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Old Dragon Edição Aprimorada (resenha)

O Velho Dragão voltou (e tá bonitão o danado)!

E eis que chegado o fim do ano a RedBox nos traz uma agradável surpresa: o manual básico do nosso gigantesco e idoso calango retorna de cara nova e capa dura!

Não posso começar esta resenha sem elogiar o trabalho gráfico: outrora ilustrado com imagens em preto e branco, o novo manual é totalmente colorido, com ilustrações excelentes (sinceramente nenhuma me desagradou), e diagramação que não deixa nada a desejar ao trabalho gringo. Estranhamente, as figuras coloridas fogem à proposta de um visual retro, mas é perdoável, afinal, são outros tempos e entendemos que old school não é sinônimo de feio ou sem graça (como muito material gringo que tenho visto, com imagens que parecem ter sido feitas por uma criança de cinco anos).

Os tons terrosos escolhidos para o material também foi uma boa escolha, remetendo a um livro antigo mesmo que o design seja mais moderno, mas a escolha de texto em coluna única me desagradou um pouco (mas isto é pessoal, nada contra na realidade) e, durante a leitura, a transição de uma coluna única para duas colunas pode incomodar um pouco…

Quanto às regras, temos algumas novas opções que podem ou não agradar os fãs mais antigos do sistema:

Raças
Pouca coisa mudou aqui, mas a maior alteração foi sem dúvida a remoção da regra que dizia que elfos homens-de-armas não utilizariam o d10 como dado de vida. Ponto para o novo Old Dragon Edição Aprimorada (ODA).

Classes
As classes não sofreram muitas alterações, mas o clérigo foi beneficiado (e conta agora com uma das melhores especializações do jogo, o Caçador) com as regras para domínios e poderes concedidos por sua divindade e uma nova tabela de afastar mortos-vivos, baseada em DV’s e não no tipo de criatura. A regra de domínios me lembrou de certa forma os domínios do Pathfinder e, considerando a saborosa lista de 22 domínios, o clérigo passa a ser uma das classes mais versáteis do sistema.

As alterações nas especializações foram poucas – e o bárbaro se tornou bem tedioso, diga-se de passagem – mas o maior acerto foi o de eliminar, na maioria dos casos, a obrigatoriedade de tendências.

Magia
Ainda utilizamos o sistema vanciano aqui, mas em time que está ganhando não se mexe, não é? A melhor adição foi a ideia de memorizar e customizar magias através do uso de slots, permitindo que a mesma magia possa ser utilizada de forma mais ou menos poderosa, sem que o mago ou clérigo fique chupando dedo quando utiliza determinado círculo.

Num primeiro momento fiquei chateado pela ausência dos chamados truques, mas considerando a identidade do produto, eles não fizeram tanta falta.

Combate
Muitas alterações neste quesito, algumas bem-vindas, como condições e tipos de ações, mas agora temos o temido e famigerado flanquear. Considerando que esta é uma regra que nem era assim tão utilizada na 3ª edição do RPG mais jogado do mundo e é uma constante nas discussões dos sistemas que a utilizam, não sei se esta adição foi assim tão interessante, mas para quem joga com miniaturas foi uma adição e tanto.

Minha maior reclamação em relação ao combate foi a alteração na regra de iniciativa: antes a arma utilizada interferia diretamente no resultado da iniciativa, que era rolada com 1d10. Esta era uma das visões mais elegantes que eu havia visto no quesito combate e vai fazer muita falta. Na edição aprimorada, a iniciativa é rolada no início do combate – que evita muitas contas e paradas desnecessárias, diga-se de passagem.

Equipamentos
Muita coisa foi atualizada aqui e algumas armas tendem a se tornar as queridinhas dos jogadores, como a picareta com seu razoável dano de 1d6, mas com o delicioso crítico de x4!

E por fim…
O ODA (apelido carinhoso do bichinho) está excelente. As mudanças de regras vão agradar a alguns e fazer com que outros jogadores e Mestres de Jogo torçam o nariz até se acostumarem com ela. O livro está lindo, as imagens internas estão impecáveis e o preço extremamente acessível para um material desta qualidade – apenas 70 PO. O material é bem escrito, com um errinho de português aqui e ali, mas nada que tire o brilho da leitura. No quesito novidades o ODA trouxe pouca coisa nova, mas o que trouxe foi bem-vindo, pelo menos para a maioria dos fãs do sistema, mas em defesa do sistema devo dizer que em momento algum ele foi vendido como mais do que é: uma atualização de um dos sistemas mais bem-sucedidos do Brasil e não uma nova edição.

O Old Dragon é um sistema simples e isto não mudou com o ODA. E como bons sistemas simples, ele é modular e aberto, permitindo que Mestres e jogadores que não se adequarem ou não gostarem das mudanças e novas regras simplesmente não as utilizem. Ou que continuem a absorver e integrar regras de outros jogos e edições compatíveis com o sistema d20. É uma política mais do que aceita e incentivada pelos criadores do material. E falando em integração, não posso terminar essa resenha sem citar as linhas que mais me tocaram. A comunidade do OD sempre foi aberta e amigável e o jogo acompanha esta tendência. Que me desculpem os autores, vou transcrever aqui sem vergonha nenhuma:

PERSONAGENS E SEXUALIDADE

Ao imaginar seu personagem, você não precisa se restringir às definições binárias de gênero ou de sexualidade. O fato de jogar com um homem ou mulher cis ou trans ou uma pessoa hétero ou homoafetiva, não afeta mecanicamente o jogo de forma alguma. A sua anã pode ostentar uma barba volumosa e se sentir mais confortável quando é chamada de “o anão”, assim como o seu halfling clérigo de Kymis pode optar por, assim como sua deusa, tornar-se mulher.
ODA, página 22.

Pode não parecer muita coisa, mas como Mestre de um grupo em que temos a honra de ter jogadores e como professor que tem a igual felicidade de possuir alunos com orientação sexual não heteronormativa, estas poucas linhas fazem enorme diferença, em especial para aqueles que possuem tão pouca representatividade em nosso hobby.

Só posso deixar aqui os meus parabéns à equipe criativa, que é de longe a mais simpática e presente das terras tupiniquins, e para os fãs do sistema, que não só não deixaram que ele morresse quando foi chamado de “desnecessário”, como o fortalecem, seja consumindo os produtos lançados, seja compondo a comunidade mais tchuchuquinha linda e querida do pai, jamais vista na história deste país!

NOTAS (de 1 a 6)
Layout/Arte:
6
Texto: 6
Conteúdo: 6
NOTA FINAL: 6

Sérgio Gomes, o Alquimista
Equipe REDE
RPG

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