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Adaptando de outras mídias para o RPG

Este é um assunto imensamente divertido e controverso em muitos aspectos, tentaremos elucidar os pontos que seriam mais importantes, para que o jogo e principalmente a diversão possam fluir da melhor maneira possível. Algo que não deve ser difícil nas mesas e grupos de amigos, mas que pode se tornar um grande desafio em eventos, em que Mestres de Jogo e jogadores muitas vezes têm seu primeiro contato uns com os outros.

Iniciemos com a escolha da mídia, isso geralmente é a parte mais fácil. Sempre existem as adaptações prontas, que são igualmente válidas e menos trabalhosas que criar os próprios caminhos. Estas são produzidas pelas próprias empresas de jogos em parceria com a mídia em questão, ou simplesmente como matérias de revistas. Voltemos ao giro clássico que é a obra de fantasia Star Wars. A cada novo filme ou produtos lançados, os sistemas oficiais se expandem e adaptações dos clássicos cavaleiros Jedi aparecem em todos os sistemas vigentes. Trabalhar com o pronto é uma das opções.

Outra opção seria escolher uma HQ que se gosta ou está na moda, um filme lançado, uma série televisiva, um desenho animado, um livro ou mesmo, por incrível que pareça, uma música. Se bem que, nesse caso, o caminho contrário pode ser encontrado com muito mais visibilidade.

Escolhida a mídia, parte-se para a parte mais complicada: casar o conhecimento do grupo ou Narrador à mídia escolhida e usar o sistema que mais esteja no conforto de conhecimento e possibilidade do grupo ou Narrador. Essa é uma tarefa árdua, mas que pode render aventuras épicas que serão motivos de lembranças calorosas.

Um exemplo destes que eu tive oportunidade de narrar foi usando os livros Arkanun, Demônios: Divina Comédia e Anjos: Cidade de Prata, da Editora Daemon. A aventura era com os jogadores interpretando anjos e demônios enviados para o Egito para conferir um abalo nas forças terrestres, que havia sido comprovado não pertencer às fontes demoníacas por partes dos anjos, e que não era uma obra celeste do ponto de vista dos demônios. Chegando lá, descobriu-se que os antigos deuses do Egito, estavam tentando restaurar o credo de sua antiga religião, para depois propagá-la pelo mundo e erradicar os demais cultos. A força destes estava reduzida, pois na campanha foi usada que quanto maior a crença em determinada religião, maior a energia humana gerada e direcionada para esta religião. Como a crença nas maiores religiões do mundo são monoteístas, que de uma forma ou de outra acreditam em anjos e demônios, estes estavam muito “abastecidos” de poder, enquanto os antigos deuses egípcios se equiparavam a eles nesse momento em força por sua religião ser mais uma lembrança, quase uma mitologia.

Este, foi apenas um exemplo de como isso pode ser feito, adaptando livros de religião/mitologia egípcia. Vemos isso acontecer na atual série de jogos God of War, com o protagonista Kratos sendo originalmente da mitologia grega (na série de jogos ele sendo um dos vários filhos bastardos de Zeus), onde ela adaptou a mitologia/religião nórdica.

Porém, nem tudo são flores… Sabemos que existem fãs de obras que também jogam RPG, que são muito sistemáticos com adaptações e, principalmente, com a fidelidade às mesmas. Em muitos casos, isso pode gerar um imenso desconforto, devido à irredutibilidade das pessoas, mas aí cabe o jogo de cintura. No caso de uma mesa de amigos, lavem sua própria roupa suja e se entendam, por favor. Porém, em eventos, isso pode ser desconfortável, daí uma conversa e promessas de melhorar em uma próxima são sempre boas, mesmo que você ache que não precisa mudar nada do que está pronto.

Por fim, sabemos que o uso de histórias de outras mídias é um dos grandes fatores atrativos tanto para trazer novos jogadores a esse maravilhoso mundo que é o RPG, quanto para dar um gostinho a mais, para os anciões nestas estradas tortuosas. Sempre é bom usar a imaginação com um grande repertório pronto e, muitas vezes, inserir sua parte nesta obra. Ou seja, o seu personagem, as escolhas que ele faz, e modificar o mundo que antes você sabia como era, para algo totalmente novo.

André Raron Teixeira
Equipe REDE
RPG

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