Um Exemplo de Fractal do Fate: Corrupção e Idolatria Bíblicas

Um Exemplo de Fractal do Fate: Corrupção e Idolatria Bíblicas

Uma das coisas mais poderosas e pouco compreendidas em Fate é o Fractal do Fate, ou também chamada de Regra de Bronze. Uma ferramenta importantíssima para criar-se novas regras em Fate, ela parte da premissa de tratar-se situações específicas como se fossem ações entre personagens. Mais exatamente, tratar-se elementos do teu cenário como personagens.

Ao fazer-se isso, você ganha toda uma forma de tratar novos elementos sem precisar de novos sistemas, problema clássico de sistemas mais antigos, onde para fazer-se X aprende-se toda uma série de novas coisas, que não servem para fazer-se Y.

O problema, porém, é acostumar-se a definir até onde ir no Fractal: se tudo que você for fractalizar você acabar criando fichas de personagens, você terá um problema sério de super-preparação, usando uma metralhadora para matar uma formiga.

Vamos aqui dar uma ideia de vários níveis de preparação que podem ser adequados para um mesmo tipo de regra, conforme necessidades de cada situação. Perceba que falaremos da mesma coisa e, portanto, os comportamentos são similares.

No caso, utilizando um debate recente que tivemos no grupo de WhatsApp do Fate Básico, vamos falar sobre um tema que pode ser comum: a ideia da Corrupção e Idolatria em um cenário bíblico.

Aqui, antes de começar, cabe um disclaimer: eu não sou um especialista em Bíblia ou exegese ou qualquer coisa assim. Apenas decidi que seria um tema interessante, baseado em um debate recente, e que poderia oferecer vários exemplos legais, retirados de vários cenários da Bíblia. Além disso, aqui não será feito juízo de valor sobre a validade ou não de qualquer coisa na Bíblia.

Vamos propor alguns cenários e tentar demonstrar como solucionar coisas de maneira bem simples.

Definições e Princípios do Fractal

Antes de mais nada, vamos rever algumas definições sobre o que é um Fractal e como conduzir a sua criação.

Primeiro, vamos diferenciar um pouquinho as regras de Fractal da de Extra.

Basicamente um Extra é tudo que não pode ser tratado (ao menos não totalmente) como um Aspecto, Perícia, ou Façanha (ou ao menos não totalmente). Normalmente, Extras são relacionados a Fractais na medida em que, por exemplo, um Extra é definido na forma de um Fractal, como um Rifle Sniper que tem Arma:2, uma Mira Telescópica que oferece +2 ao Criar Vantagens de Na Mira e tenha uma Munição Perfuradora de Armadura.

Em geral, Extras precisam que o personagem cumpra uma Permissão para ser obtido pelo personagem (algo que o personagem deve ter ou fazer), como Ser Parte de uma Força Militar, e possui um determinado Custo que o personagem deve pagar para ter acesso ao mesmo, como descrever esse Rifle como um Aspecto.

Dito isso, embora muitos Fractais trabalhem como Extras, isso NÃO É OBRIGATÓRIO: às vezes um Fractal é tão inerente ao cenário que você pode simplesmente ignorar as Permissões e Custos, na medida em que você imagina que eles são inerentes ao cenário e a seus personagens. Imagine, por exemplo, um cenário baseado em Guardiões da Galáxia: você não precisa criar um Extra relativo à Níveis de Tecnologia, uma vez que todos os personagens sabem como as tecnologias da sociedade em questão funcionam.

Dito isso, vamos voltar ao Fractal.

No Manual do Fate Básico, página 247, diz-se o seguinte sobre o Fractal:

“Em Fate, tudo pode ser tratado como se fosse um personagem. Qualquer coisa pode possuir aspectos, perícias, façanhas, barra de estresse e consequências se for preciso.” (Grifo meu)

Vamos focar em uma parte importante para a compreensão de como formar um Fractal dentro dessa definição: a palavra pode.

Por que isso é importante? Porque na realidade, apesar de tudo, você não precisa tratar como um personagem. Ao menos não totalmente. Isso é importante pois você pode criar Fractais extremamente simples, de maneira corriqueira, para situações bem inteligentes, sem muita complexidade, e expandindo conforme (e se) necessário. Mantenha o KISS aqui, mantendo as coisas de maneira simples e seguras (1).

Uma vez entendido isso, vamos analisar quais elementos vamos utilizar para criar um Fractal:

1. Se o extra influencia a história, então deve usar aspectos.
2. Se o extra cria um novo contexto para a ação, então ele deve usar
perícias.
3. Se o extra permite realizar algo extraordinário com uma perícia, então
deve usar façanhas.
4. Se o extra pode sofrer dano ou ser consumido de alguma forma, então
deve poder receber estresse e consequências.

O “mais óbvio” aqui são os Aspectos, que se cria em qualquer ação de Criar Vantagem e removem-se em ações de Superar ou de Criar Vantagem. Então sem mistérios aqui.

Perícias como parte de um Fractal são interessantes quando queremos criar uma oposição de uma forma um pouco mais séria. Pense, por exemplo, em um Veneno: você pode utilizar um nível de Potência a ser usado em uma Disputa para cura e para provocar dano no alvo caso o mesmo não tenha sido curado.

Façanhas é outra bem óbvia, em especial em Extras de Equipamentos como Arma: acople uma Mira Telescópica e você terá +2 ao Criar Vantagens de Na mira com aquela arma.

Estresse e Consequências são alguns dos menos usados, mas podemos citar aqui um exemplo bem interessante:

1. Para uma Arma, coloque Munição como uma trilha de estresse, onde cada caixa é marcada no momento em que é dado um disparo. Ao encher a barra, seu personagem está Sem Munição e precisa de uma ação de Criar Vantagem para limpar, ao menos em parte, essa barra de estresse;
2. Para um sistema de Crises Diplomáticas, crie uma barra de Estresse (representando o tempo antes das coisas virarem um potencial Conflito) e Consequências (potenciais atritos a serem arrastados) e trate como um Conflito.

Com essa introdução, vamos pensar na proposta que ocorreu na comunidade de WhatsApp.

“Estou criando uma aventura baseada nos eventos bíblicos e quero lidar com a Idolatria, e como eliminar a mesma…”

Estou sumarizando a questão do WhatsApp de maneira a explicar o que usaremos nos exemplos, pois as situações específicas da questão já tiveram uma forma explicada.

Vamos, então seguir a diante.

Exemplos de Fractal da Idolatria

Como dissemos anteriormente, vamos pensar como lidar com a Idolatria enquanto um Fractal de Fate. Vamos buscar noções dentro dos próprios textos bíblicos para citar os exemplos e tentar descrever a situação dos mesmos.

Situação 1 – O Espírito Imundo

“E alguns dos exorcistas judeus ambulantes tentavam invocar o nome do Senhor Jesus sobre os que tinham espíritos malignos, dizendo: Esconjuro-vos por Jesus a quem Paulo prega.

E os que faziam isto eram sete filhos de Ceva, judeu, principal dos sacerdotes.

Respondendo, porém, o espírito maligno, disse: Conheço a Jesus, e bem sei quem é Paulo; mas vós quem sois?

E, saltando neles o homem que tinha o espírito maligno, e assenhoreando-se de todos, pôde mais do que eles; de tal maneira que, nus e feridos, fugiram daquela casa.” (2)

Aqui temos uma situação simples:

Precisamos criar o Espírito Maligno. Vamos tratá-lo como um Aspecto de Espírito Imundo sobre o homem possuído e vamos colocar uma perícia de Idolatria definindo o nível de poder do Espírito Imundo. No caso, como será algo difícil, vamos tratar como Excepcional (+5).

Agora imaginemos (1) quem são os sete filhos de Ceva (os PdJs?) e (2) como vamos tratar essa situação.

Quanto a (1), vamos pensar que os sete filhos de Ceva são filhos do principal dos sacerdotes, conforme está no texto bíblico. Pensando em Fate Acelerado, eles teriam um Poderoso. Se pensarmos em Fate Básico, seu Conhecimento seria também Razoável.

Quanto a (2), a visão óbvia seria um Conflito. Entretanto, como o texto sumariza uma tentativa só, vamos pensar de maneira um pouco diferente e imaginar que isso foi tratado como um teste de Superar dos Filhos de Ceva contra a Idolatria do Espírito Imundo pelo homem em questão, em um rolamento simples. Obviamente existem outras formas de resolução, mas vamos manter como um rolamento simples.

Pois bem, os Filhos de Ceva conseguem um rolamento 0,0,+,+ para um resultado Ótimo (+4) e isso os coloca em uma situação pouco confortável. Eles invocam então Jesus a quem Paulo prega (um Aspecto que está em cena), para um resultado Fantástico (+6), o que parece fazer tudo dar certo…

…mas o Espírito Imundo invoca seu Aspecto e rola +,+,+,0 para um resultado Épico (+7), o suficiente para ele manter a possessão do homem e, com isso, poder usá-lo para Atacar os Filhos de Ceva, que têm que fugir de sua casa, nus, feridos e Derrotados.

Situação 2 – A Tentação do Deserto

“Então Jesus foi levado pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo Diabo.

Depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve fome.

O tentador aproximou-se dele e disse: “Se és o Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães”.

Jesus respondeu: “Está escrito: ‘Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus’”.

Então o Diabo o levou à cidade santa, colocou-o na parte mais alta do templo e lhe disse:

“Se és o Filho de Deus, joga-te daqui para baixo. Pois está escrito: ‘Ele dará ordens a seus anjos a seu respeito, e com as mãos eles o segurarão, para que você não tropece em alguma pedra’”.

Jesus lhe respondeu: “Também está escrito: ‘Não ponha à prova o Senhor, o seu Deus’”.

Depois, o Diabo o levou a um monte muito alto e mostrou-lhe todos os reinos do mundo e o seu esplendor.

E disse-lhe: “Tudo isto te darei se te prostrares e me adorares”.

Jesus lhe disse: “Retire-se, Satanás! Pois está escrito: ‘Adore o Senhor, o seu Deus, e só a ele preste culto’”.

Então o Diabo o deixou, e anjos vieram e o serviram.” (3)

Essa é uma passagem clássica da Bíblia, a Tentação no Deserto, e também podemos tratar isso como uma Disputa.

Novamente, temos o Diabo enquanto Tentador e Senhor do Mundo (Aspectos do Mesmo), e novamente temos um Caso de uma Perícia de Idolatria (no caso, Ótima (+4)). Além disso, podemos imaginar que o Diabo possui uma Façanhas Distorcendo as Escrituras para +2 ao Superar usando as Escrituras para sua própria benesse.

Entretanto, o Diabo possui um problema: Jesus é O Filho de Deus e O que veio para confirmar a Lei e os Profetas e possui um Cuidadoso (Fate Acelerado) ou Conhecimento (Fate Básico) de Épico (+7) (o Lendário virá mais para frente, pouco antes da Última Ceia). Entretanto, ele está com uma Consequência Suave Faminto.

A primeira troca é o Diabo usando a Consequência Suave de Jesus para conseguir +2. Ele rola +,-,0,0 para Fantástico (+6) nessa primeira tentativa de apelar para Jesus enquanto um “mero homem faminto”. Mas Jesus, invoca o fato de ser O Filho de Deus para +9, indo além do Lendário. O rolamento seria ruim, -, -, -, +, mas é mais do que o suficiente para Jesus obter a Vitória nessa primeira Troca.

A troca seguinte é o Diabo levando Jesus para o alto do Templo da Cidade Santa: lá, ele utiliza sua Façanha ao citar o fato de que está escrito: ‘Ele dará ordens a seus anjos a seu respeito, e com as mãos eles o segurarão, para que você não tropece em alguma pedra’. Ele rola +,-,+,0 para Épico (+7) e fica alegre com sua própria “sabedoria”…

… Quando Jesus dá na mesma moeda, e invoca o fato de ser O que veio para confirmar a Lei e os Profetas e que ele não deve ser tentado! O rolamento seria ruim, -, -, -, 0, mas ainda não seria o suficiente para o Tentador vencer Jesus e ele obtém a Vitória nessa segunda Troca.

Por fim, na terceira troca, o Diabo, desesperado por Jesus está prestes a escapar de vez de sua Tentação, resolve apresentar a Jesus o fato de ser Senhor do Mundo, invocando esse Aspecto para melhorar suas chances. O Rolamento parece perfeito +, +, +, +, elevando o resultado do mesmo para +10…

… mas aí Jesus decide que basta! Ele invoca o fato de ser Filho de Deus e O que veio para confirmar a Lei e os Profetas, para levar para +11 e, por fim, consegue um bom rolamento de +, +, -, +, levando para +13, com um Sucesso com Estilo que resulta em duas Vitórias, mais do que o suficiente para acabar com as chances do Tentador, que o deixa, derrotado e humilhado, para ser cuidado pelos Anjos.

Situação 3 – Jó

“E disse o Senhor a Satanás: Observaste tu a meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus, e que se desvia do mal.

Então respondeu Satanás ao Senhor, e disse: Porventura teme Jó a Deus debalde?

Porventura tu não cercaste de sebe, a ele, e a sua casa, e a tudo quanto tem? A obra de suas mãos abençoaste e o seu gado se tem aumentado na terra.

Mas estende a tua mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e verás se não blasfema contra ti na tua face.

E disse o Senhor a Satanás: Eis que tudo quanto ele tem está na tua mão; somente contra ele não estendas a tua mão. E Satanás saiu da presença do Senhor.” (4)

Uma das histórias mais antigas da Bíblia, a história sobre Jó pode ser quase tratada como uma campanha como um todo, mas vamos tratar aqui uma forma de tentar fazer o personagem cair em Idolatria:

Jó começa logo de cara sofrendo uma Consequência Severa Destruído pelo Demônio e o Demônio continua a usar a Idolatria para provocar a Jó, até que ele por um acaso seja Derrotado em sua Fé e pereça. Aqui temos uma situação de Conflito direto, com o Demônio chegando ao ponto de receber Trabalho em Equipe por meio de pessoas que tentam Jó (como sua esposa), Criando Vantagens para o mesmo. Ainda assim Jó resiste fielmente até o Marco Maior, onde ele é curado e tem de volta tudo que lhe foi tomado.

Aqui o importante é entender que os Ataques do Demônio seriam Mentais, contra a Vontade de Jó (Fantástica (+6)?), e com a sua Fé sendo uma Façanha que lhe ofereceria +2 ao Defender-se aos Ataques contra a sua Fé em Deus.

Situação 4 – A Queda de Jericó

“Ora Jericó estava rigorosamente fechada por causa dos filhos de Israel; ninguém saía nem entrava.
Então disse o Senhor a Josué: Olha, tenho dado na tua mão a Jericó, ao seu rei e aos seus homens valorosos.

Vós, pois, todos os homens de guerra, rodeareis a cidade, cercando-a uma vez; assim fareis por seis dias.

E sete sacerdotes levarão sete buzinas de chifres de carneiros adiante da arca, e no sétimo dia rodeareis a cidade sete vezes, e os sacerdotes tocarão as buzinas.

E será que, tocando-se prolongadamente a buzina de carneiro, ouvindo vós o seu sonido, todo o povo gritará com grande brado; e o muro da cidade cairá abaixo, e o povo subirá por ele, cada um em frente.

Então Josué, filho de Num, chamou aos sacerdotes e disse-lhes: Levai a arca da aliança; e sete sacerdotes levem sete buzinas de chifres de carneiros, adiante da arca do Senhor.

E disse ao povo: Passai e rodeai a cidade; e quem estiver armado, passe adiante da arca do Senhor.

E assim foi que, como Josué dissera ao povo, os sete sacerdotes, levando as sete buzinas de carneiros diante do Senhor, passaram e tocaram as buzinas; e a arca da aliança do Senhor os seguia.

E os homens armados iam adiante dos sacerdotes, que tocavam as buzinas; e a retaguarda seguia após a arca; andando e tocando as buzinas iam os sacerdotes.

Porém ao povo Josué tinha dado ordem, dizendo: Não gritareis, nem fareis ouvir a vossa voz, nem sairá palavra alguma da vossa boca até ao dia que eu vos diga: Gritai. Então gritareis.

E fez a arca do Senhor rodear a cidade, contornando-a uma vez; e entraram no arraial, e ali passaram a noite.

Depois Josué se levantou de madrugada, e os sacerdotes levaram a arca do Senhor.

E os sete sacerdotes, que levavam as sete buzinas de chifres de carneiros, adiante da arca do Senhor, iam andando, e tocavam as buzinas, e os homens armados iam adiante deles e a retaguarda seguia atrás da arca do Senhor; os sacerdotes iam andando e tocando as buzinas.

Assim rodearam outra vez a cidade no segundo dia e voltaram para o arraial; e assim fizeram seis dias.

E sucedeu que, ao sétimo dia, madrugaram ao subir da alva, e da mesma maneira rodearam a cidade sete vezes; naquele dia somente rodearam a cidade sete vezes.

E sucedeu que, tocando os sacerdotes pela sétima vez as buzinas, disse Josué ao povo: Gritai, porque o Senhor vos tem dado a cidade.

Porém a cidade será anátema ao Senhor, ela e tudo quanto houver nela; somente a prostituta Raabe viverá; ela e todos os que com ela estiverem em casa; porquanto escondeu os mensageiros que enviamos.

Tão-somente guardai-vos do anátema, para que não toqueis nem tomeis alguma coisa dele, e assim façais maldito o arraial de Israel, e o perturbeis.

Porém toda a prata, e o ouro, e os vasos de metal, e de ferro são consagrados ao Senhor; irão ao tesouro do Senhor.

Gritou, pois, o povo, tocando os sacerdotes as buzinas; e sucedeu que, ouvindo o povo o sonido da buzina, gritou o povo com grande brado; e o muro caiu abaixo, e o povo subiu à cidade, cada um em frente de si, e tomaram a cidade.

E tudo quanto havia na cidade destruíram totalmente ao fio da espada, desde o homem até à mulher, desde o menino até ao velho, e até ao boi e gado miúdo, e ao jumento.

Josué, porém, disse aos dois homens que tinham espiado a terra: Entrai na casa da mulher prostituta, e tirai-a de lá com tudo quanto tiver, como lhe tendes jurado.

Então entraram os jovens espias, e tiraram a Raabe e a seu pai, e a sua mãe, e a seus irmãos, e a tudo quanto tinha; tiraram também a toda a sua parentela, e os puseram fora do arraial de Israel.” (5)

Aqui podemos lidar de maneira mais simples, com a de Israel Criando Vantagens contra a Idolatria de Jericó, até o ponto que, com Sete (!!!) Invocações Gratuitas de Nossa fé contra a idolatria de Jericó, eles provocam um Ataque poderoso o bastante para, em um único Turno, derrubar as muralhas de Jericó, ao usar todas as Invocações Gratuitas para +14, a e um bom +, +, +, + para um resultado +21. Jericó, sem Vantagens, com uma Idolatria, em teoria poderia resistir, mas conseguindo um rolamento -, -, -, -, ela só absorve 1 dos 21 pontos de Estresse. Pensando que Jericó tem o mesmo tanto de Estresse e Consequências de um personagem de Fate Básico, sua resistência baseada na Idolatria (com uma Consequência Adicional Suave), ainda assim seria capaz de absorver apenas 15 pontos, o que sem sombra de dúvidas é o suficiente para derrotar a Idólatra Jericó.

Situação 5 – Sodoma e Gomorra

“Então o Senhor, o próprio Senhor, fez chover do céu fogo e enxofre sobre Sodoma e Gomorra. Assim ele destruiu aquelas cidades e toda a planície, com todos os habitantes das cidades e a vegetação” (6)

Aqui, é importante tratar Sodoma como um personagem. Vamos ver um exemplo rápido:

Sodoma e Gomorra

Muitas acusações diante do Senhor, Sodomia

– Idolatria Excepcional (+5)
– Estresse: 3
– Consequências: 2/4/6

Obviamente aqui é bem rasteiro, mas vamos começar a pensar antes, quando os Anjos chegam a Sodoma para procurar Ló. Cada um deles Gera uma Vantagem Ira Divina Porvir quando os cidadãos vão para “os conhecer”, e avisam Ló do que está por vir, como uma ação de Superar para remover de Sodoma O Único Justo que lá havia.

Ao fazerem isso, abriram espaço para o Ataque Divino (+10), que sobe graças às Invocações Gratuitas da Ira Divina Porvir para +14. Como no caso de Jericó, o rolamento para a Ira Divina é de +, +, +, + para +18 e Sodoma nem pode usar o fato de ter O Único Justo (que está fugindo para Zohar) para melhorar suas chances de Defesa. Ela rola +, +, 0, 0 para +6, o que, em Teoria, é o suficiente para absorver o estrago em 12 de Estresse. Mas Deus não brinca e invoca os dois Aspectos de Sodoma para elevar para 16 o Estresse a ser sofrido, derrotando a maldita Sodoma e Gomorra em um único Ataque!

Conclusão

O Fractal do Fate é uma ferramenta poderosa a ser destrinchada e entendida, pois com ela pode-se resolver problemas de qualquer tipo sem muitas regras novas.

Obviamente cada um pode modificar os sistemas conforme sua necessidade e conduzir as coisas de maneira diferente, pensando as situações de diversas maneiras. O que me leva a dizer que a resposta para “Qual a melhor forma de fractalizar as coisas em Fate?” é “A que for melhor para o seu cenário”. Evite complicar demais o sistema se não fizer sentido, mas não tenha medo de descrever as coisas caso necessário.

Por Fábio Costa
Equipe REDE
RPG

Notas:
(1)
Tá, eu sei qual a definição de KISS (Keep it Simple, Stupid), mas não precisamos ser mal-educados se podemos não ser.
(2) Atos dos Apóstolos 19:13-16
(3) Mateus 4: 1-11
(4) Jó 1:8-12
(5) Josué 6:1-23
(6) Gênesis 19:24-25

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