Contrate um Mestre – Parte 2: Uma Resposta à Comunidade

Salve Seu Grupo: Contrate Um Mestre” foi o título do nosso primeiro artigo. Um título – propositalmente polêmico – que rendeu críticas da comunidade rpgística, não sem alguma razão! Mas não foi só o título, nossa escolha – proposital, de novo – de focar apenas nas partes positivas de se contratar um Mestre de Jogo também foi alvo de críticas. Chegou a hora de dar voz ao outro lado do ringue. Vamos lá!

Round 1: Ética comprometida?
“(…) Mas a coisa, naturalmente, não é tão simples. RPG é algo complexo. Algumas pessoas entendem que a relação Jogador-Mestre estaria comprometida por uma relação profissional, de dinheiro. Um Mestre de Jogo pago seria mais generoso com itens mágicos? Ele estaria mais suscetível a mudar uma jogada de dados para beneficiar um jogador, evitar a morte de um personagem e, no fim, agradar um… cliente?”

Esse argumento está no início do nosso primeiro artigo, uma espécie de curva dialética que fizemos antes de pegar a estrada dos pontos positivos da qual já falamos. Foi também um ponto bastante apontado por nossos leitores em comentários no post do Facebook. O dinheiro seria a maçã podre, o abraço mortal que contaminaria a relação sagrada entre Mestre e jogadores. O Mestre ficaria tentado a “pegar leve” e a mudar rolamentos para “beneficiar um jogador”. Mas será que é disso que gostamos? Quero dizer, a ideia de que um jogo mais fácil é melhor, de que é um padrão desejável dentro do RPG me parece frágil, posto que buscamos aventura e desafio. Essa questão, como dito, é importante, mas, no fundo, um Mestre pago é, nesse aspecto, indiferente de outro profissional liberal. Há, certamente, os bons e os ruins, os éticos e os antiéticos. Não vejo nada que uma boa sessão zero, quando o Mestre deixaria claro que a relação profissional em nada vai mudar sua condução do jogo, não resolva. Nós estamos pagando para termos a mesma experiência que temos quando jogamos com nossos amigos, certo? Não há que se imaginar, portanto, que o Mestre facilite as coisas para os jogadores, sob pena de arruinar a diversão de todos, não é mesmo?

Round 2: Mestre “Nutella” ou o “fim do tesão”
Boa parte dos comentários negativos carregava apenas essa carga afetiva vaga e sem contornos, esse sentimento de que, por algum motivo, “aquilo não era certo”. O Mestre profissional seria um impostor, um “Nutella”, um usurpador do ofício sagrado que é resguardado aos nossos irmãos e irmãs mais velhos, com grana para comprar livros, tempo e saco para lê-los. Quis tratar dessa crítica mais vazia porque sei de onde ela vem, onde nasce. Esse “argumento” tem como pai o medo do novo e como mãe a devoção pelo hobby.

Os Mestres profissionais já são uma realidade na comunidade e representam uma mudança paradigmática no jeito como apreciamos o hobby. Eles têm a seu lado ferramentas facilitadoras poderosas – Roll20, estou olhando para você! – e vêm preencher uma realidade auto-evidente: há gente sem Mestre que gostaria de pagar para jogar. Por mais que isso fira a devoção que se tem pelo jogo, esse medo é a um só tempo fácil de compreender e difícil de justificar.

Round 3: Guerra declarada ao Mestre de Jogo “for fun”?
Este último grupo é daqueles comentários que provém de uma – do jeito como entendo – má compreensão do nosso primeiro artigo. E é a de que o próprio artigo – ou, de modo mais amplo, o simples fato de que alguém vai cobrar para mestrar – defenda a ideia de que se deve começar a cobrar, o que não é o ponto do artigo.

O nosso hobby continua lá, com seu refrigerante e sua pizza, com um amigo, um irmão ou namorada por trás de um escudo, tramando histórias por vezes macabras ou tocantes, nos olhando por trás do escudo, com aquele sorriso de quem sabe o que se esconde por trás da próxima porta. Há apenas mais um jeito de apreciar o hobby e ele chegou para ficar.

Por Vinnie Pitangui
Equipe REDE
RPG

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