Bestiário Africano (Parte 1 de 3)

Arte de Johan Egerkrans

Conforme prometido, após criar uma lista de criaturas de folclores e mitologias sul-americanas, apresento-lhes a lista de seres fantásticos dos folclores e mitologias africanos. Totalizando 101 criaturas, ela é dividida em três partes. Por favor, aproveite e se inspire.

Quase esqueci de dizer: esta lista foca nos folclores e mitologias da África, deixando de lado criaturas originárias do Antigo Egito ou da Arábia, como os gênios. Eu quis descobrir justamente o que é pouco conhecido.

1) Abambo (Oeste da África) – O termo em plural para “fantasmas”. O singular é Ibambo. Não se sabe de onde eles vêm ou por que se tornam visíveis em certos momentos. É entendido que são as almas dos mortos. Não são bons ou maus, mas eles vêm sem serem convocados, ocasionalmente possuindo pessoas.

2) Abatwa (Folclore Zulu) – Um povo tão diminuto que é encoberto pela grama e dorme em formigueiros. Eles são nômades, parando apenas para comer o que eles caçaram. Eles odeiam ser do tamanho que são, chegando a matar pessoas com os seus arcos se eles entendem que as mesmas ressaltam esse fato. O singular de Abatwa é Umutwa. O modo correto de cumprimentar um Umutwa quando ele pergunta “Quando você me viu?” é “Eu te vi quando estava longe”. Isto agrada o Umutwa, que responde “Então eu fiquei grande”. Os Abatwa fazem jornadas para mudar as suas regiões de caça, o grupo inteiro montando em um cavalo, do pescoço ao rabo. Se eles não encontrarem comida, eles comem o cavalo. Os Abatwa são poderosos à sua maneira, pois a grama os esconde de tal forma que eles podem “picar” um homem até a morte com as suas flechas envenenadas sem serem vistos. O veneno que eles usam é um anticoagulante, que faz com que a pessoa sangre até a morte.

3) Adroanzi (Mitologia Lugbara) – Uma raça de criaturas que se parecem com cobras, mas são na verdade a prole do espírito maligno Adro. Os Adroanzi caçam à noite, na forma de pessoas, atacando e devorando humanos. Eles se aproximam pelas costas da vítima, atacando assim que a mesma olhar para trás. Mas se o alvo seguir em frente sem medo, ele não é atacado.

4) Adze (Folclore Ewés) – Um vampiro que pode se transformar em um vagalume. Caso capturado nesta forma, ele reassume a forma humana. A forma de vagalume é usada para passar por espaços pequenos e entrar em casas, para sugar sangue de quem está dormindo. Isto causa doença e até morte na vítima. Na forma humana, o Adze pode possuir uma pessoa. A mesma será considerada uma bruxa, porque a possessão traz má sorte às pessoas que convivem com a pessoa que foi possuída.

5) Arro (Folclore dos Dilings e Nubas) – Bail, deus supremo destes dois povos, encarregava os Arro, espíritos dos mortos, de guiar e ajudar os humanos. Eles davam conselhos aos chefes, agiam como guardiões e recompensavam ou puniam humanos de acordo com as suas ações. Ou seja, pode-se pensar nos Arro como uma mescla de anjo e ancestral.

6) Árvore Canibal de Madagascar (Folclore de Madagascar) – Como o nome indica, trata-se de uma planta carnívora grande o suficiente para devorar pessoas. Ela se distingue das demais criaturas da lista em que foi inventada por um homem branco para um jornal em 1874. No artigo original, é dito que a árvore recebe sacrifícios de uma “tribo Mkodo”, igualmente fictícia. A planta é descrita como tendo o formato de um abacaxi de mais de dois metros de altura. O tronco é marrom e tão duro quanto ferro. Saindo do topo do tronco e descendo até o chão, as folhas têm quase quatro metros de comprimento em meio metro de largura. Elas são cobertas de ganchos afiados. Uma espécie de grande flor branca no meio das folhas guarda um líquido doce, intoxicante e que causa sono. Esta “flor” também tem seis palpos semitransparentes e brancos, com quase dois metros de comprimento e em movimento constante. Entre a “flor” e as folhas, saem muitas gavinhas peludas verdes, cada um com cerca de dois metros de comprimento. Quando uma vítima é colocada acima do tronco, os palpos se enroscam nos braços e pescoço. Em seguida, as gavinhas se enrolam ao redor da pessoa, seguidas pelas folhas. A refeição desta árvore assassina é então comprimida como se por uma prensa hidráulica. Enquanto se alimenta, a árvore gera o líquido doce, que é coletado pelos nativos que colocaram a vítima ali, como uma espécie de recompensa narcótica e talvez viciante. As folhas e gavinhas se abrem dez dias depois, restando apenas um crânio branco.

7) Arwe (Folclore Etíope) – Uma serpente que governava a região agora chamada de Etiópia. Ela era longa como um rio, e os seus dentes eram grandes como o braço de um homem. Gulosa, comia plantações, gado e pessoas. Caso as pessoas se recusassem a alimentá-la, ela se contorcia, causando terremotos. Ela foi morta por um estrangeiro que conseguiu envenená-la. Agradecidos, os locais pediram que ele ficasse e governasse eles, o que ele aceitou. Quando envelheceu, este senhor pediu que as pessoas aceitassem a liderança de sua filha, Makeda, que se tornou a Rainha de Sheba.

8) Asamanukpai (Folclore da Costa do Ouro) – Anões com os pés voltados para trás. Eles podem ser brancos, negros ou vermelhos. Os anões mais velhos são maiores e barbudos. Os Asamanukpai gostam de comer e dançar em rochedos de pedra polida. Se você entrar no território deles, deve acalmá-los com oferendas de rum. Caso contrário, será apedrejado ou guiado até as profundezas da floresta, perdendo o caminho de volta. Às vezes, os Asamanukpai são amigáveis com alguém, ensinando o que sabem a esta pessoa. Eles também esfregam o suco de uma planta nos olhos, ouvidos e boca da sua nova amizade, tornando-as capaz de ouvir e ver pensamentos, prever o futuro, assim como falar e cantar com os anões. Tal pessoa se torna um “Gbalo”, um tipo de adivinho e sábio.

9) Asanbosam (Folclore dos Acãs) – Um tipo de vampiro. É descrito como tendo dentes de ferro, pele rosada, ganchos de ferro no lugar de pés, cabelo longo e vermelho. Ele vive nas árvores, emboscando pessoas do alto.

10) Asiman (Folclore Daomé) – Uma bruxa vampira. Ela ganha os seus poderes ao conjurar uma magia específica, deixando de ser humana. A Asiman é capaz de remover a própria pele e se tornar uma presença luminosa voadora que se parece com a chama de uma vela. Nesta forma, ela observa do céu por uma vítima. Após se alimentar, ela se torna capaz de se transformar em um animal. E é apenas na forma animal que é possível destruir uma Asiman.

11) Awiri (Oeste da África) – Um tipo de espírito guardião. O singular é Ombwiri. Quase todas as pessoas têm o seu próprio Ombwiri, que vive em uma pequena casa construída próxima à casa da respectiva pessoa. Toda a boa sorte desta pessoa vem do seu Ombwiri: todos os problemas que evitou e todas as boas coisas que conseguiu. Awiri também são responsáveis por tudo que é maravilhoso ou misterioso: relevos geográficos distintos, fenômenos celestiais e até eventos extraordinários que afetam a vida das pessoas. Não existem sacerdotes que sirvam de intermediários entre as pessoas e os Awiri. O Ombwiri deve ser respeitado e até temido, mas ele não é um espírito maligno. Entende-se que todos os Awiri são ou descendem das almas dos mortos. E que os Awiri mais dispostos a colaborar e ajudar uma pessoa são aqueles que foram os ancestrais da mesma. E a maior ajuda que trazem é uma que muitos africanos desejam acima de qualquer outra coisa: filhos e filhas. Quando Awiri surgem, pode-se ver que são brancos, não importa a raça que fossem em vida. Pessoas brancas eram consideradas Awiri por alguns nativos. Awiri geralmente vivem na região da sua tribo de origem. Caso a mesma seja extinta ou mude de lugar, os Awiri ficam e aceitam se afiliar a novas pessoas que venham a morar na região vazia. Awiri ficam inativos na estação de frio seco, que corresponde de maio a setembro no oeste equatorial da África. Neste período, são pequenos e quase sem vida. Pode-se pensar nisto como uma espécie de hibernação. Existe quem pense nos Awiri como um equivalente africano das fadas europeias.

12) Aziza (Folclore Yorubá e Jeje) – Esta divindade e/ou espírito da selva também é chamado de Aroni. Ela é descrita como um homem pequeno, de uma perna só, que fuma um cachimbo feito de uma concha. Um dos mitos a seu respeito conta que ele roubou o fogo dos céus e o deu aos humanos. Ele também sabe muitas coisas sobre cura e ervas medicinais, podendo ensinar isto às pessoas. Há quem acredite que o Saci é uma variante deste mito no Brasil, trazido pelos escravos vindos da África.

Para evitar confusões, devo esclarecer que existe um outro tipo de criatura chamada “Aziza”. Neste caso, são semelhantes às fadas europeias. Estes seres vivem nas profundezas das florestas e costumam ser benignos, por exemplo, ajudando caçadores e trazendo boa sorte a quem os invocasse.

13) Badimo (Folclore dos Tswanas) – Os Badimo são os espíritos dos mortos e são hostis aos vivos, agindo mais como diabos: desfazendo o que o Deus Supremo fazia, deturpando os Seus propósitos e convencendo humanos a se afastar Dele.

14) Balungwana (Folclore Baronga) – Seres pequeninos, às vezes chamados de anões. Parece que o singular é mulungwana. É dito que eles vem do céu quando chove. Quando as pessoas ouvem o trovão, dizem: “os balungwana estão brincando lá em cima.” Durante a praga de gafanhotos de 1894, um homem e uma mulher pequeninos supostamente surgiram anunciando a praga e dizendo: “não matem os gafanhotos; eles nos pertencem.” Um mulungwana também surgiu em um morro em 1862, logo antes de começar uma guerra entre dois chefes.

15) Bida (Folclore Soninquês) – Um dragão em forma de uma enorme serpente. Ele exige sacrifícios na forma de donzelas para fazer chover ouro sobre a cidade chamada Wagadu. Bida vive em um poço profundo ao lado da cidade. Um herói chamado Mamadi Sefe Dekote conseguiu decapitar o dragão. A cabeça ainda falou, amaldiçoando a cidade a ficar sem ouro por sete anos, sete meses e sete dias. A cabeça pousou em uma região ao sul, que se tornou famosa pelo ouro que vinha de lá. Bida era descrita como a cobra dourada, mas não é claro se isso se refere à aparência ou à fortuna que trazia.

16) Boio (Folclore da Zâmbia) – Em um lugar chamado Chilunga, norte de Loango, existia um fetiche chamado Boio, que governava a região através de uma princesa que lhe servia de representante. Boio vive na terra: as pessoas ouviam a sua voz quando passavam por perto do altar dedicado a ele. Oferendas eram postas ali, desaparecendo em seguida. O espírito dentro do fetiche, também chamado Boio, tinha, além da voz humana, a voz de um pássaro. Certa vez, dois homens estavam carregando um pau como se houvesse uma maca suspensa nele, mas não havia nada. Alguns passantes riram disto. Em seguida foram feitos prisioneiros por mãos invisíveis, soltos apenas após um pagamento ser feito à princesa. O fato é que havia uma maca suspensa, carregando o fetiche, mas ambos eram invisíveis. Apenas duas pessoas têm o poder de enxergar Boio, dentro de seu lar subterrâneo: as mesmas que lhe trazem comida.

17) Bouda (Folclore Etíope) – Etíopes acreditam que ferreiros são feiticeiros capazes de se transformar em hienas. Há quem diga que esses “homens-hiena” abrem covas de cemitérios à meia-noite e roubam os corpos. Muitos nativos olham para ferreiros de forma suspeita. Aproveito isto para dizer duas coisas sobre hienas: as suas mordidas são capazes de quebrar e moer ossos, e os seus potentes ácidos estomacais conseguem digerir os ossos devorados.

18) Bulgu (Folclore Guji Oromo, Etiópia) – Um grande ogre canibal com quatro olhos em uma cabeça na forma de uma lâmina de machado. Ele conhece fórmulas mágicas verbais que destroem muros.

19) Camaleão (Folclore de Burkina Faso) – Um símbolo associado a mudanças e à transformação de uma pessoa na forma de um espírito. Além disso, camaleões são vistos de maneira suspeita, devido à sua capacidade de mudar de cor e olhar em duas direções ao mesmo tempo. Camaleões apareciam em máscaras, amuletos e altares, servindo como espíritos protetores ou para aumentar o poder do usuário, combater formas sobrenaturais de doenças e encantamentos, até servindo para contrapor os efeitos das fases da lua.

Nas tradições dos Yorubás, o camaleão Agemo é intermediário e mensageiro entre o deus supremo e outras divindades ou humanos. Certa vez, ele ajudou o deus supremo, Olorun, a vencer uma competição contra Olokun, deusa do mar. Ela acreditava ser a melhor tecelã e tintureira de roupas, melhor até mesmo do que Olorun. Ela o desafiou a uma competição de tecelagem e tinturaria. Ele pediu que ela apresentasse amostras da sua habilidade. Mas cada tecido que ela mostrava tinha os padrões e cores repetidos perfeitamente por Agemo. Olokun declarou a própria derrota, pois se um mero mensageiro podia duplicar o que ela produzia, Olorun seria ainda mais habilidoso.

20) Cedro do Fim (Mito da Criação do Mundo do Quênia) – Abaixo de Seu trono, Deus criou uma árvore gigantesca. Ela tem milhões (ou talvez bilhões) de folhas. Em cada uma delas, há um nome escrito por Deus, pois Ele conhece cada um de nós pelo nome. Quando Ele desejar, uma folha cai. Antes que a mesma atinja o chão, um anjo a pega e lê o nome para o Anjo da Morte, chamado Ndulo Mtwaa-roho, “Aquele que Toma Almas”. O mesmo então desce para separar a alma do corpo daquele que tem o nome que foi lido. 

21) Chamma (Folclore do Congo) – O nome significa “arco-íris”. Esta é uma cobra gigante que entra nas fontes dos rios e os faz inchar, criando enchentes que carregam gramas, árvores e aldeias inteiras na direção do mar. 

22) Chemosit (Folclore Nandi) – Um demônio canibal que vive debaixo da terra. Metade homem, metade pássaro, ele tem uma perna e usa como muleta um bastão em forma de lança. A boca vermelha brilha à noite como se fosse uma lamparina. Ah, e ele tem nove nádegas. Sim, nove. Ele prefere devorar crianças, atraindo-as com canções à noite. A criança, ouvindo a música e vendo a luz saindo da boca do monstro, acha que está acontecendo uma dança ao redor da fogueira e vai na direção dela. 

23) Chipfalamfula (Folclore Moçambicano) – Um peixe enorme, com o poder de controlar um rio. Ele é capaz de fazer o curso d’água seguir por baixo da terra ou causar enchentes. Mas ele costuma salvar pessoas se afogando e sempre ajuda crianças com problemas. 

24) Chiruwi (Folclore de Maláui) – Uma criatura que assombra a floresta. Ele tem um braço, uma perna e um olho; a outra metade do corpo é feita de cera. Também carrega um machado. Quando encontra um homem, o desafia a uma luta desarmada. Se a pessoa vence, o Chiruwi ensina-a a criar substâncias sobrenaturais, assim como as propriedades medicinais de ervas e árvores. Mas se a pessoa perder, ela morre. 

25) Dingonek (Folclore do lago Vitória) – Um monstro descrito como tendo quatro metros de comprimento; cabeça grande como a de um leão, mas com a anatomia e pintas de um leopardo; dois dentes grandes e brancos, como os de um tigre dentes-de-sabre; escamas como as de um tatu; colorido e pintado como um leopardo; um rabo longo e achatado, próprio para nadar; as patas deixam pegadas largas como as de um hipopótamo, mas com as garras de um réptil. O caçador que o viu, John Alfred Jordan, disparou com o seu rifle calibre .303 a nove metros de distância na cabeça, mas só fez a criatura sair da água. Jordan escapou e a procurou depois, mas sem sorte. Os locais adoravam uma serpente ou réptil que diziam trazer boas colheitas e aumento das manadas de gado, mas não fica claro se é a mesma criatura.

26) Dhegdheer (Folclore da Somália) – O nome significa “que tem orelhas longas”. Esta é uma demônia canibal que caçava crianças perdidas na floresta. 

27) Eloko; plural é Biloko (Folclore dos Mongo-Nkundo, que vivem às margens do rio Congo, na África Central) – Anões que podem ser os espíritos dos ancestrais ou de mortos que ainda têm questões a acertar com os vivos. Vivem nas profundezas da selva, onde a mata chega a ser escura de tão fechada. Os seus tesouros são as frutas e animais da floresta. Caçadores precisam de magia poderosa para adentrar e sobreviver nas regiões dominadas pelos Biloko, ou correm risco de morrer de fome por nunca achar nada para comer. Os anões vivem em árvores ocas e se vestem apenas com folhas. Eles tem grama crescendo no corpo, no lugar de pelos e cabelos. Possuem focinhos com bocas que podem se esticar até ficarem grandes o suficiente para engolir um homem. Possuem garras longas. Biloko usam sinos que enfeitiçam quem passar por perto, a menos que a pessoa carregue um amuleto ou fetiche que impeça isto. Eles “cheiram como a floresta”, as suas vozes soam como a de uma criança. E como se não bastasse, devoram pessoas. 

28) Emere (Folclore Yorubá) – Uma criança que consegue viajar entre o mundo físico e o espiritual à vontade. O termo tem uma conotação negativa, porque significa que o filho ou filha de uma família constantemente desaparece e reaparece. Uma Emere é impaciente, querendo o que tem de melhor na Terra e no Céu. Ela é, na verdade, um espírito disfarçado que confundiu vida e morte. Acredita-se que Emeres são mais poderosas do que bruxos. Elas costumam morrer de pura felicidade: quando se casam; quando tem filhos; quando se formam na universidade, etc. Emeres também são lindas e sedutoras, e costumam ser mulheres. 

29) Fanany (Folclore de Madagascar) – Semelhante à hidra grega, esta criatura é uma serpente com sete cabeças, cada uma com um chifre.

30) Fandrefiala (Folclore de Madagascar) – Uma cobra que caça do topo das árvores. Quando um animal ou pessoa passa por baixo, a Fandrefiala se arremessa como se fosse uma azagaia, a ponta do rabo apontando na direção da presa. Não me ficou claro se a ponta do rabo é afiada, mas gosto de pensar que sim. A cobra é descrita como sendo amarela ou marrom, enquanto a ponta do rabo é vermelha. A dica para saber se uma Fandrefiala está prestes a atacar é que três ou sete folhas caem da árvore. A criatura as faz cair para avaliar a sua trajetória. 

31) Funkwe (Folclore Lamba) – É dito que esta criatura é uma serpente cujo corpo é tão longo, que vai da fonte do rio Kafulafuta até a junção com o rio Kafue. Isto dá cento e vinte e oito quilômetros! A ponta do rabo é como de um peixe, tendo uma barbatana. Os Funkwes vivem em um fosso abaixo da fonte do rio e saem quando querem comer peixes. Existe uma história de um Funkwe que se transformou em um humano e se casou com uma mulher. 

32) Ga-Gorib (Folclore da África do Sul) – Um grande monstro assassino com um truque. Ele ficava sentado à beira de um grande fosso e segurava uma pedra na testa. Ele desafiava os passantes a pegar a pedra e jogar nele. Quando eles faziam isto, a pedra ricocheteava e matava quem a atirou. Ga-Gorib foi morto pelo herói legendário Heitsi-Heib, que distraiu a criatura, acertou-a atrás da orelha e a jogou dentro do próprio fosso.

33) Gor, o Trovejante (Folclore da África Central) – Um elefante mítico que serve de mensageiro do deus supremo dos pigmeus, Khonvoum.

34) Groot Slang (Folclore Khoikhoi) – Peço desculpas se este texto desapontar alguém. A versão mais popular desta criatura diz que ela é uma fusão de serpente e elefante. Diversos sites e imagens a mostram desta forma. Eu mesmo a mostrei assim quando escrevi sobre fantasia africana.

Contudo, para esta lista, fui pesquisar mais a fundo. E não achei nada disto. O que achei foi o seguinte: esta criatura é uma imensa serpente do folclore dos Khoikhoi, mas a documentação escrita vem de caçadores e exploradores europeus. Ela vive em uma caverna chamada “Buraco Maravilhoso” ou “Fenda sem Fundo”, cheia de diamantes, que estaria ligada ao oceano, há dezenas de quilômetros de distância. A entrada dela estaria em uma grande rocha no meio do rio Orange, que seria frequentado pela criatura. A mesma teria diamantes no lugar de olhos e emanaria uma aura maligna, sentida por todos que a veem. Pessoas que clamam ter visto Groot Slang dão detalhes de que ela teria cerca de quinze metros de comprimento, e que haveria não apenas uma, mas duas. E os locais parecem acreditar que a criatura é, na verdade, um espírito em forma de serpente, guardião da caverna e seus diamantes.

Isto significa que os desenhos, vídeos e textos estão errados? Não acho. Embora esteja muito longe de ser uma autoridade no assunto, para mim, folclore que é folclore evolui com o tempo. Esta capacidade de mudar é inclusive parte do que acho interessante sobre ele. Mesmo a “clássica” mitologia grega tem versões alternativas de eventos, personagens e monstros. O errado é congelar o mito, lenda ou história em uma só versão, impossível de ser alterada.

Bruno Kopte é membro da equipe REDERPG. Junto com Felipe Salvador, desenvolve o cenário de fantasia Atma, encontrado aqui.

Arte de Johan Egerkrans

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