, como se ela tivesse compilado todo o livro para apresentar para uma de suas crias a estrutura da Camarilla.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Acho que ficou claro o quanto gostei desse livro. Simplesmente, ele conseguiu acender uma chama que estava apagada por anos, muitos anos. Gostei de tudo li, muito mesmo, agora é pura ansiedade pelo livro do Sabá.

Por Rafão Araújo

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