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Experiência de Mestre – A Falha do Vilão

Esta coluna regular é para Mestres que gostam de construir mundos e campanhas, tanto quanto eu. Aqui vou compartilhar minhas experiências como DM através da lente de Iomandra, o meu mundo de campanha de Dungeons & Dragons. Mesmo que a campanha use as regras da 4 ª edição, os temas aqui tratados, muitas vezes transcendem edições. Esperemos que esta série de artigos que lhe dará inspiração, ideias e novas formas impressionantes de ameaçar seus jogadores em suas campanhas.

Se você estiver interessado em aprender mais sobre o mundo da Iomandra, confira o wiki.


SEGUNDA À NOITE. Os heróis invadem um esconderijo pertencente a uma guilda de bandidos chamados Aliança Córnea. Seu objetivo? Libertar um membro captivo de uma guilda rival. 

Os heróis conseguem libertar o prisioneiro e fazer a sua fuga, apenas para se encontrarem encurralados numa sacada com vista para uma cidade as bordas de uma gruta submersa. Um dragão de prata maligno trabalhando com a Aliança Córnea pousa na sacada e bloqueia sua fuga. Enquanto o dragão começa a cuspir seu monólogo vilânico, a sacada se estala pelo peso do dragão, treme e depois se quebra.

Antes do dragão poder abrir suas asas e voar, ele despenca na cidade abaixo e desaparece numa nuvem de poeira e entulhos. Basta dizer, os jogadores estavam boquiabertos e aproveitaram a chance para conseguirem escapar.

Meus vilões, ao contrário de seu criador maluco, são imperfeitos. Eles não são oniscientes. Eles não sabem de tudo, e como os jogadores, eles chegam a conclusões erradas baseadas suposições falhas. Eles calculam mal. Eles caem. Eles sofrem baixas. Meu vilões são muito, profundamente falhos. E é por isso que meus jogadores gostam deles com falhas.

A melhor coisa sobre falhas é que elas podem ser exploradas. Nesse caso, aqui há três vilões da minha campanha de Iomandra, cada um com suas falhas para jogadores espertos explorarem:

Prismeus: Este capanga tiefling trabalha para Zaibon Krinvazh da Aliança Córnea e tem sido leal ao lorde do crime desde que Zaibon o tirou da prisão. Quando aprisionado, Prismeus foi torturado por seus captores draconatos, sua face sendo marcada por ácido. Seu tratamento ruim e sua desfiguração o fez ressentido de todos os draconatos, e sua lealdade a Zaibon está acima de qualquer suspeita. Quando Zaibon foi morto pelos heróis, Prismeus colocou a Aliança Córnea contra os assassinos de Zaibon, colocando a organização inteira em perigo e levando a um impasse entre ele, os heróis e as autoridades Dragovar que gostariam de nada mais do que ver a Aliança Córnea destruída para sempre.

Cale Praianegra: Este cafajeste escorregadio trabalha para o Império Dragovar. Quando ele não está escoltando criminosos para a ilha prisão de Zardkarath, ele está fazendo negócios e aceitando subornos para permitir criminosos serem libertados. Ele também tem uma fraqueza por mulheres poderosas. Quando Andraste (personagemde Michele Carter) precisa de ajuda para libertar sua tia da prisão, ela relutantemente procurou Cale. Sob circunstâncias normais, Cale iria traí-la num piscar de olhos, pegando seu dinheiro e deixando a tia de Andraste apodrecer, mas ele é caidinho por Andraste e, como um idiota apaixonado, ele cegamente concorda com seus termos. Nunca ocorreu a ele que ele pode acabar sendo o traído.

Osterneth a Lich de Bronze: Ela é a ex-esposa de Vecna (dos dias de antes dele se tornar um deus) e uma poderosa lich que esconde sua forma verdadeira atrás de uma ilusão de uma charmosa nobre. Quando os heróis fazem um acordo com um aspecto de Vecna, Osterneth é enviada como a representativa de confiança do Lorde Aleijado para auxiliá-los em seus esforços. Embora ela esteja fornecendo inteligência crucial, ela também está reunindo segredos para seu sombrio mestre. O que Osterneth falha em ver é que seu confiado servo changeling, Metis, poderia um dia traí-la e divulgar seu segredo — que ela tem o arrancado, ainda batendo, coração de seu marido dentro de seu peito, e sua destruição iria acarretar a destruição de Vecna.

Eu joguei jogos narrados por Mestre experientes que retratavam vilões como infalíveis, malignas extensões de si mesmos. Estes vilões pareciam saber de tudo e sempre tinham a vantagem porque eram imbuídos com uma inexplicável onisciência. Ele ameaça a minha suspensão de descrença como um jogador quando o meu personagem enfrenta um vilão apenas para descobrir que o Mestre dotou seu precioso cara mau com uma quantidade inacreditável de precognição e perspicácia sobre os planos, intenções e segredos dos meus personagens. Vilões oniscientes são chatos, eu preferiria encarar um vilão que fala o nome do meu personagem errado ou que fuja após tomar um acerto crítico. Subitamente, este vilão parece infinitamente mais real para mim.


Horário Nobre PAX

Se você planeja vir até ao Live D&D Game no PAX 2011, esteja avisado! Este artigo uma porção de SPOILERS. Você talvez queira pular esta seção.

Para aqueles que não sabem, este Sábado, no Teatro Paramount em Seattle, eu estarei mestrando um jogo para a gangue da Acquisitions Incorporated (Mike “Gabe” Krahulik, Jerry “Tycho” Holkins, Scott “PvP” Kurtz e Wil “Não seja um idiota!” Wheaton em frente a um público de 2500+ participantes do PAX. Me contaram que irão haver grandes entradas, fogos, fantasias e menestréis vivos (ao contrário de mortos, eu suponho). Pelas duas semanas anteriores, eu tenho negligenciado minha campanha caseira para me preparar para este bendito evento, mas deixando de lado fantasias e menestréis, a coisa que mais me excita sobre o jogo é a oportunidade de levar Acqisitions Incorporated a algum lugar que eles jamais estiveram e jogá-los contra um merecido vilão.

Se você não puder ir ao evento, assista a cobertura online.

Da última vez que vimos Jim Magianegra, Omin Dran e Binwin Bronzefundo, eles haviam acabado de libertar seu não-tão-morto companheiro Aoefel da fortaleza-prisão Morterápida. Com a gangue reunida, foi decidido traze-los para New Hampshire para ler a Última Vontade e o Testamento de James Magianegra I… avô de Jim Magianegra. O vilão principal da aventura é o primo de Jim, Percival Magianegra, que não recebe a herança que ele esperava, exatamente um baú secreto de conhecimento mágico que os Magianegras tem guardado por gerações. Para faze-lo mais interessante, entretanto, eu precisei dar a ele alguns defeitos.

Eu tive a ideia de que Percy teria tolamente prometido entregar esse baú de “Magia Magianegra” para a família Ervabastão, um clã rival de arquimagos e o agonia a possibilidade de falhar! Eu dei a ele também uma falha mais peculiar que pode ter consequências muito interessantes: Devido a uma maldição colocada sobre ele quando criança, Percival é incapaz de ver e ouvir criaturas de origem feérica. Eu suspeito que Wil (que interpreta o eladrin Aoefel), poderia ter algum diversão com isso!

Ao crédito do Percy, ele não é um bufão. Ele é uma pessoa muito, muito má, e seu plano para conquistar sua “merecida herança” é consideravelmente inteligente, se você me perguntar. (Spoiler: Tem algo a ver com a própria mansão Magianegra, que tem certas estranhas propriedades mágicas.) Ele também tem uma “coisa” por sua irmã, o que o torna apropriadamente repugnante.


Lições Aprendidas

Os mais memoráveis vilões na televisão, filmes, literatura tem defeitos tão grandes quanto San Andreas. Essas falhas não apenas os fazem parecer “reais” mas também os levam a sua inevitável ruína. No reimaginado Battlestar Galactica, Almirante Cain (interpretada por Michelle Forbes) não consegue ver seu passado antes de seu ódio pelos Cylons, e esse ódio a destrói. No filme do Bond Casino Royale, o vilão Le Chiffre é desfeito por várias apostas ruins. A fraqueza de Hannibal Lector é sua afeição por Clarice Starling que, em múltiplas ocasiões, quase custou sua liberdade. O defeito de Annie Wilkis é sua adoração servil por Paul Sheldon, que a cega para sua suprema traição no fim de Miséria de Stephen King. Essas falhas não tornam os personagens menos temíveis ou ameaçadores. No máximo, os torna mais simpáticos.

Aqui estão algumas ideias chave:

  • Vilões não são perfeitos, e como os PJs, eles não sabem de tudo e também cometem erros.
  • Deixe os jogadores verem as falhas de seus vilões para que eles possam explorá-las.

Se você está desacostumado a inventar defeitos para seus vilões, considere alguns dos clássicos: amor (o vilão é apaixonado por um dos personagens ou outro PdM), ódio (o vilão é cego pelo ódio e não consegue pensar direito), ritual (o vilão parte para um comportamento previsível), arrogância (o vilão não mata os jogadores quando tem a chance), medo (o vilão teme alguma coisa), ganância (o vilão nunca está satisfeito e sempre clama por mais), deformidade (o vilão sofre de algum impedimento físico) e maldição (o vilão é atormentado por uma doença, ferimento ou alguma enfermidade incomum).

Talvez seu vilão seja cego ou atormentado por fantasmas. Talvez seu vilão precise de um elixir especial para se manter jovem, ou talvez seu vilão tenha os capangas mais estúpidos do mundo (como “Mãe” em Futurama). Marcando seus vilões com defeitos, você poderia inadvertidamente transfomá-los em palhaços, tolos, idiotas ou imbecis. Não tema. Enquanto eles fizerem coisas más, seus jogadores amaram odiá-los.

Quanto ao Percival Magianegra, ainda há de ver se ele pode aguentar por si só contra os heróis da Acquisitions Incorporated. Francamente, eu estou mais preocupado que Aoefel poderia perambular pela mansão Magianegra por si só — e todos nós sabemos o que acontece quando o grupo se separa! Em qualquer ocasião, se você não puder participar do PAX, não se preocupe: O jogo será filmado e postado para que o resto do mundo possa ver como as coisas foram na propriedade.

Até o próximo encontro!
Mestre pra toda a vida,

Chris Perkins

Tradução: Aguinaldo “Cursed Lich” Silvestre
Fonte: Wizards of the Coast

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